Bloco de oposição em Casimiro de Abreu declara apoio a Eduardo Paes

Apoio no pleito de 2026 é o primeiro passo para uma aliança em 2028 – Foto: Reprodução

Esta semana a política de Casimiro de Abreu ganhou um novo capítulo. O ex-prefeito Antônio Marcos de Lemos Machado (foto), duas vezes chefe do Executivo municipal, anunciou apoio ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), na disputa pelo governo do estado do Rio de Janeiro.

O movimento não veio sozinho. Ao lado de Antônio Marcos, também declararam apoio ao projeto de Paes o ex-vereador Pezão, sua esposa, a atual vereadora Rosemary  Mangifeste, e vereador e ex-vice-prefeito Lelei da Marmoraria. O grupo é hoje o principal polo de oposição ao prefeito Ramon Gidalte (PL).

Reviravolta – Após o ciclo eleitoral de 2024, Antônio Marcos decidiu “mudar a rota” e se reposicionar no tabuleiro estadual. Com um histórico político de peso no município e um índice de aprovação de 57,5% ao deixar a prefeitura, o ex-prefeito enxerga na aliança com Paes uma oportunidade de ampliar sua projeção regional e estadual.

O apoio ao atual prefeito do Rio, considerado um dos principais favoritos na corrida ao governo estadual, não é visto apenas como uma decisão de palanque, mas como um movimento estratégico para mexer com a correlação de forças em Casimiro de Abreu.

A adesão de Antônio Marcos e de lideranças oposicionistas a Eduardo Paes mira diretamente a atual gestão de Ramon Gidalte (PL) e de seu vice, Marquinho da Vaca (Republicanos). A leitura nos bastidores é que o novo alinhamento tende a “tirar o governo da zona de conforto”, fortalecendo um campo de centro que desgasta a base do governador Cláudio Castro no interior.

Há, inclusive, a possibilidade de que o próprio Antônio Marcos migre para o PSD, partido de Paes. Caso isso se confirme, o ex-prefeito iniciaria a disputa municipal de 2028 com maior visibilidade, beneficiado por um eventual governo estadual comandado por Paes e pela força de um partido mais estruturado.

Mirando  2028 –  A articulação em torno de Eduardo Paes em Casimiro de Abreu é vista como parte de um movimento maior, de reorganização dos partidos de centro no estado. Siglas que hoje integram ou apoiam a base de Cláudio Castro podem desembarcar e se alinhar ao projeto de Paes, redesenhando alianças em diversos municípios fluminenses.

Em Casimiro, o gesto de apoio chacoalha o cenário local: a oposição ganha fôlego, abre espaço para novos palanques e passa a se apresentar como alternativa competitiva ao grupo hoje no poder. Ao mesmo tempo, deputados e lideranças da Região Metropolitana, que em 2022 tiveram disputas mais tranquilas, devem encontrar um ambiente eleitoral mais acirrado em 2026, com Casimiro se tornando ponto estratégico de articulação.

Com o nome de Eduardo Paes bem posicionado nas pesquisas e cotado para vencer a eleição estadual até mesmo em primeiro turno, o apoio de lideranças locais como Antônio Marcos tende a reforçar a presença do PSD e de partidos aliados no interior.

Em Casimiro de Abreu, a consequência prática é clara: o campo oposicionista sai fortalecido e o debate político local entra em uma nova fase, na qual o resultado da eleição estadual terá impacto direto na largada da disputa municipal de 2028.

A partir de agora, a disputa em Casimiro deixa de ser apenas entre governo e oposição local e passa a dialogar com um cenário mais amplo, em que projetos estaduais e municipais se misturam, reposicionando lideranças e obrigando todos os grupos a recalcular a rota.

Guarda municipal não gostou – A declaração de apoio a Eduardo Paes foi feita quinta-feira (29) e logo ganhou repercussão no município. Tanto que teve gente que foi às redes sociais demonstrar contrariedade.

É o caso de um guarda municipal de Cabo Frio, que já foi vereador em Casimiro de Abreu e não conseguiu se reeleger, e foi nomeado pelo prefeito Ramon Gidalte para o cargo de Secretário de Segurança Pública.

Trata-se de Wellington Azevedo dos Santos, que, sem citar nomes, disse que Paes não mora no Rio, e só voltou para disputar a Prefeitura. Só faltou dizer que Eduardo massacrou nas urnas o bolsonarista Alexandre Ramagem, que fugiu para os estados unidos para não cumprir pena no Brasil, e que o ex-prefeito Antonio Marcos foi absolvido de todas as denúncias apresentadas contra ele.

(Via Jornal dos Municípios)