E a maré parece mesmo contra o PL de Douglas Ruas

● Elizeu Pires

Foto: Alex Ramos/Alerj

O PL sabe que a candidatura de Douglas Ruas ao governo fluminense só ganharia impulso com ele instalado no Palácio, exercendo um mandato-tampão. Tanto que planejou a coisa contando que a manobra surtiria o efeito programado: Claudio Castro renuncia, Douglas é eleito presidente da Alerj, assume o governo interinamente e depois é confirmado no cargo por seus colegas deputados.

Só que deu tudo errado e, ao que tudo indica, essa “falha nossa” não será corrigida a tempo de tornar o sucessor dos sonhos de Castro, Flávio Bolsonaro, Altineu Cortes e companhia, realmente competitivo, e, para piorar para o lado deles, o governador em exercício está fazendo uma limpeza geral, cortando cabeças aos montes, principalmente a dos indicados pelos parlamentares que sustentavam Claudio no poder.

Esta semana o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou o acórdão que confirma que Castro não foi cassado. Só declarado inelegível, e era isso que o Supremo Tribunal Federal (STF) supostamente estava esperando para decidir se a eleição para o mandato-tampão se dará por votação direta ou indireta. No processo suspenso por pedido de vista apresentado pelo ministro Flavio Dino o placar é de 4 x 1 pela votação indireta, com voto aberto, mas quem estiver apostando que o julgamento vá ser retomado nos próximos dias pode estar tão enganado quanto os “gênios” do PL, que acreditavam estar fazendo uma jogada de mestre quando apostaram todas a fichas na posse de Ruas como governador interino assim que ele fosse eleito para presidir a Alerj.

É que o Supremo entra em recesso em julho, com o plenário só voltando a deliberar em agosto, quando todo mundo vai estar ocupado demais com assuntos mais urgentes e não deverá “perder” tempo com o assunto mandato-tampão , o que por lá já é considerado resolvido desde que a Corte decidiu que o desembargador Ricardo Couto ficaria governando até que outra decisão por ela, que parece não ter pressa nenhuma em concluir o julgamento.

Então passa agosto, chega setembro e vem outubro com as eleições gerais. Aí o processo vai ficando na gaveta e o desembargador, cuja gestão vem agradando em muito o povo do Rio de Janeiro, segue trabalhando e guardando a faixa para entregar, em janeiro, ao que sair vitorioso nas urnas.