Se a Justiça não reverter cassação da prefeita pela Câmara, Japeri corre risco de ter um governo mandado por vereadores, vivendo um novo regime, o compartilhado
● Elizeu Pires

O sistema de governo no Brasil é presidencialista, mas Japeri, um dos municípios mais pobres do estado do Rio de Janeiro, poderá vir a experimentar, a partir de terça-feira (13), um regime diferente, com um prefeito sob controle do grupo de vereadores que, neste sábado (10), em sessão extraordinária, decidiu cassar o mandato da prefeita Fernanda Ontiveros, que no processo de impeachment julgado hoje em plenário, tinha a companhia do vice-prefeito Carlos Januario, que foi absolvido para poder assumir.
Se a decisão da Câmara, considerada como “incabível” e “meramente política”, pela defesa da governante, não for revertida na Justiça, o vice-prefeito será empossado para, em seguida, assinar vários atos de exoneração e portarias de nomeação de novos secretários. E seria exatamente aí que entraria o grupo responsável pela destituição da prefeita.
Logo no início do dia já se percebia na Câmara um clima de festa, como de o governo já estivesse loteado, com o grupo ficando com pelo menos cinco secretarias, entre elas as três com maior dotação orçamentaria, as de Educação, Obras e Saúde, pastas encarregadas dos contratos mais volumosos.
Durante a sessão a empolgação só aumentou. Julgamento concluído, passou-se a ouvir nos corredores do poder e nos ambientes políticos nomes dos possíveis secretários a serem nomeados nos primeiros atos do prefeito a ser empossado, e não será surpresa se Januário passar a ser visto como mera figura decorativa no governo, com os vereadores dando as cargas e fazendo as indicações para esta ou aquela secretaria.
*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria