Justiça pode cassar mandatos em Silva Jardim

E mudar o quadro político na pequena cidade do interior fluminense

A disputa pela Prefeitura de Silva Jardim, pequeno município do interior do estado do Rio de Janeiro pode não ter encerrado para pelo menos seis candidatos declarados eleitos (quatro deles reeleitos) no dia 2 de outubro do ano passado. Pelo menos é disso que trata uma Ação de Impugnação de Mandato Eletivo, que tramita na 63ª Zona Eleitoral, onde também foi proposta uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra o mesmo grupo, buscando a inelegibilidade dos seis. A primeira ação é de efeito imediato e se o juízo decidir pela impugnação os condenados serão tirados dos cargos assim que citados. Podem recorrer a instancia superior, mas terão de fazer isso fora dos mandatos. Os dois processos correm em segredo de Justiça. Dos denunciados dois estão no primeiro mandato, três no segundo e um cumpre o terceiro.

Justiça acaba com a festa de Chiquinho em Araruama

Ex-prefeito está proibido de agir como se fosse o governante da cidade. De agora em diante ele não pode nem mais entrar nos órgãos públicos do município

Desde o dia 1º de janeiro se comportando como se governante fosse, o ex-prefeito de Araruama, Francisco Carlos Fernandes, o Chiquinho da Educação (foto), está proibido de entrar em qualquer órgão da Prefeitura. Decisão nesse sentido foi tomada nesta quarta-feira pelo juiz Maurílio Teixeira de Mello Junior, da 2ª Vara Cível da Comarca local em ação de improbidade administrativa movida contra Chiquinho e a pedetista Lívia Soares Bello da Silva, que venceu a eleição de 2016 usando o nome Lívia de Chiquinho e o slogan “vota nela que ele volta”, em alusão aos dois mandatos de prefeito exercido por seu marido, que só a lançou candidata porque está enquadrado como “ficha suja”, devido a várias condenações na Justiça e a diversas contas de gestão reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado.

Justiça cassa prefeita e vice de Araruama

Se a decisão for mantida por instância superior Lívia e o vice Marcelo Amaral (a esquerda) serão afastados e uma nova eleição ocorrerá sem a participação dos dois. Chiquinho (direita) pegou mais quatro anos de inelegibilidade A decisão foi tomada em processo por abuso de poder econômico. Ainda cabe recurso ao TRE

Em decisão tomada na última quarta-feira (12) e divulgada hoje, o juízo da 92ª Zona Eleitoral cassou o registro de candidatura e os consequentes diplomas da chapa vencedora das eleições de 2016 em Araruama para destituir dos mandatos a prefeita Lívia Soares Bello da Silva, a Lívia de Chiquinho (PDT) e o vice-prefeito Marcelo Amaral Carvalho (PRB), por abuso de poder econômico. Ainda cabe recurso em instância superior e os dois vão aguardar o julgamento nos cargos. A sentença da juíza Alessandra de Souza Araújo atinge ainda o ex-prefeito Francisco Carlos Fernandes Ribeiro, o Chiquinho da Educação, marido de Lívia, que pegou quatro anos de inelegibilidade, pena também imposta a Lívia. Se confirmada a cassação da chapa o Tribunal Regional Eleitoral vai marcar uma eleição suplementar para a escolha do novo governante da cidade.

Ex-prefeito de Queimados estaria de olho no TCE

Max Lemos seria o ungido de Picciani para ocupar um cargo de conselheiro

O “defunto” ainda nem esfriou e os detentores do poder no estado do Rio de Janeiro já começaram a se movimentar para colocar apadrinhados nas seis vagas que, esperam, deverão ficar abertas no Tribunal de Contas. Por enquanto auditores suprem as ausências dos conselheiros Aloysio Neves, Domingos Brazão, José Gomes Graciosa, Marco Antônio Alencar, Jonas Lopes de Carvalho Junior e José Maurício Nolasco, afastados dos cargos por 180 dias pelo Superior Tribunal de Justiça. Porém, a aposta é que nenhum deles retornará mais às funções e a partir disso já começaram as articulações, com pelo menos dois nomes sendo aventados na Assembleia Legislativa: o ex-prefeito de Queimados Max Lemos e o deputado estadual Paulo Melo, que desde 2014 vem sonhando com isso. Max, seria o escolhido do presidente da Casa, Jorge Picciani, um dos citados na delação premiada de Jonas Lopes e Paulo Melo é candidato de si mesmo, não tendo o aval da mesa diretora da Alerj nem do governador Luiz Fernando Pezão, que também já teria o seu ungido. Entretanto, quem teve de alguma forma informações sobre as delações de Jonas Lopes e seu filho, o advogado Jonas Lopes de Carvalho Neto, aconselha os apressadinhos a esperar um pouco mais, pois muita água turva ainda poderá passar por debaixo dessa ponte.

Cozzolino ainda não jogou a toalha

Meta agora seria um mandato federal

As feridas causadas pela derrota acachapante em 2016 - quando as urnas lhes disseram um rotundo não - ainda sangram, mas os membros da família Cozzolino que já estiveram no poder não desistiram de perseguir uma vitória mesmo que indireta e o “troféu” almejado agora seria um mandato de deputado federal. O clã estaria sonhando em mandar para Brasília o deputado estadual Renato Cozzolino Harb (foto), com o ex-vereador de Duque de Caxias, Ricardo Correia de Barros, o Ricardo da Karol, possivelmente tentando, mais uma vez, uma cadeira na Assembleia Legislativa, para depois decidirem o que fazer em relação a 2020, quando, ai sim, estará em jogo o que mais interessaria ao grupo, a Prefeitura de Magé.

Assessores demais, trabalho de menos em Silva Jardim

Se todos aparecerem para trabalhar vai faltar espaço para as sessões da Câmara

Instalada numa pequena parte sede do governo municipal e com um anexo menor ainda, a Câmara de Vereadores de Silva Jardim - minúscula cidade do interior do estado do Rio de Janeiro - tem nove membros e dezenas de assessores. Pelo menos 42 nomeações foram assinadas recentemente pelo presidente da Casa, o vereador Roni Luiz Pereira, o Roni da Alexandre, o mesmo que mandou às favas um concurso público aberto no ano passado, depois de a instituição contratada para aplicar as provas ter arrecadado cerca de R$ 700 mil com a cobrança de taxas de inscrição. O certame seria para preencher 18 vagas de provimento efetivo, 24 a menos que o número de nomeados em cargos de confiança, que, em alguns casos, vão receber gratificações que podem chegar a 90% do salário fixado para a função. Com o espaço físico exíguo resta saber onde os 42 nomeados vão trabalhar, pergunta que o presidente e os demais membros da Casa se negam responder.

Tubarão quer representação garantida para Magé

Quem for apoiado para deputado em 2018 não será indicado à sucessão em 2020

Suplente em exercício de um mandato de deputado federal, José Augusto Nalim (PMDB) tem toda a simpatia e a gratidão do prefeito Rafael Santos de Souza, o Rafael Tubarão (foto) - que nas eleições de 2016 disse exatamente a que veio, somando 81.601 votos -, pelo envolvimento total na última campanha eleitoral, mas não terá, em 2020, o apoio do prefeito, que prefere vê-lo na defesa dos interesses do município em Brasília. O mesmo vale para o nome que for escolhido para concorrer a deputado estadual em 2018, pois o pensamento é o de que Magé não pode ficar sem representatividade nas esferas federal e estadual. Para Rafael, quem contar com o seu apoio nas eleições do próximo ano vai ter que assumir o compromisso de levar o mandato até o fim, para que, afirma, “a população possa ter parlamentares realmente voltados para as causas locais”.

PDT bate a porta na cara de Garotinho

Partido barra entrada do político que sonhava disputar o governo do estado pela legenda

Se quiser mesmo disputar o governo do estado do Rio ou qualquer outro mandato eletivo em 2018 o Antonhy Garotinho (foto) vai ter de procurar outra legenda. Atualmente no PR, partido onde está cada vez mais sem espaço, o político tentou transferir-se para o Partido Democrático Trabalhista - onde já esteve e pelo qual já exerceu mandatos de deputado estadual e de prefeito (de Campos, Norte Fluminense), ele foi recusado pelo comando do diretório estadual, que não o quer de volta. O PDT está de namoro com o ex-prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, que poderá ser o candidato da legenda ao Palácio Guanabara.

Prefeito de Belford Roxo vai responder por improbidade

Waguinho demoliu creche e criou situação de emergência para alugar um prédio de sua igreja 

A Creche Geraldo Dias Fontes demolida às pressas na noite de quarta-feira (8), mesmo com uma decisão liminar mandando a Prefeitura se abster da destruição do prédio, estava em condições de funcionamento e dependia apenas de pequenos reparos. A informação é de funcionários que na última segunda-feira foram surpreendidos por operários, tratores e pela ordem do prefeito Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho (foto), que, diante da reação de moradores, para não perder a viagem, mandou que derrubassem o posto de saúde que funcionava próximo. A prova de que não havia necessidade de demolir a creche está nas palavras do secretário de Educação Dennis Macedo. Ele afirmou que o prédio seria derrubado porque teria sido transformado em ponto de prostituição e criadouro de mosquitos, mas como mentira dura pouco, ontem ficou claro o objetivo do prefeito: criar uma situação de emergência para alugar por R$ 18 mil mensais um prédio da Igreja Nova Vida, seita da qual ele e a esposa são membros.

Oposição aposta em eleição suplementar em Caxias

Pedido de cassação do prefeito despertou até quem já tinha negociado com o governo

Desde que assumiu a Prefeitura de Duque de Caxias que o prefeito Washington Reis (foto) vem trabalhando para enfraquecer os grupos de oposição e até já conseguiu desmontar alguns deles oferecendo cargos no governo. Porém, um pedido de cassação do mandato dele e do vice-prefeito, Marcos Pessanha, protocolado esta semana pela Procuradoria Regional Eleitoral no Rio, os olhos dos opositores se abriram para a possibilidade de vir ocorrer uma nova eleição no município de maior receita na Baixada Fluminense. Ação da PRE tem por base uma condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal em processo no qual Washington foi denunciado por prática de crime ambiental.