
Quem apostou que o processo sobre um esquema de compra de votos nas eleições de 2024 em Casimiro de Abreu morreria com a cassação do vereador Pedro Gadelha, que perdeu o mandato pouco mais de um ano depois de ter sido reeleito, errou feio.
É que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) determinou o prosseguimento das investigações para apurar o possível envolvimento do prefeito Ramon Gidalte e do vice, Marquinho da Vaca Mecânica (foto).
No último dia 12 de maio, o Juízo da 50ª Zona Eleitoral realizou audiência de instrução e julgamento, na qual foram três testemunhas, e, de acordo com os autos, o material apreendido no dia do pleito — e que serviu de base para a cassação de Gadelha — aponta para uma possível ligação direta entre as campanhas proporcional e majoritária.
No dia das eleições fiscais da Justiça Eleitoral detiveram Glauco Pereira da Penha, então assessor parlamentar do agora ex-vereador. Com Glauco foram encontrados R$ 2.400 em espécie e 313 santinhos com fotos e números de campanha de Pedro Gadelha (44.123), do prefeito Ramon Gidalte e de seu vice.
Além do dinheiro e do material de propaganda eleitoral, foram encontradas listas com nomes de eleitores, números de títulos, zonas eleitorais e seções de votação, todos vinculados ao município de Casimiro de Abreu. Para o TRE-RJ, esses elementos configuram indícios concretos de um esquema articulado de compra de votos, que pode ter beneficiado não apenas o vereador cassado, mas também a chapa majoritária eleita em 2024.
A relação política entre os investigados também pesa no processo. Gadelha, que foi vereador licenciado, assumiu o cargo de secretário de Saúde na gestão de Ramon Gidalte, mantendo, segundo o advogado Paulo Mazzei, uma ligação estreita com a atual administração municipal. Para a acusação, essa proximidade reforça a tese de que as campanhas teriam atuado de forma integrada durante o pleito.
Com o restabelecimento e o avanço da ação de investigação, o cenário político de Casimiro de Abreu se torna ainda mais incerto. Caso a Justiça Eleitoral conclua pela participação do prefeito e do vice no mesmo esquema de compra de votos que levou à cassação de Pedro Gadelha, a chapa majoritária poderá ser cassada. Em um desfecho extremo, o município pode enfrentar a convocação de novas eleições, rearranjando por completo o quadro político local.
*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria