Contingenciamento de verbas afeta treinamentos e operações da Polícia Federal, diz presidente da Associação dos Delegados

O contingenciamento de verbas decretado pelo presidente Jair Bolsonaro em março deste ano está afetando diretamente as atividades da Polícia Federal. Além de suspender o Treinamento Continuado de Armamento e Tiro neste semestre, os profissionais foram orientados a evitar viagens para economizar no pagamento de diárias de deslocamento a policiais em missões. A medida impacta diretamente nas operações feitas para combater o crime organizado em todo o país. Para a delegada Tania Prado (foto), a PF deveria estar imune ao contingenciamento de recursos.

Entidades que representam os delegados federais receberam a informação com apreensão e avaliaram que o corte de verbas pode representar um duro golpe na instituição, no combate ao crime organizado e na segurança pública. "A Polícia Federal deveria ser autônoma e imune aos contingenciamentos de recursos do governo, pois estes cortes afetam seu funcionamento e a repressão ao crime, sobretudo as operações e investigações em todo o país, que recuperam recursos ao Estado e desmantelam organizações criminosas", avalia a presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo (SINDPF SP) e diretora regional da Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) de SP, Tania Prado.

De ‘alça de caixão’ à publicidade em latões de lixo: população de Resende já não estaria engolindo política populista do prefeito

Os moradores de Resende estariam com a pulga atrás da orelha com o que já está sendo visto como "forçação de barra" do prefeito Diogo Balieiro Diniz (foto). É que o governante estaria tentando tirar proveito da boa fé da camada mais simples da população para se favorecer politicamente. Para "conquistar" os mais humildes, Balieiro estaria apelando para fotografias ao lado de crianças e idosos, além de "compromissos" variados como aniversários, forrós e cultos religiosos. Na tentativa de ficar bem na fita, o politico estaria até segurando em alça de caixão. 

Enquanto isso, a administração municipal já desembolsou cerca de R$ 2,5 milhões em um contrato publicitário que teria sido direcionado à promoção da cor adotada pelo governo de Balieiro, o azul marinho, inclusive em latões de lixo espalhados pela cidade, uma estratégia de marketing que também se converteu em milhares de litros de tinta esparramados por diversos prédios públicos do município e até na estampa dos uniformes das crianças das creches municipais, o que rende uma enxurrada de publicações quase que diariamente nas redes sociais, postagens turbinadas por nomeados em cargos comissionados do prefeito, que custam anualmente quase R$ 50 milhões ao bolso dos contribuintes de Resende, aproximadamente 10% de tudo que o município arrecada.

Grupo do prefeito cassado vence eleição suplementar em Paraty, repetindo o resultado apertado de 2016

Os eleitores de Paraty, cidade histórica do estado do Rio de Janeiro, voltaram às urnas neste domingo (4) para eleger, em pleito suplementar, o novo do prefeito. O escolhido é Luciano de Oliveira Vidal (MDB), vice na chapa encabeçada por Carlos José Miranda, o Casé, que venceu as eleições de 2016 e foi cassada nas três instancias da Justiça Eleitoral, sob a acusação de uso da máquina administrativa. Casé que tinha sido eleito em 2012, foi condenado por usar um programa social da Prefeitura, o Paraty, Minha Casa é Aqui para se reeleger. O resultado deste domingo mostrou a mesma disputa acirrada de 2016: Vidal foi eleito com 44,29% dos votos e o segundo colocado, José Carlos Porto Neto, o Zezé  (PTB) – o mesmo da eleição anulada – obteve 44,12%. No pleito de 2016 Casé somou 38,71% e Zezé 38.68%.

Montado na máquina administrativa – O prefeito reeleito em 2016 foi denunciado por distribuir títulos de propriedade de imóveis, cartão de alimentação e realização de obras em terreno particular. Carlos José Gama Miranda tinha derrotado o então prefeito José Carlos Porto Neto em 2012 e partiu para a reeleição montado na máquina administrativa. Venceu com apenas cinco votos de vantagem, mesmo tendo distribuído 210 títulos de propriedade há menos de um mês da eleição e beneficiado os servidores municipais com a redução da carga horária de trabalho, passando de 44 para 40 horas por semana.

Prefeito de Belford Roxo afirma que o Hospital Infantil de Areia Branca vai voltar a funcionar, mas não disse quando

Fechado há três meses por falta de recursos para pagar salários, o Hospital Infantil de Belford Roxo, localizado no bairro Areia Branca, vai voltar a funcionar. Foi o que o prefeito da cidade, Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho, disse ontem (2), após encontro com representantes dos funcionários. Na reunião, classificada pelo prefeito como "proveitosa para que algumas dúvidas fossem sanadas", Waguinho destacou que uma de suas prioridades é que a Saúde continue funcionando bem. Entretanto, não foi marcada uma data para que a unidade seja reaberta. A preocupação de alguns quanto ao futuro do hospital se deve à escolha do ex-secretário de Saúde como interventor. Wander Louzada, como titular da pasta, de acordo com alguns fornecedores e prestadores de serviços, engavetava processos administrativos, o que resultava no atraso de pagamentos.  

Unidade privada conveniada ao Sistema Único de Saúde, o Hospital Infantil de Belford Roxo foi reativado em julho de 2017 depois de nove meses fora de funcionamento. O HIBR foi foi encampado pelo município que, entretanto, passou a ter dificuldades de manter pediatras nos plantões, por conta de atraso no repasse dos recursos.

Suspeita de ‘germes’ no dinheiro público em Volta Redonda: desinfetante de R$ 2,21 teria saído a R$ 21,90 a unidade

A 2ª Coordenadoria de Auditoria Municipal do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) rejeitou no último dia 4 de julho a maioria das alegações apresentadas pelo prefeito de Volta Redonda, Elderson Ferreira da Silva, o Samuca, no processo 212.944-1/2018, que apura a contratação emergencial das empresas Conttato Consultoria e Gestão Empresarial e Rio Zin Ambiental, as quais teriam apresentado sobrepreço no fornecimento de mão de obra e materiais limpeza usados na prestação do serviço à Secretaria Municipal de Saúde em 2017. As supostas "manchas" no dinheiro do povo começaram a aparecer depois que o TCE destrinchou as planilhas dos valores pagos às empresas pela terceirização de mão de obra (confira aqui), assim como as tabelas praticadas pelas terceirizadas em relação aos produtos de limpeza.

No caso da mão de obra, os valores pagos pela Prefeitura foram comparados à média do que é praticado por outros órgãos públicos, segundo um site oficial de preços e o catálogo de serviços da Controladoria da Prefeitura cidade do Rio de Janeiro, que também serviu de referência para comparação dos produtos de limpeza.

MPF denuncia ex-delegado que incinerou corpos de vítimas da ditadura militar nos fornos de uma usina em Campos

As fornalhas da Usina Cambahyba, em Campos dos Goitacazes, no município do norte do estado do Rio de Janeiro,  não queimavam apenas lenha e bagaço de cana. Corpos de militantes contra a ditadura militar que tomou o poder em 1964 foram incinerados nelas, uma colaboração que o fazendeiro e usineiro Heli Ribeiro Gomes dava ao regime em troca de facilidades como créditos e financiamentos. A história escrita com sangue é revelada no livro "Memórias de uma guerra suja" pelo o ex-delegado Claudio Guerra, que integrou os quadros do aterrorizante Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e esta semana  foi denunciado pelo Ministério Público Federal incineração de 12 corpos. Hoje com 79 anos, o ex-delegado está sendo acusado de ocultação e destruição de 12 cadáveres no fornos da usina.

No livro Guerra faz uma confissão espontânea. Conta que recolheu de uma mansão em Petrópolis ( a Casa da Morte) e da sede do Destacamento de Operação de Informação e Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), na Tijuca, 12 corpos, e os levou ao município de Campos para serem incinerados nos fornos da Usina Cambahyba. "Assim, com o objetivo de assegurar a impunidade de crimes de tortura e homicídio praticados por terceiros, com abuso de poder e violação do dever inerente do cargo de delegado de polícia que exercia no estado do Espírito Santo, foi o autor intelectual e participante direto na ocultação e destruição de cadáveres de pelo menos 12 pessoas, nos anos de 1974 e 1975", diz na ação o procurador da República Guilherme Garcia Virgílio, que pede a condenação e o cancelamento da aposentadoria da aposentadoria do ex-delegado.