Devassa no Detran e Detro seria uma boa pedida, sugerem nos ambientes de poder

● Elizeu Pires

Apontados como grandes cabides de emprego no governo fluminense, o Detran e o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro), que por finalidade principal deveria fiscalizar as empresas de ônibus que operam as linhas municipais, tiveram mudanças recentes em seus comandos.

No Detran, por exemplo, só em uma vice-presidência foram exonerados mais de 30 nos últimos, deixando muita gente de sobrenome idêntico desempregada. Isso porém, na visão de quem conhece como vinha funcionando a máquina do governo fluminense nos últimos anos, é muito pouco e a limpeza teria de ser geral. “É preciso fazer uma verdadeira devassa”, sugere alguém do meio.

Os postos do Detran e as Ciretrans sempre foram alvos da cobiça dos deputados, mas isso teria aumentado e muito desde que o agora ex-governador Claudio Castro passou a dividir o poder com o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, e no Detro, a situação não seria muito diferente.

A falta de transparência nos gastos desses órgãos – principalmente nas contratações de prestação de serviços – nunca foi questionada pelos órgãos fiscalizadores, que deixaram passar batido os contratos sem licitações, que só começaram a mostrar serviços depois que o governador em exercício Ricardo Couto iniciou a reestruturação.

O Tribunal de Contas do Estado, por exemplo, mostrou serviço no dia 8 de maio, quando decidiu barrar um processo licitatório de R$ 31,7 milhões, aberto para locação e instalação de um sistema de fiscalização e monitoramento da frota de ônibus intermunicipais. Nesse processo o conselheiro Marcelo Verdini atendeu o solicitado pela Secretaria-Geral de Controle Externo, que havia identificado falhas no edital que poderiam restringir a competitividade e gerar prejuízos aos cofres públicos.

*O espaço está aberto para manifestação dos órgãos citados na matéria