● Elizeu Pires

A chamada “Tropa do Bacellar”, da qual o deputado Thiago Rangel – preso ontem (5) pela Polícia Federal – é membro, ao que parece, não estaria tão preocupada assim com a situação dele, pelo menos até ao ponto de fazer de tudo para derrubar logo o decreto de prisão via ato legislativo aprovado em plenário. A preocupação seria com eles mesmos, por conta da relação que mantinham com o “ex-líder maior”, Rodrigo Bacellar.
Os membros da Alerj precisam decidir se manterá ou não a prisão de Rangel, mas, pelo menos até o fim do expediente de ontem não demonstraram urgência em fazer isso, como aconteceu em dezembro do ano passado, quando o então todo-poderoso Bacellar foi preso pela PF.
Na avaliação de alguns analistas, os parlamentares enfrentam pelo menos duas dificuldades: o risco eleitoral e a preocupação com o péssimo momento político que o estado está vivendo desde a renúncia do governador Claudio Castro, que fez o cálculo errado: apostou que seu grupo ficaria no poder pelo menos até as eleições de outubro, com gestão interina do presidente da Alerj, e depois com um eleito pela Casa para um mandato-tampão.
Como deu tudo errado e a turma do PL e os demais aliados está perdendo todo o espaço que tinham no governo, alguns deputados, na visão desses mesmos analistas, deverão optar por deixarem o barco correr ao sabor das marés, para que as coisas não se compliquem ainda mais.
“Tem ministros no STF entendendo ser arriscado acontecer uma eleição indireta, exatamente por conta do suposto envolvimento de deputados com o crime. A prisão de mais um parlamentar só faz ampliar esse entendimento. Arrisco a dizer, hoje, que não haverá eleição para um mandato tempão e que o estado continuará sob a gestão interina do desembargador Ricardo Couto que, ao meu ver, está fazendo um bom trabalho de limpeza”, afirma um mais atento.
*O espaço está aberto para manifestação da Assembleia Legislativa
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