Silva Jardim: Empresa alvo de investigação recebeu R$ 14,6 milhões dos cofres da Prefeitura por locação de ônibus até março deste ano

Alvo de uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), realizada nesta segunda-feira (6), no âmbito de inquérito aberto para apurar direcionamento de licitação na Prefeitura de Silva Jardim, a empresa J&W Transportes recebeu dos cofres públicos desse pequeno município do interior fluminense, o total de R$ 14,6 milhões, soma de valores pagos entre outubro de 2022 e deste ano.

Pelo que pode ser comprovado por documento oficial, a empresa recebeu R$ 774.288,37 entre outubro e dezembro de 2022, R$ 1.300.776,58 em 2023, R$ 5.394.120,55 no ano seguinte e R$ 5.658.091,20 em 2025. No primeiro trimestre de 2026 os valores pagos à J&W Transportes somam R$ 1.485.187,75. Foram pagos a ela R$ 303.224,81 em janeiro, R$ 662.033,21 em fevereiro e R$ 519.929,73 em março.

Contratação direcionada – A J&W foi contratada em outubro de 2022 para locar os ônibus que fazem o transporte gratuito de passageiros, ligando o centro da cidade aos bairros do município. Pelo que foi apurado até agora, a contratação teria se dado de forma direcionada, com a administração dispensando licitação para aderir uma ata de registro de preços de outro município e que tinha finalidade diferente.

De acordo com o que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO) apurou, o então subsecretário de Transportes, o ex-policial militar Carlos Roberto Soares Nunes Júnior, o ex-secretário de Administração Hugo Thiengo Kreisher e o subsecretário de Obras, Valdair de Souza Matos, “estruturaram procedimento administrativo viciado, ignorando alertas técnicos e jurídicos sobre a ilegalidade da contratação, com o objetivo de beneficiar a empresa”.

Os três ex-agentes públicos foram denunciados à Justiça pelo Ministério Público por associação criminosa e fraude licitatória, junto com os empresários Jonathas Souza dos Santos e Wilson César de Oliveira, responsáveis pela J&W.

“Ação coordenada” – Ainda segundo o que foi apurado, a ata aderida pela Prefeitura de Silva Jardim era para locação de ônibus escolares, objeto muito diferente do contratado, que é o transporte de passageiros, incorrendo em “flagrante desvio de finalidade”.

O MP apurou, ainda, que depois da adesão indevida da ata os denunciados abriram um processo licitatório na modalidade pregão presencial, que teria ocorrido também de forma direcionada. Nesse processo o Ministério Público, o valor por quilômetro rodado foi fixado em mais que o dobro do estipulado na contratação anterior.

*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria

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