Itaguaí precisa saber quem deu a última palavra para o aporte de cerca de R$ 60 milhões do fundo de previdência dos servidores no Banco Master
● Elizeu Pires
O valor aportado pode ser considerado, entre os grandes negócios, como “pequeno”, se comparado aos R$ 3 bilhões (dinheiro do fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro e da Cedae) aplicados em papéis sem garantia no Banco Master, mas os então gestores do Instituto de Previdência do Município de Itaguaí (Itaprevi), precisam explicar se receberam ordem de cima quando decidiram investir quase R$ 60 milhões na instituição de Daniel Vorcaro, o maior golpista do país. As aplicações foram feitas em junho e julho de 2024, ano em que o então prefeito Rubem Vieira de Souza, o Rubão, já estava praticamente em campanha para uma reeleição que ele insistiu em disputar ao arrepio da legislação.

A quebra de sigilo das investigações do Caso Banco Master trouxe à tona mensagens trocadas pelos os envolvidos nas operações feitas com dinheiro de servidores com as arapucas de Vorcaro, dando conta de que os gestores dos fundos dependiam de ordem superior, do dono real dos cargos que exerciam, para autorizar os aportes.
Nos documentos liberados até agora pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o Itapreví não é citado, mas é preciso que seja esclarecido se a então presidente da previdência dos servidores de Itaguaí, Fernanda Pereira da Silva Machado, fez os aportes por decisão própria ou só liberou as transações depois de receber “ordem superior”.
Fernanda – que respondia pelo controle interno do RioPrevidência quando cerca de R$ 1 bilhão do fundo dos servidores do estado foram aplicados no Master – foi nomeada para presidir o Itaprevi pelo então prefeito Rubem Vieira de Souza, o Dr. Rubão, dias antes do primeiro aporte ser feito. Ela foi exonerada em janeiro de 2025 pelo prefeito em exercício Haroldo Jesus, mas foi reconduzida ao cargo no dia 18 de julho, assim que Rubão se sentou na cadeira por força de uma liminar do ministro Dias Toffoli, sendo novamente demitida por Haroldo em novembro.
O Itaprevi optou por investir em Letras Financeiras (LS), que não possuem proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O primeiro aporte foi feito em 28 de junho de 2024, com ovalor de R$ 29,6 milhões. Cinco dias depois, em 3 de julho, foram investidos mais R$ 30 milhões.
*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria
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