Professores de Belford Roxo podem decretar greve

Falta de diálogo e aparente desinteresse do governo revolta a categoria

Ignorados pelo prefeito Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho (foto), que apesar de ter encontrado nas contas da Prefeitura dinheiro do Fundeb suficiente para pagar pelo menos um mês de salário e não o fez, os professores da rede municipal de ensino de Belford Roxo não pretendem retornar às salas de aula sem a garantia de que receberão os vencimentos de novembro, dezembro e o décimo terceiro, mesmo que em parcelas. A categoria se queixa da falta de diálogo por parte do novo governo, que em vez de apagar o incêndio provocado pelo calote dado pelo ex-prefeito Dennis Dauttmam prefere jogar mais combustível no fogo, afirmando que o antecessor não pagou porque não quis, verdade que se aplica também ao sucessor, pois os recursos repassados em dezembro pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação ficaram no caixa, um total de exatos R$ 12.023.848,59, R$ 542.556,71 creditados no último dia útil do ano, acrescidos de mais R$ 2.882.368,59 repassados entre os dias 2 e 13 de janeiro.

Janeiro de perdas com o Fundeb na Baixada

Região registra até agora R$ 4 milhões a menos que no mesmo período em 2016

Do dia 1º de janeiro até ontem os 13 municípios que formam a Baixada Fluminense receberam R$ 25.842,075,27 em repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação. Em comparação com igual período no ano passado - quando os créditos somaram R$ 29.966,397,04 - registra-se uma perda de R$ 4 milhões, mas apesar da queda acentuada, não se pode dizer que os vencimentos dos professores estejam ameaçados, pois novos repasses ainda serão feitos até o final do mês. Em Mesquita, por exemplo, o prefeito Jorge Miranda afirma que o Fundeb é suficiente para cobrir a folha da Educação e que o mês de janeiro não será pago com atraso a nenhuma categoria do funcionalismo municipal.

Cooperativa não vai mais atuar em Mesquita

Coopsege recebeu mais de 200 milhões e mesmo assim saiu devendo aos trabalhadores 

Amparada por uma decisão sui generis do Supremo Tribunal Federal, a Cooperativa de Profissionais de Serviços Gerais (Coopsege) atuou livremente em Mesquita nos últimos quatros e faturou mais de R$ 200 milhões dos cofres da municipalidade, fornecendo funcionários terceirizados que custavam ao município muito mais do que efetivamente recebiam no fim do mês, por conta de uma taxa de administração de 40% do valor do contrato. Só em 2016 a instituição recebeu mais de R$ 70 milhões, mas seus contratados reclamam da falta de salário e do não pagamento de direitos trabalhistas. A Coopsege, afirma o prefeito Jorge Miranda (foto), não vai mais ter contrato com o município.

Quem fornece as notas, prefeito?

A "nota" da suposta maior fornecedora individual para a Prefeitura de Silva Jardim não tem valor fiscal Farmácia que teria fornecido remédios comprados de outra pela Prefeitura de Silva Jardim tem CNPJ diferente e não fornece nota a cliente

Quem for à Drogaria Kanaã - nome fantasia da Drogaria F.P. Itaocara -, no centro de Silva Jardim, fizer uma compra e pedir o cupom fiscal vai ouvir do responsável que o computador-caixa está sem impressora. Se insistir vai levar para casa um papel sem validade alguma, com os nomes dos produtos adquiridos e os valores pagos, omitindo o número do CNPJ. A pequena loja do nanico município fluminense é citada como fornecedora de medicamentos para a Secretaria de Saúde, mas os pagamentos estão registrados em nome de outra empresa, a Farmácia Amaral de Itaocara, localizada a 240 quilômetros. Pelo que foi apurado até agora, a segunda empresa faturou mais de R$ 3,7 milhões na primeira gestão do prefeito Anderson Alexandre (foto), reeleito em outubro do ano passado e é a maior fornecedora individual de remédios para a Prefeitura, mesmo não sendo um atacadista do ramo, pois a atividade econômica registrada junto à Receita Federal é o “comércio varejista de produtos farmacêuticos, sem manipulação de fórmulas”. Embora o “Itaocara” esteja presente na razão social das duas empresas, os números no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica são diferentes, o que exige pelo menos uma explicação do prefeito, sobre quem realmente está fornecendo e porque a Secretaria de Saúde está comprando de um varejista se poderia pagar bem menos nas distribuidoras que operam no atacado.

Salário dos servidores de Guapimirim saiu hoje

Funcionários efetivos ficaram no “ora veja” em dezembro

Foi pago nesta sexta-feira, décimo dia útil do mês, o salário de dezembro dos servidores efetivos do município de Guapimirim. Os 1.040 funcionários concursados haviam ficado de fora da folha enviada ao banco na última semana da gestão do prefeito Marcos Aurélio Dias, que optou por pagar aos ocupantes de cargos comissionados, a si próprio e ao ex-vice-prefeito, além de quitar faturas de alguns fornecedores e prestadores de serviços, escolhendo empresas mais chegadas ao governo. Para o prefeito Jocelito Pereira de Oliveira, o Zelito Tringuelê (foto), não se pode sacrificar a categoria.  “Não se pode brincar com a vida dos servidores. Conversei com muitos deles e sei o quanto isso mexe, inclusive, com a motivação dos nossos funcionários. Vamos fazer de tudo para pagar os funcionários em dia. Assumimos uma Prefeitura com muitos problemas estruturais e financeiros. Neste momento, estamos arrumando a casa e reorganizando as contas. São grandes os desafios, mas juntos vamos superá-las”, disse.

Abandono geral e irrestrito em Rio das Ostras

O Parque da Cidade está praticamente destruído e o descaso não poupou nem os pontos turísticos A cidade foi atingida por um fuçarão chamado má gestão

A situação encontrada no município de Rio das Ostras pelo novo governo mostra muito bem que dinheiro não é tudo numa administração. A gestão anterior que teve R$ 2,6 bilhões para administrar uma cidade considerada pequena perto de municípios como São Gonçalo, Nova Iguaçu e Duque de Caxias, onde, proporcionalmente falando, os recursos financeiros são bem menores diante de universos populacionais de mais de um milhão de habitantes, nada acrescentou e ainda deixou deteriorar o que já existia. A má administração afetou todos os setores e feriu gravemente a rede de Saúde. O Centro de Reabilitação (foto), por exemplo, está em estado precário por conta da falta de manutenção.

Guapimirim só atrasa salário da Educação se quiser

Jocelito Pereira anunciou o decreto de calamidade financeira em reunião com os secretários (Foto:Divulgação/PMG) Saldo de dezembro e mais repasse de janeiro cobrem dois meses

A Prefeitura de Guapimirim só não pagará em dia os professores da rede municipal de ensino se não quiser. Dados aos quais o elizeupires.com teve acesso mostram que teria ficado um saldo de pouco mais de R$ 3 milhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação referente aos repasses creditados durante o exercício de 2016, que passaram de R$ 25 milhões, sem contar uma sobra de R$ 1.622.641,52 de 2015 acrescida à receita do ano passado. O prefeito Jocelito Pereira de Oliveira, o Zelito Tringuelê (PDT) anunciou para os próximos dias a quitação do mês de dezembro para toda a categoria, mas, apesar da crise financeira ele não deverá ter problemas com os vencimentos dentro de sua gestão, pelo menos em relação aos servidores da Educação, que contam com recursos específicos para este fim, os créditos do Fundeb.

Dinheiro jogado no lixo em Rio das Ostras

O teto do pronto socorro municipal foi deixado nesta situação pela administração anterior Gestão anterior deixou estragar R$ 5 milhões em remédios, equipamentos e insumos

Bonito por fora, horrível por dentro. Está é a realidade do Hospital Municipal de Rio das Ostras, onde faltou de tudo até agora. Inclusive responsabilidade com a coisa pública, o que pode ser constatado na quantidade de material que terá de ser jogado fora, isto sem falar no grande volume de medicamentos com data de validade vencida encontrado na Secretaria de Saúde. A nova gestão encontrou camas hospitalares sem colchão e danificadas, mesas cirúrgicas abandonadas, tomógrafo, endoscópio e videolaparoscópio quebrados, sistema de refrigeração e réguas de oxigênio sem manutenção e falta de insumos em geral. Também foram encontradas 70 caixas lacradas de filmes de mamografias vencidos, material odontológico, 30 bobinas de papel para esterilização e 100 galões de 20 litros de revelador e fixador vencidos, um prejuízo de R$ 5 milhões segundo avalia o secretário Marcelino Dias Borba.

Saquarema tem dois “caciques”

Marido da prefeita estaria despachando mesmo sem ser secretário

Barrado no baile eleitoral pela Lei da Ficha Limpa, o ex-prefeito Antonio Peres Alves (foto), ficou de fora da disputa, mas não do poder. Embora não esteja nomeado para o secretariado ele tem sido visto na sede da Prefeitura de Saquarema, despachando e se reunindo com políticos e empresários. Peres é marido da prefeita Manoela Ramos de Souza Gomes Alves, lançada candidata em substituição a ele, que teve o registro impugnado pela Justiça Eleitoral. De acordo com informações de servidores, Peres tem comparecido com freqüência à sede do governo e até comandado reuniões. Segundo alguns vereadores, o município tem agora dois governantes. “Um de direito e outro de fato”, emendam.