Queimados tem dois caciques na mesma tribo

Ex-prefeito ganha cargo para validar as ordens que já vinha dando no governo

Secretário de Fazenda na gestão anterior, o prefeito Carlos Vilela não nomeou um secretário sequer sem o aval de seu antecessor, o ex-prefeito Max Lemos (foto), apontado desde a posse de Vilela como o prefeito de fato, o homem que tem a caneta mais carregada de tinta e que dá as ordens na administração municipal. Agora, dois meses após ser investido no mandato, Carlos oficiou o que todos na Prefeitura já sabia: nomeou Max para o cargo de secretário de Governo, conferindo a ele amplos poderes. Tão logo a nomeação foi divulgada, Lemos foi para as redes sociais dizer que relutou um pouco para aceitar de início o cargo, como se ninguém soubesse que ele nunca deixou de ser prefeito de Queimados, passando apenas da condição de prefeito de direito para a de prefeito de fato.

Vereadores de Itatiaia também gostam de um passeio

Os “representantes” do povo estiveram em seminário em João Pessoa

Além de um bom salário no fim do mês, dois períodos de férias por ano e pagamento de diárias para custear despesas fora da cidade quando se deslocam supostamente em missões especiais, um mandato de vereador pode garantir um passeiozinho de vez em quando, preferencialmente para cidades do Norte e Nordeste, porque, afinal ninguém é de ferro. Foi isso que os vereadores de Itatiaia, pequeno município do Sul Fluminense, fizeram na semana passada, quando embarcaram para João Pessoa, com a alegação de que participariam de um seminário. Comandada pelo vereador Vander Leite Gomes (foto), o Poder Legislativo de Itatiaia não é diferente da maioria das Câmaras: o Portal da Transparência, cuja manutenção custa R$ 3.500 por mês, não revela os gastos com os noves vereadores nem os salários dos assessores.

‘Avião da Alegria’ de N. Iguaçu teria novo vôo marcado para terça-feira

O vereador Rogério Teixeira Junior, o Juninho do Pneu, está no segundo mandato e preside a Câmara de Nova Iguaçu (Foto:Divulgação/CMNI) Doze vereadores de Nova Iguaçu já foram passear e outros estariam com passagem comprada. Representação ao Ministério Público deverá ser protocolada na segunda-feira

Varias unidades de saúde estão fechadas porque, segundo o prefeito Rogério Lisboa (PR), está faltando dinheiro. Isto, porém, parece não incomodar em nada aos membros da Câmara de Vereadores, embora a população que eles dizem representar esteja sofrendo as consequências da irresponsabilidade do poder público. O “não estou nem aí” dos "nobres edis" iguaçuanos está explícito numa viagem feita está semana, supostamente para participação em um congresso em João Pessoa, capital do estado da Paraíba, mas há informações de que alguns teriam optado por destino diferente. Agora com mais recurso financeiro em caixa - pois, apesar de o número de cadeiras ter diminuído de 29 para 17 em relação a última legislatura, o repasse continua em cerca de R$ 2 milhões mensais -, o Poder Legislativo de Nova Iguaçu não toma conhecimento da crise e uma fonte ligada à Casa informou agora a pouco ao elizeupires.com que outro grupo já estaria com passagem marcada para terça-feira e com lugar garantido no “avião da alegria”, pilotado por Rogério Teixeira Junior, o Juninho do Pneu, presidente da Câmara.

‘Homem forte’ de Nova Iguaçu tropeça no poder

Secretário ligado a Garotinho pega o boné e vai embora

Quando retornarem do passeio para o qual embarcaram com dinheiro do povo, os dez vereadores do grupo de sustentação do prefeito Rogério Lisboa (PR) na Câmara de Nova Iguaçu vão ter que passar a se entenderem com o vice-prefeito Carlos Ferreira, que teria sido atropelado na função de articulador junto ao Legislativo, pelo secretário de Governo Cleiton de Souza Rodrigues, que desembarcou, “a pedido”, do barco do poder. De acordo com uma fonte ligada ao gabinete do prefeito, Cleiton parecia meio assustado nos últimos dias, estaria sem clima no ambiente de trabalho desde que a matéria “'Homem forte' de N. Iguaçu pego em grampo com Garotinho” foi veiculada - o que aconteceu no dia 19 de janeiro - e acabou saindo. Embora até o carro locado pela Prefeitura que estava à disposição do secretário já tenha devolvido à empresa Bancar, ninguém do primeiro escalão da administração municipal quis comentar o assunto nesta quinta-feira. Ainda segundo a fonte, os supostos superpoderes dado a Cleiton pelo prefeito teriam criado constrangimentos para os demais secretários e até mesmo para Lisboa, que estaria se sentindo mais aliviado agora.

`Beija-mão´ em Parcambi é na Secretaria de Governo

Marido manda mais que a prefeita eleita

A fisioterapeuta Lucimar Cristina da Silva Ferreira (PR) foi a única prefeita eleita na Baixada Fluminense nas últimas eleições e desde o dia 1 de janeiro “comanda”o município de Paracambi. Entretanto, segundo alguns membros do próprios governo, quem está dando as cartas por lá é o marido dela, o médico Flavio Campos Ferreira (foto), que mesmo enquadrado pela Lei da Ficha Limpa e impedido de disputar um cargo eletivo, foi nomeado secretário de Governo e vem atuando como prefeito de fato. O candidato era ele que - esgotados os recursos jurídicos - deixou a vaga majoritária do PR para Lucimar, que hoje, até para dar uma entrevista depende da presença dele. O poder de Flávio é percebido logo nos corredores da Prefeitura, externado pela “fila do beija-mão”. Nelas estão vereadores, colaboradores de campanha à espera de um emprego e fornecedores em potencial, além de credores do município, uma vez que o prefeito Tarciso Pessoa deixou pendências com várias empresas e também com os servidores. 

Lideranças locais dizem que Porto Real tem dois prefeitos

Aliados falam que filho deputado quer mandar mais que o pai prefeito

Eleito para o terceiro mandato com 54,64% dos votos válidos, Jorge Serfiotis (PMDB), é o que a população classificou como o melhor gestor que Porto Real já teve desde que - há 18 anos - deixou de ser apenas um distrito do município de Resende, mas já no primeiro mês de seu novo mandato, lideranças locais (inclusive aliadas do governo) já perceberam que o município tem hoje dois prefeitos, com, segundo afirmam, o deputado federal Alexandre Serfiotis (foto), filho de Jorge, querendo mandar mais do que o pai. De acordo com relatos de descontentes, embora o município tenha um secretário de Saúde (Cyrano Santos), o deputado é que estaria dando as ordens no setor.

Paulo de Frontin tem governo de compadres e de família

Jauldo Neto, pelas nomeações de parentes, está transformando Paulo de Frontin em um feudo Prefeito divide a administração com a “Turma de Meriti” e familiares

Quando, no dia 3 de outubro do ano passado 4.872 eleitores (82,95% dos que compareceram às urnas) saíram de suas casas no pequeno e pacato município de Paulo de Frontin para elegerem o prefeito Jauldo de Souza Balthazar Ferreira (PHS), achavam que estariam escolhendo um gestor público e não um dono para a cidade. Para muitos é nisto que Jauldo Neto - com o político é mais conhecido - se transformou depois de empossado no cargo, fazendo uma gestão de compadrio e abusando da prática de nepotismo. Conforme mostram publicações no diário oficial, Jauldo loteou o governo entre membros da equipe da última gestão em São João de Meriti e membros de sua família. Ele já nomeou a esposa, uma irmã e uma tia, além de sete primos e ainda tem um irmão no controle da Câmara Municipal, o presidente reeleito da Casa, Kaio José Balthazar Ferreira.

“Fichas sujas” no poder na Região dos Lagos

Chiquinho canta de galo em Araruama e Antonio Peres é o bam-bam-bam do município de Saquarema Chiquinho manda em Araruama e Peres dá as cartas em Saquarema

Com condenações pela Justiça e contas de gestão reprovadas, o ex-prefeito de Araruama, Francisco Carlos Fernandes Ribeiro, o Chiquinho da Educação, está inelegível pelo menos até 2021 e - pelo seu enquadramento no que diz a Lei da Ficha Limpa - pode ser chamado de “ficha suja”. Entretanto, mesmo impedido de disputar as eleições do ano passado, ele é apontado como o prefeito de fato da cidade, que, pelo menos no papel, é governada por sua mulher, a prefeita eleita, Lívia Soares Bello da Silva, a Lívia de Chiquinho (PDT). De acordo com servidores lotados na sede da administração municipal, embora não esteja nomeado em nenhum cargo, Chiquinho tem despachado como se governante fosse, dando as ordens quando, pela sua delicada situação jurídica, não deveria passar nem na porta da Prefeitura. A 22,7 quilômetros dali, Saquarema vive o mesmo quadro político, com uma prefeita de direito e um prefeito de fato: Antonio Peres, também inelegível por ser considerado “ficha suja” pela mesma lei que enquadra Chiquinho, foi nomeado secretário de Governo pela esposa, Manoela Ramos de Souza Gomes Alves (PTN).