PP e Republicanos deixam o PL sozinho na tentativa de golpe

Valdemar da Costa Neto não tinha autorização das duas legendas para incluí-las na ação golpista rejeitada por Alexandre de Moraes

Costa Neto não tinha permissão para agir em nome dos dois partidos O presidente do PL, Waldemar da Costa Neto, não pediu aos comando do PP e Republicanos – integrantes da coligação formada para sustentar a candidatura de Jair Bolsonaro – autorização para ajuizar a ação na qual foi pedida a anulação dos votos computados por mais de 250 mil urnas. Os deputados Claudio Cajado e Marcos Pereira, que presidem os partidos, disseram que não foram consultados sobre o processo e que vão recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para reverterem a decisão que bloqueou cotas do Fundo Partidário das duas legendas. Eles entendem que só o PL deve ser responsabilizado.

Mourão assume derrota e critica pedidos de golpe

Vice-presidente fala em voltar ‘mais forte’ em 2026

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou nesta quarta-feira, 2, que o golpe militar pedido nas ruas por apoiadores do governo deixaria o país “numa situação difícil” e que é preciso voltar “muito mais fortes” em 2026. Em uma publicação no Twitter, o general disse que existe hoje um “sentimento de frustração” causado anos atrás quando “aceitamos passivamente” a “escandalosa manobra jurídica” que permitiu a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente eleito. “Agora querem que as Forças Armadas deem um golpe e coloquem o País numa situação difícil perante a comunidade internacional”, comentou o militar.

Trezoitão engasgado: Apesar de a Justiça Eleitoral ter estendido o prazo para coleta de assinaturas, Aliança pelo Brasil foi para o vinagre

● Elizeu Pires

O presidente Jair Bolsonaro e seus aliados fervorosos não terão mais um partido próprio para se abrigarem. Apesar de o prazo para arrecadar assinaturas ter sido ampliado em mais quatro meses, o Aliança pelo Brasil, legenda 38, ficou apenas na vontade dos bolsonaristas, que não conseguiram chegar a 40% das 492 mil assinaturas exigidas por lei. Se quiserem mesmo um partido para chamarem de seu, os bolsonaristas terão de começar do zero.

Sem espaço para golpe: Mourão reconhece ‘retórica forte’ do governo, mas descarta ruptura no século 21

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou ontem (13) que o governo federal tem uma "retórica forte", mas, segundo ele, não está disposto a um golpe de Estado. "Não há espaço para ruptura no século 21", afirmou em entrevista à Rádio Gaúcha. "É algo que tem que ficar muito claro na cabeça de todo mundo."

Nas manifestações de 7 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro ameaçou o Supremo Tribunal Federal (STF), em tom considerado antidemocrático por especialistas grande parte do mundo político, e teve de recuar da postura apenas dois dias depois após a resposta contundente do presidente da Corte, Luiz Fux, por meio de uma carta de pacificação articulada pelo ex-presidente Michel Temer.

“Gosto de achar que não há risco à democracia”, diz o presidente do TSE

Para ministro Luís Roberto Barroso as instituições são sólidas O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, descartou nesta segunda-feira (16) riscos à democracia brasileira, apesar do atrito entre instituições, em especial, do que chamou de ameaças pelo “populismo extremista, autoritário e golpista”. “Gosto de achar que não há risco para a democracia no Brasil porque não há nem em nome de quê se dar um golpe. Falar em perigo comunista é risível no Brasil de hoje”, disse o ministro nesta tarde (16) sem citar nomes.

Barroso, entretanto, disse que fica um pouco preocupado com o número de vezes em que é perguntado sobre a possibilidade de golpes, mesmo que não haja uma causa que legitime a ruptura democrática. “Verdadeiramente acho que as instituições são sólidas e estamos atravessando uma turbulência. Mas o avião é seguro e vai conseguir pousar em 2022 com tranquilidade. Assim espero, assim desejo e para isso trabalho”, afirmou.