● Elizeu Pires

Então funcionário comissionado da Fundação Leão XIII, Alan Linhares, foi uma das muitas pessoas atingidas por uma enchente no município de Miracema, no Noroeste Fluminense em fevereiro de 2022. Além de perder móveis e eletrodomésticos ele ficou sem emprego. Foi exonerado após ter veiculado um vídeo no qual criticava o governo municipal, que não havia providenciado o desassoreamento de um rio que corta bairros da cidade.
No vídeo Alan apontava Clovinho, péssimo como administrador “é péssimo” e dizia que o governante deveria ter vergonha de estar sentado na cadeira de prefeito. “Hoje o senhor é um dos maiores culpados de centenas de pessoas terem perdido seus móveis, seus animais”, afirmou ele na gravação.
Agora, passado cerca de quatro anos, o assunto enchente volta ao noticiário, não por conta da demissão de uma das vítimas da inundação, por causa de uma ação judicial.
É que a 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva (Núcleo Santo Antônio de Pádua) ajuizou esta semana uma ação por improbidade administrativa na qual o ex-prefeito e a ex-secretária municipal de Saúde Vanessa Gutterres Silva, são denunciados “por desvio e aplicação irregular de recursos públicos destinados ao enfrentamento dos danos causados pelas enchentes de fevereiro de 2022”.
Segundo cita o Ministério Público, o governo estado repassou mais de R$ 8 milhões à Secretaria Municipal de Saúde para a recuperar unidades que teriam sido atingidas e cobrir os prejuízos causados pelas chuvas.
De acordo com a denúncia os teriam sido superdimensionados, e parte dos recursos foi utilizada sem a devida comprovação ou fora da finalidade prevista. “Não há dúvida, com base em todo o material probatório angariado e descrito anteriormente, de que os réus, agentes públicos, causaram prejuízo ao erário e violaram princípios da Administração Pública”, diz um trecho da representação feita pelo MP.
*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria
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