Câmara ignora o caos e falhas graves apontadas na rede de saúde, reclamam por lá
● Elizeu Pires

No ano passado a Prefeitura de Seropédica, na Baixada Fluminense, firmou contratos de mais de R$ 10 milhões para abastecer de remédios a sua rede de saúde, e o maior deles foi com a empresa G2V Soluções, no valor de R$5.223.151,16, visando o “fornecimento parcelado e contínuo de medicamentos de farmácia básica e complementar”. Porém, desabastecimento foi o que encontrou por lá uma inspeção da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, que deu prazo de 20 dias para que a gestão do prefeito Lucas Dutra dos Santos, o Professor Lucas, apresente um plano de reestruturação para o setor.
As reclamações dos moradores de Seropédica são muitas e recorrentes, mas parecem não incomodar o governo, muito menos aos 10 membros da Câmara de Vereadores, classificada pelos mais atentos de “puxadinho” do gabinete do prefeito, já que não haveria nenhuma ação fiscalizadora sobre os atos do Poder Executivo, até porque bastaria que o prefeito acordasse um dia de mal humor para que o comando do que deveria ser a Casa do Povo mudasse de mãos.

É que a Câmara Municipal é presidida pelo suplente Bruno de Almeida Santos, o Bruno do Depósito, que assumiu a vaga do único vereador eleito pelo PRD na cidade, Marcos Lomeu de Miranda, que pediu licença do mandato parra ocupar o cargo de secretário de Políticas Públicas para a Pessoa Idosa. Se Lucas resolver exonerar Lomeu, esse volta para a Câmara e o suplente Bruno perde o mandato e a presidência ao mesmo tempo.
Os olhos atentos da Defensoria Pública enxergaram em Seropédica falta de medicamentos, de insumos, de equipamentos e ausência de profissionais, realidade que os 10 “representantes do povo” integram o Poder Legislativo parecem desconhecer.
Para alguns observadores da política local o fato de ser presidida por um suplente deixa a Câmara sem legitimidade para fiscalizar os atos do prefeito, e, considerando que além de Bruno tem mais três suplentes (Rose Alves, Igor Bananeiro e Wattyla Cebolinha) na Casa, a tranquilidade do Poder Executivo quando ao funcionamento do Legislativo torna-se ainda maior.
*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria
Matérias relacionadas: