“O Brasil não é quintal de ninguém”, afirma Benedita da Silva
Candidata ao Senado pelo PT, a deputada federal Benedita da Silva afirma que a esquerda precisa ampliar bancadas no Congresso, combater a violência e impedir que o Brasil seja tratado como “quintal” de outros países. Ela defendeu a unidade dos partidos de esquerda, dos movimentos sociais e da militância em torno da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para ela, o momento exige mobilização nas ruas para ampliar as bancadas progressistas no Senado Federal e na Câmara dos Deputados. “Estamos todos e todas na rua porque hoje marca para nós uma virada”, afirmou, ao convocar a militância para intensificar a campanha eleitoral e trabalhar pela ampliação da representação da esquerda no Congresso Nacional.
Benedita também destacou a necessidade de uma nova política nacional de segurança pública, com integração entre União, estados e municípios. Segundo ela, o modelo atual precisa ser atualizado diante do avanço das milícias, das facções criminosas e do chamado comércio paralelo em diferentes territórios.
A candidata afirmou que a proposta defendida pelo presidente Lula busca integrar os três níveis de governo na formulação e execução das políticas de segurança. “Precisamos de segurança, mas uma segurança qualificada”, disse. Benedita ressaltou ainda que a política de combate à criminalidade deve priorizar a prisão de quem comete crimes, e não a execução de pessoas, lembrando que o Brasil não adota pena de morte.
A violência contra as mulheres também foi destacada no discurso. Benedita citou os casos de feminicídio e afirmou que o enfrentamento à violência de gênero precisa estar entre as prioridades do poder público. Ela também defendeu investimentos federais para combater a violência contra as mulheres e ressaltou a importância de políticas públicas articuladas entre diferentes esferas de governo.
Outro ponto central da fala foi a defesa da soberania brasileira e do controle nacional sobre recursos estratégicos. A candidata criticou qualquer tentativa de subordinação do país a interesses estrangeiros e afirmou que o Brasil tem capacidade tecnológica e mão de obra qualificada para desenvolver suas próprias riquezas.
Ao mencionar as terras raras, minerais considerados estratégicos para a indústria tecnológica, defendeu que o país aproveite seus recursos naturais para gerar desenvolvimento e reduzir custos de produtos tecnológicos. “Não somos quintais dos Estados Unidos. Brasil brasileiro tem competência”, afirmou.
Para Benedita, o debate sobre as terras raras está diretamente relacionado à soberania nacional e à capacidade do Brasil de produzir tecnologia e agregar valor às próprias riquezas.
Durante o ato, Benedita convocou a militância a ampliar a presença nas ruas e a transformar o período eleitoral em uma grande mobilização em favor de Lula e dos candidatos dos partidos aliados. Ela defendeu a unidade entre diferentes legendas e citou a presença de partidos e movimentos sociais no ato, destacando que a união do campo progressista será fundamental para o resultado das eleições.
A candidata também pediu que a militância combata a disseminação de notícias falsas por meio do diálogo direto com a população. “Vocês vão conversar com cada um e cada uma de verdade”, afirmou.
Benedita encerrou o discurso defendendo maior participação de mulheres, negros e negras e jovens nos espaços de poder. Ao responder às críticas de que deveria abrir espaço para uma geração mais nova, afirmou que sua trajetória política foi marcada justamente pela convivência e pelo aprendizado com diferentes gerações. “Eu não tenho nada contra a idade, porque o que fiz em toda a minha vida foi acumular juventude”, declarou.
A senadora afirmou ainda que pretende continuar contribuindo para a política brasileira e destacou a importância da juventude na construção de novas formas de mobilização social. “Eu quero ver as mulheres no poder. Eu quero ver os negros e negras no poder”, disse.