Os vereadores alegam que a intenção não é atingir o prefeito Antonio Marcos, que não é alvo de nenhuma comissão processante, mas a insatisfação do "representantes do povo" com os cortes feitos pelo governo não é disfarçada nos corredores da Câmara Câmara vota projeto de lei inconstitucional assegurando aos parlamentares poder para condenar sem o direito de defesa a hora que bem entenderem
Enquanto a população mostra compreensão com o governo no topo de uma crise que veio de fora para dentro, gerando cortes em contratos, revisão de projetos e demissão de centenas de ocupantes de cargos comissionados, a maioria dos vereadores de Casimiro de Abreu resolveu deixar claro na noite de hoje que só está feliz nos bons momentos e só olha mesmo para o próprio umbigo. Foi isso que ficou evidenciado durante a sessão dessa terça-feira, quando, liderados pelo presidente da Casa, Alessandro Macabu Araújo, o Pezão (PSC), eles resolveram encostar a faca na garganta do prefeito, aprovando em primeira discussão um projeto de lei que lhes dá poderes de afastar o governante por 180 dias sem qualquer julgamento e sem defesa. De acordo com fontes do próprio Legislativo, a votação foi uma reação contra os cortes, que de alguma forma atingiram interesses pessoais de alguns vereadores. Segundo Pezão a intenção não é afetar o prefeito Antonio Marcos Lemos, que não é alvo de nenhuma comissão processante, mas aprovar um dispositivo que permita que a Casa coloque em votação e aprove com votos de dois terço dos vereadores, o prefeito que estiver sendo alvo de investigação, mesmo sem uma decisão judicial nesse sentido.