Faltou combinar com o Judiciário

● Elizeu Pires

O plano era bom para o grupo, mas deu ruim para os gênios do PL, que pretendiam continuar mandando no estado mesmo após a renúncia do governador Claudio Castro, que, na última quinta-feira (28), jogou de vez a toalha, desistindo de uma candidatura ao Senado.

Mas não é só isso. A semana que passou não foi apenas a da desistência de Castro. Foi também a do “fica” para o governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, pois foi negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido para que o presidente da Alerj, Douglas Ruas, assumisse o governo.

A decisão do ministro Luiz Fux fez muito mais do que estragar o plano do PL para o Rio de Janeiro. Fez água no barquinho de Ruas, que está tocando uma pré-campanha devagar, quase parando, e o sonho de vê-lo sucedendo Castro, via eleição indireta ou como interino, devido à sua condição de presidente do Legislativo, virou pesadelo.

Daí que não será surpresa alguma se Douglas também jogar a toalha, optando por renovar o mandato parlamentar, em vez de continuar remando na canoa furada em que se tornou sua candidatura a governador, que só seria viável se ele já estivesse instalado no Palácio Guanabara, como foi planejado por Castro, Flávio Bolsonaro, Altineu Cortes e companhia.

Os verdadeiros amigos de Douglas Ruas o querem candidato a deputado, pois entendem que uma candidatura a governador, nas atuais circunstâncias, só serviria para garantir, no estado, um palanque para Flávio Bolsonaro, que também não está em condições muito favoráveis.

O fato é que a renúncia de Claudio Castro ao cargo de governador não teve o resultado esperado pela turma do PL, e quem vai pôr a faixa azul e branca no governador a ser eleito será Ricardo Couto que, diga-se de passagem, está fazendo um bom trabalho, dando conta do recado e passando o estado a limpo.