Uma agenda para retomada da indústria naval
Candidatos se reúnem com operários e representantes do setor em Niterói
A retomada da indústria naval como motor da reindustrialização do Rio de Janeiro e a recuperação de até 50 mil empregos diretos no setor uniram, nesta quinta-feira (10), as candidaturas de Eduardo Paes (PSD) ao governo do estado e de Benedita da Silva (PT) ao Senado. Em evento com trabalhadores e representantes de estaleiros de Niterói, os candidatos defenderam uma atuação coordenada entre governo estadual, prefeituras e governo federal para recuperar a produção, qualificar mão de obra e garantir investimentos para o setor.

Candidato a governador, Paes apresentou dois compromissos: criar um REFIS para refinanciar as dívidas dos estaleiros com o governo do estado e implementar um programa estadual de qualificação profissional voltado às necessidades da indústria naval. Segundo ele, a retomada do setor tem potencial para gerar 50 mil empregos diretos e entre 200 mil e 250 mil indiretos. “O desenvolvimento econômico do estado é uma urgência, a reindustrialização do estado do Rio de Janeiro”, afirmou Paes. Ele destacou que, além da indústria naval, turismo e óleo e gás estarão entre os setores estratégicos de sua política econômica.
A proposta de REFIS estadual, explicou Paes, seguirá o modelo adotado pela Prefeitura de Niterói para renegociar as dívidas dos estaleiros com o município. A ideia é permitir que as empresas tenham condições de regularizar seus débitos sem comprometer a retomada da produção e dos empregos.
A segunda frente será a formação profissional. Paes afirmou que os anos de paralisação do setor provocaram a perda de trabalhadores qualificados, muitos dos quais se aposentaram ou deixaram a atividade. Por isso, defendeu que a formação técnica oferecida pelo estado esteja diretamente relacionada às vocações econômicas de cada região. “Não faz sentido a gente ficar vendo, por exemplo, a FAETEC fazendo curso de coisas que não tenham relação com as vocações econômicas”, afirmou. Para ele, Niterói, São Gonçalo, Angra dos Reis e a cidade do Rio têm condições de voltar a ter uma indústria naval forte.
Reindustrialização – Benedita defendeu que a retomada estadual esteja integrada ao projeto nacional de reindustrialização do presidente Lula. A candidata lembrou sua proximidade com o setor e afirmou que o governo federal reunirá ainda mais esforços para tratar a indústria naval como estratégia de desenvolvimento e de soberania do país. “Nós não precisamos buscar de nenhum país estrangeiro trabalhadores para vir para os nossos estaleiros, porque nós temos brasileiros e brasileiras que dão conta”, afirmou Benedita, destacando a qualificação da mão de obra brasileira.
Para ela, a reconstrução do setor depende de uma aliança entre Lula, Eduardo Paes e a bancada que pretende eleger para o Senado. Benedita afirmou que ela e Pedro Paulo terão como uma de suas funções atuar em Brasília para garantir os recursos necessários aos projetos do futuro governo estadual. “Ele vai precisar muito de mim e do Pedro Paulo como representantes do estado do Rio de Janeiro para discutir e debater os orçamentos que deverão chegar ao estado para dar concretude às políticas públicas que já estão na cabeça de Eduardo Paes”, disse.
Paes, por sua vez, afirmou que pretende usar sua relação política com Lula para ampliar os investimentos federais no Rio. Segundo o candidato, a indústria naval deve ser tratada como um setor estratégico não apenas para a economia, mas também para a soberania nacional.
Ele citou os Estados Unidos como exemplo, lembrando que o país voltou a incentivar sua indústria naval depois de reduzir a produção doméstica e passar a depender de embarcações construídas no exterior. “Se até os mais neoliberais dos americanos, se até aqueles que supostamente pregam o livre mercado fazem isso em relação ao setor naval, isso mostra a importância desse setor para a soberania brasileira”, afirmou.