Ex-assessor de Filipinho Ravis é preso em operação contra grupo investigado por venda de armas ao traficante Peixão
● Elizeu Pires

O ex-policial militar Marcel Rodrigues Fernandes é um dos alvos da Operação Magen, realizada nesta quarta-feira (7) pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Federal, contra um grupo acusado de “comércio ilegal de armas, uso de informações sigilosas das forças de segurança e lavagem de dinheiro”.
Marcel trabalhou no Detran e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde esteve lotado no gabinete do deputado Filipinho Ravos, com salário de pouco mais de R$ 13 mil. Ele foi preso em casa, em Nova Iguaçu, onde os agentes apreenderam um fuzil. Além de Marcel foi preso ainda outro ex-assessor da Alerj, o também ex-policial militar Eduardo Thales Lopes Pires.
No inquérito que resultou na operação de hoje o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do MPRJ denunciou 10 pessoas. O Ministério Público identificou movimentações financeiras que somam mais de R$ 250 milhões, feitas por pessoas físicas e cinco empresas vinculadas ao grupo.

Nesta operação foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e do Amazonas, expedidos pela 1ª Vara de Organização Criminosa da Capital, que também decretou o bloqueio de R$ 250 milhoes e o sequestro de três imóveis e 31 veículos.
De acordo com as investigações, outro ex-policial militar, Vitor Hugo Marinho Garcia, o Batata, apontado como líder do grupo, seria um dos principais fornecedores de armas e de informações privilegiadas a ao traficante Peixão, que comanda a facção Terceiro Comando Puro no estado do Rio de Janeiro.
Durante as investigações foram identificadas movimentações financeiras e patrimônio considerados incompatíveis com os rendimentos declarados por integrantes do grupo. Foi constatado uso de empresas, contas bancárias e bens registrados em nome de terceiros para dissimular a origem de recursos e ocultar patrimônio.

O MP aponta que cinco empresas que atuariam nos ramos de alimentação, comércio de materiais e construção e reforma teriam movimento, juntas, mais de R$ 173,7 milhões. Ainda segundo as investigações, Vitor Hugo Marinho Garcia movimentou R$ 31,9 milhões entre 2019 e 2023; Marcel Rodrigues Fernandes, R$ 33,2 milhões no mesmo período, e Eduardo Thales Lopes Pires, R$ 33,4 milhões entre.
*O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéri