TRE desmonta esquema de abuso de poder econômico em Mesquita

Carros alugados pela Prefeitura estariam sendo usados na campanha da mulher do prefeito

Fiscais do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) fizeram hoje em Mesquita uma operação que pode ter desmontado um esquema milionário de campanha eleitoral, possivelmente com o uso da máquina pública de Mesquita, montado para favorecer a primeira-dama do município, candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa pelo PMDB. Os agentes fecharam um galpão da candidata a deputada estadual Daniele Cristina Fontoura, a Daniele Guerreiro, esposa do prefeito Rogelson Sanchez Fontoura, o Gelsinho Guerreiro (PSC).  No local - onde trabalham cerca de 60 pessoas -, foram apreendidos três trios elétricos, duas kombis, centenas de placas com a tiragem adulterada, planilhas de controle de pagamento de cabos eleitorais e motoristas, 17 caixas de fogos de artifício, dez computadores, notas fiscais de combustível e documentação de mais de 100 automóveis alugados, veículos que teriam sido locados pela Prefeitura.

Líder do “Bonde do Jura” pega mais 22 anos de cadeia

Com ramificações inclusive na política, tendo elegido uma vereadora em Nova Iguaçu, a milícia é muito temida na Baixada Fluminense. O próprio comandante do grupo teve mais de nove mil votos em 2008

Condenado em 2010 a quatro anos e oito meses de prisão, pelo crime de associação criminosa armada, o ex-sargento da Polícia Militar Juracy Alves Prudêncio, o Jura, líder da quadrilha de milicianos conhecida como "Bonde do Jura", foi condenado a 22 anos de reclusão pelo crime de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima) cometido contra Paulo Ricardo Soares da Silva, no dia 27 de agosto de 2007, em Nova Iguaçu. Paulo foi executado à luz do dia com diversos disparos de arma de fogo na cabeça, tórax e abdômem. Jura, que segundo o Ministério Público controlava 30 bairros na região de Comendador Soares, entrou para a vida pública em 2004, buscando uma cadeira de vereador em Nova Iguaçu, obtendo apenas 726 votos. Já como “dono” do território, em 2008, teve 9.335 votos. Foi o candidato a vereador mais votado naquele ano, mas não conseguiu a vaga porque seu partido, o PRP, não atingiu o coeficiente eleitoral. Em 2012, da prisão, coordenou a campanha de sua mulher, Giane Silveira Prudência, eleita vereador pelo PMN, com 3.527 votos.

MP quer o fim de loteamento dos postos do Detran

Esquema de corrupção teria sido montado para financiar campanhas de deputados

O Ministério Público quer o governo estadual substituindo os chefes dos postos do Detran indicados por deputados. A finalidade é desmontar um es- quema de corrupção que desde 2007 estaria arre- cadando milhões de reais todos os meses, supos- tamente para financiar as campanhas de parla- mentares da bancada do governo na Assembleia Legislativa. O esquema que - acreditam as autori- dades - pode ter rendido mais de R$ 300 milhões nos últimos seis anos, seria uma rede criminosa que estaria dominando postos da Baixada Fluminense, Zona Oeste do Rio e Região dos Lagos. Desde 2009 já foram desbaratadas várias quadrilhas em diversas unidades, sem, entretanto, desmantelar o esquema. Só do posto de Paracambi, em 2011, foram pressas 22 pessoas. Essa unidade era controlada por Ricardo Loroza Resende, indicado para o cargo pelo deputado estadual André Ceciliano (PT). Um ano depois, em setembro de 2012, 38 pessoas que operavam em Magé, Itaboraí, Niterói, São Gonçalo e Tanguá foram presas numa operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Nessa época o posto de Magé era comandando por um grupo ligado ao deputado Samuel Corrêa da Rocha Junior, o Samuquinha (PR).

Gastos da Câmara de Itaboraí ficam na caixa-preta

Link que de acesso aos gastos com pessoal não abre para informações

Quanto custa ao contribuinte, mensalmente, a folha de pagamentos dos servidores efetivos e comis- sionados da Câmara de Vereadores de Itaboraí, que estaria gastando cerca de R$ 2 milhões mensais? A resposta para essa pergunta deveria estar no site da instituição, mas ao clicar no link específico no portal de transparência da Casa, o interessado vai deparar sempre com uma mensagem de erro, como se esti- vesse ocorrendo uma falha no sistema. Entretanto, revela um servidor efetivo, o erro seria uma manobra para esconder o pagamento de gratificações e vanta- gens aos nomeados a pedido dos membros da Casa. Ontem à noite a equipe do elizeupires.com fez várias tentativas de acesso e a mensagem de erro apareceu 103 vezes.

Mulher de miliciano é eleita vereadora em Nova Iguaçu

Casada com o sargento da Polícia Militar Juracy Alves Prudêncio, preso há três anos sob acusação de chefiar a maior milícia em atividade na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, foi eleita ontem vereadora na cidade de Nova Iguaçu. Giane Silveira Prudêncio, conhecida como "Giane Jura", ela obteve 3.527 pelo PTN, partido que faz parte da coligação do concorrente do PMDB à Prefeitura, primeiro colocado no primeiro turno. Giane adotou o nome do marido apenas para concorrer a uma vaga na Câmara. Em sua página pública no Facebook, a vereadora eleita afirma que o sargento da PM teria sido vítima de injustiça e perseguição: “(...) meu sobrenome não é por acaso. Sou esposa de um dos maiores líderes comunitários que lutou [sic] pela nossa comunidade e que hoje sofre com a injustiça e a perseguição, mas aqueles que o perseguiram não esperavam que tantas famílias indignadas mantivessem viva a chama desta luta", afirma.

Para a polícia, porém, Juracy Prudêncio é líder e mentor da milícia conhecida como "Bonde do Jura", que atuaria em diversos pontos da Baixada Fluminense, em especial na cidade de Nova Iguaçu e o reduto do grupo fica em Comendador Soares. Mesmo preso no Batalhão Especial Prisional (BEP), Jura teria articulado e incentivado a candidatura da mulher, segundo informações recebidas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) em julho deste ano. As denúncias sobre a atuação política de milicianos em geral levou o órgão a criar uma força-tarefa para investigar e reprimir os chamados currais eleitorais.