
Os novos combos de cirurgia geral e oftalmologia comprados e distribuídos pelo Ministério da Saúde dentro do programa Agora Tem Especialistas já começam a transformar a rotina de hospitais públicos em diferentes regiões do país. No Rio de Janeiro, pacientes do SUS já estão sendo beneficiados com os equipamentos modernos e de alta tecnologia destinados pelo governo federal do Brasil para ampliar a segurança e otimizar custos hospitalares.
Os equipamentos distribuídos por meio do PAC Equipamentos – Mais Cirurgias contribuem para a redução das filas e do tempo de espera por procedimentos especializados, além de promover a modernização tecnológica da rede pública de saúde. Os combos destinados à cirurgia geral são compostos por seis equipamentos cada e foram estruturados para ampliar a realização de procedimentos como vasectomias, laqueaduras e outras cirurgias de baixa e média complexidade. Já os combos oftalmológicos reúnem cinco equipamentos cada, voltados à qualificação e expansão da oferta de cirurgias especializadas, especialmente procedimentos de maior complexidade, como as cirurgias de catarata.
Uma das unidades que registraram avanços com a chegada dos kits foi o Hospital Municipal Barata Ribeiro, na Mangueira. Os equipamentos foram entregues em março e o número de cirurgias já aumentou 15%. Em fevereiro, foram realizadas 294 cirurgias e, em março, cerca de 400. O hospital realiza procedimentos ortopédicos, plásticos e odontológicos. A equipe contabiliza importantes avanços na segurança anestésica e cirúrgica, além de maior agilidade nos procedimentos. O diretor de clínicas cirúrgicas da unidade, o ortopedista Marcelo Hubner Neves, explica as melhorias. “Temos uma rotina de cirurgias absorvidas das emergências. Com os novos equipamentos, aumentamos a velocidade das cirurgias, principalmente com o apoio do intensificador de imagem, do aparelho de artroscopia e do carrinho de anestesia. Isso acaba agilizando os procedimentos, aumentando o volume cirúrgico e diminuindo o tempo de internação. Temos aqui algumas cirurgias de alta complexidade, como reconstrução ligamentar, e somos um centro de absorção das emergências. Recebemos vítimas de acidentes de carro e moto, muito comuns atualmente, além de casos de trauma em idosos. Essas cirurgias ortopédicas dependem muito desses equipamentos. Quando conseguimos realizar os procedimentos com mais segurança e rapidez, alcançamos melhores resultados e um pós-operatório mais eficiente para o paciente”, explica o diretor.
Marcelo destaca ainda que a unidade também conta com mais um benefício do programa Agora Tem Especialistas. “Estamos investindo também em mais médicos com a ajuda do programa. Estamos contratando profissionais de subespecialidades, como trauma do idoso, trauma de quadril e especialistas em quadril, joelho, pé, mão e ombro. Com esses especialistas e os novos equipamentos, conseguiremos atender um número maior de pacientes. A tendência é aumentar em pelo menos 50% o volume cirúrgico que já realizávamos, ampliando o atendimento à população”, finaliza.
Coordenador do ambulatório geral do Centro Carioca do Olho, em Benfica, o oftalmologista Andrew Marinho também relata os avanços na unidade, que recebeu equipamentos que qualificam as cirurgias e tornam a recuperação dos pacientes mais rápida. “Nossa unidade já contava com itens tecnológicos muito bons, mas os equipamentos do kit trouxeram ainda mais qualidade. Vamos conseguir atender mais pacientes e dar mais celeridade aos tratamentos. São cirurgias para pessoas com problemas como descolamento de retina, retinopatia diabética e catarata. Os benefícios são grandes. As cirurgias de retina, por exemplo, são sempre muito delicadas e, quanto antes forem realizadas, melhor. Os pacientes ganham um prognóstico mais favorável. Quanto maior a demora, maior a chance de perda da visão ou cegueira. Então, esses equipamentos aceleram o processo e fazem com que consigamos operar mais pacientes em menos tempo”, afirma o coordenador.
No dia 3 de junho foi assinado um novo contrato para garantir mais 150 combos para todo o Brasil, totalizando 300 conjuntos de equipamentos novos que garantirão mais 428 mil cirurgias no SUS por ano, em um investimento de R$ 460 milhões. Ao todo, o Rio de Janeiro receberá 20 combos cirúrgicos. O novo pacote de entregas também faz parte do PAC Equipamentos – Mais Cirurgias, uma das ações estruturantes do Novo PAC voltadas à ampliação das cirurgias eletivas e do atendimento especializado no SUS. O programa busca reduzir o tempo de espera da população ao mesmo tempo em que amplia a capacidade instalada dos hospitais, regionaliza a assistência, diminuindo a necessidade de deslocamentos, e qualifica serviços prestados em todo o país.
No Rio de Janeiro, quatro hospitais já receberam os equipamentos, sendo três na capital — Hospital Municipal Barata Ribeiro, Centro Carioca do Olho e Maternidade Fernando Magalhães — e um no município de Valença, o Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi.
Segundo o secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Mozart Sales, a iniciativa torna o atendimento do SUS mais seguro e eficiente, ao mesmo tempo em que dá mais acesso a cirurgias e atendimento especializado para a população. “São equipamentos modernos, com tecnologia avançada, um investimento do Ministério da Saúde para ampliar o número de cirurgias realizadas no país e reduzir o tempo de espera da população. Em 2025, o Brasil realizou 14,9 milhões de cirurgias, o maior número da história do SUS. Agora, em 2026, com a distribuição desses novos equipamentos, vamos avançar ainda mais na qualificação do atendimento, com mais segurança, mais eficiência e melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde”, afirma o secretário.
A entrega dos novos kits cirúrgicos no Rio de Janeiro vem ampliando o atendimento a vítimas de acidentes, principalmente de colisões com motos. O pedreiro Elvis da Silva Araújo, de 36 anos, sofreu um acidente de moto quando voltava do trabalho e passou por cirurgia no Hospital Municipal Barata Ribeiro. Ele está internado e aguarda outra intervenção para fixação da tíbia fraturada. O motociclista é natural do Maranhão, mora no Rio há oito anos e relata que esse foi seu primeiro acidente. Apesar do susto e das duas cirurgias, ele afirma que o acolhimento e a agilidade no atendimento estão sendo fundamentais para a recuperação. “A moto é o meio de transporte que uso no dia a dia. Ela deslizou na serra e eu caí. Fui atendido pelos bombeiros, passei por um primeiro hospital e depois fui transferido para cá. Foi uma fratura exposta, inflamou, infeccionou e precisou colocar um fixador para desinflamar. Agora vou aguardar a melhora para fazer outra cirurgia”, explica.