Política

18/10/2026 - 09:00

E quando chegar a hora de a onça beber água, senhores?

● Elizeu Pires

O resultado do primeiro turno das eleições no estado do Rio de Janeiro foi ruim para muita gente, mas na Baixada Fluminense, quem mais deve estar tendo insônia com os resultados são o prefeito de Nova Iguaçu, Dudu Reina, e seu padrinho político, o ex-prefeito Rogério Lisboa, que viram emergir das urnas um nome que – se não tropeçar nas pedras jurídicas que podem surgir em seu caminho -, poderá vir a atropelá-los nas urnas em 2028. Mas seria esse o inimigo?

Charge

Tem gente que entende, e muito, do riscado, dizendo que não. Observam que não haveria um inimigo, mas sim inimigos, e que esses não estariam no Progressistas, partido ao qual afilhado e padrinho pertencem. Mas muito mais perto do que se imagina, no segundo andar do Palácio das Almas, nome dado à sede da administração municipal, por essa ser vizinha ao cemitério central da cidade.

Um alerta – “Quando o prefeito acordar poderá ser muito tarde”. Isso tem se ouvido com frequência em ambientes políticos do município, onde ainda circula gente que acredita da gestão de Dudu Reina, que, ao que parece, seria o último a falar e, quando o deixam fazer, seria sob influência do limitado grupo que o cerca e o blinda contra quem lhe pode abrir os olhos.

“É tanta gente mandando que não se sabe quem é quem. É por isso que somente algumas secretarias funcionam de verdade”, diz um por enquanto aliado, irritado com o que já foi batizado de “Operação Queima Amigos do Governo”, que estaria sendo posta em prática por lá.

No entender de gente do seu próprio círculo, o prefeito deveria ficar mais atento ao setor de licitação, prestar a devida atenção nos contratos maiores de secretarias como as de Educação, Serviços Delegados, Infraestrutura e da Companhia de Desenvolvimento de Nova Iguaçu (Codeni). Porém, o que tem preocupado muito os verdadeiros aliados de Dudu seria a presença de um cidadão, que se faria constante sempre que um volumoso edital de licitação esta para ser divulgado ou uma ata de registro de preços estiver prestes a ser aderida.

Batizado de Mister F, o dito cujo seria uma espécie de sombra sobre a sede do governo, com tamanho suficiente para cobrir todo o prédio.

O fato é que alguns “leais” do segundo andar contribuíram para que muitos dos que eram úteis ao prefeito fossem tirados de perto, e os que já se foram não mostram nenhum interesse numa reaproximação, e já até tiraram o nome do prefeito da lista de contatos de seus celulares, mas ainda tem gente boa sendo limada pela turma da blindagem.

O que se indaga hoje é se os “gênios” do segundo andar, os “blindadores” do prefeito e o tal Mister F terão alguma utilidade em 2028, quando chegar de a onça beber água.

Há gente sensata apostando que não.