Sem marca própria e grandes realizações, prefeito de Nova Iguaçu se arrisca fortalecendo deputado que já se mostra como adversário em 2028
● Elizeu Pires
Com um orçamento de 2,8 bilhões para o exercício de 2027, o prefeito de Nova Iguaçu, vai começar o terceiro ano de seu mandato, ao que tudo indica, do mesmo jeito que está encerrando o atual: mal avaliado e sem uma identidade própria, embora conte com um contrato de publicidade no valor global de R$ 10 milhões e já tenha gasto este ano mais de R$ 3,5 milhões em propaganda.

Eleito logo no primeiro turno em 2024 – graças às movimentações políticas resultantes do envolvimento direto do ex-prefeito Rogério Lisboa e do deputado federal Dr. Luizinho (mais votado no estado nas eleições deste ano) – Dudu Reina, nas avaliações de hoje, não teria a menor condição de disputar a reeleição em 2028, isto por não ter imprimido uma marca própria, pela falta de grandes realizações, mas ainda há tempo de tornar-se um nome viável. Porém, há um grande problema: está alimentando com centenas de cargos no governo e uma secretaria quem praticamente já está com o bloco nas ruas com vistas à disputa pela Prefeitura, o deputado estadual reeleito Filipinho Ravis.
Isolamento – Blindado por assessores que nesses quase dois anos de mandato o afastaram de muitos daqueles que carregaram o piano na campanha de 2024, Dudu ouve apenas uns três ou quatro que parecem mais preocupados consigo mesmos do que com quem lhes emprega.
Deixou de falar com muitos dos que o ajudaram a chegar aonde chegou, mas mantém fortalecido quem joga o tempo todo contra ele.
Embalado, Ravis comporta-se como se estivesse sempre em campanha, e faz isto montado na máquina administrativa municipal, já que os muitos cargos que tinha em órgãos estaduais lhes foram tirados pelo governador em exercício Ricardo Couto.
Se Reina vai começar 2027 na mesma condição de hoje, o deputado não. Este já está comemorando a retomada dos cargos no governo do estado e com apoio do governador eleito Douglas Ruas, a quem até já teria prometido mudar de partido.
Na visão de alguns observadores mais atentos, Ravis só deixaria de ser um candidato competitivo em 2028 se tropeçasse em algumas das muitas pedras jurídicas que estariam no caminho dele.
*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria