Nem o Castramóvel escapa: PF apura indício de fraude em contratos de R$ 200 milhões

Empresa contratada pela Secretaria de Agricultura do estado do Rio de Janeito foi criada três meses antes e tem entre os sócios ex-diretor do órgão contratante

● Elizeu Pires

De acordo com seu cadastro junto à Receita Federal, a Consuvet Soluções em Saúde Animal foi aberta em 9 de julho de 2021, tendo em seu quadro societário Antonio Emílio dos Santos. Até aí nada demais. O problema é que antes de abrir a empresa ele ocupava o cargo de diretor-geral de administração e finanças da Secretaria de Agricultura do estado do Rio de Janeiro, que, três meses depois, passava a ser a única e melhor cliente da Consuvet, que ganhou suspeitíssimos contratos que somam cerca de R$ 200 milhões e agora estão sendo investigados pela Polícia Federal.

No âmbito das investigações a PF realizou ontem (12) a “Operação Castratio”, cumprindo 12 mandados de busca e apreensão em endereços do Rio, Itaocara, Macaé, Niterói e nos municípios paulistas de São Roque e Mairinque. Entre os alvo está o um ex-secretário da Pasta, o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB), cujo patrimônio, segundo a Polícia Federal apurou, teve um aumento de 665% no período em que os contratos foram assinados.

De acordo com a representação da PF enviada ao Supremo Tribunal Federal, o deputado “tinha plena ciência das irregularidades e teria contribuído de forma ativa para que o esquema continuasse acontecendo”. O documento relata ainda que Marcelo teria aderido à causa animal por causa “desses contratos fraudados, gerando votos e prestígio”.

Quando foi registrada para prestar os serviços de castração de animais a empresa declarou capital social de apenas R$ 20 mile mesmo assim ganhou um contrato de R$ 8,3 milhões. Hoje o capital é de R$ 2 milhões e a Consuvet consta como sediada no bairro Marilea, em Rio das Ostras.

*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria

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