Acordos não cumpridos, saúde ruim e distribuição de cargos para pastores e membros de igrejas marcam a gestão de Glauco Kaizer que aposta alto na eleição da primeira-dama para se manter vivo na política
● Elizeu Pires
Para marcar um simples exame o usuário da rede municipal de Saúde de Queimados, na Baixada Fluminense, precisa madrugar e enfrentar longas filas. Dia destes houve um início de confusão no que por lá é chamado de centro de referência para muita coisa – menos para um bom atendimento -, um tal de Cethid.

Uma senhora que havia chegado na unidade por volta das 5h só conseguiu agendar o exame depois de reclamar que a fila estava sendo furada por “irmãos” de igreja, uma parcela da população que, ao que parece, deve estar merecendo tratamento diferenciado no município governado pelo também “irmão” Glauco Kaizer (foto).
Ela havia sido dispensada, ouvindo da atendente que os números disponibilizados tinham acabado, e que teria de voltar outro dia, mas, depois de desabafar, foi chamada de volta e levou consigo todos os que, como ela, tinham sido descartados naquele dia.
Pelo que se ouve na cidade, se a gestão é boa para os chamados “ungidos” ou “servos de Deus”, estaria sendo péssima para os “ímpios”, como os evangélicos costumam classificar os que não se orientam pela mesma doutrina, esquecendo que tal palavra deriva de impiedade, que, por sua vez, significa desumanidade, crueldade e maldade para com o próximo, ignorando que ninguém pode ser considerado melhor que o outro frequentar este este ou aquele templo religioso.
Além da péssima gestão, Glauco ficou conhecido pelo atraso no pagamento de faturas emitidas por fornecedores e prestadores de serviços, inclusive da área da Saúde, setor que tem, assim como a Educação, recursos repassados mensalmente pelo governo federal.
Também tem as queixas sobre descumprimento de acordos que não tenham sido feito com líderes evangélicos. A quebra de palavra, resultou, por exemplo, no racha entre o prefeito e o vice, Zaqueu Teixeira, que, inclusive, está fazendo campanha para um concorrente direto da primeira-dama, que é candidata a deputado estadual.
Resta saber se Cristiane Kaizer aceitar apenas os votos dos evangélicos.
*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria
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