Queimados via Volta Redonda: contrato de gestão de hospital na Cidade do Aço teria se transformado em bom “negócio de família”

No dia 2 de agosto de 2018  a enfermeira Michelle Oliveira Mendes, residente no município de Queimados, na Baixada Fluminense, recebeu "poderes especiais" para participar de licitações, representando na Prefeitura de Volta Redonda a Organização Social Hospital Psiquiátrico Espirita Mahatma Gandhi, que em novembro do mesmo ano assinou um contrato que pode chegar a R$ 94 milhões (confira aqui), para gerir o Hospital Municipal Munir Rafful por dois anos. Os "poderes" não seriam nada demais se uma empresa que seria controlada por membros do núcleo familiar de Michele não ficasse responsável pelo fornecimento de refeições ao hospital.

O caso foi denunciado esta semana pelo vereador Jari Oliveira Junior – que apresentou requerimento ao plenário da Câmara, convocando a representante da Organização Social para prestar esclarecimentos – e deverá ser objeto de representação junto ao Ministério Público nos próximos dias.

Solenidade cara demais: Câmara de Quissamã gastou R$ 240 mil para empossar prefeita, vice e vereadores, denuncia o MP à Justiça

Uma solenidade de posse de prefeito e vereadores não precisa mais do que o plenário da Câmara Municipal ou um simples salão decorado com flores e, no máximo, um buffet para agradar os convidados. Mas isso é coisa de cidade pobre. Em Quissamã, município do interior fluminense, a cerimônia realizada no dia 1º de janeiro de 2017 para empossar a prefeita Fátima Pacheco, o vice Marcelo Batista e nove vereadores, segundo apurou o Ministério Público, custou mais de R$ 240 mil – em valores corrigidos –, dinheiro que o MP quer ver devolvido pelo então presidente da Casa Legislativa, Luiz Carlos Fonseca Lopes e pelo ex-diretor administrativo Carlos Eduardo Moreira Ramos, mais uma indenização por dano moral coletivo. 

De acordo com o que foi apurado pela 3ª Promotoria de Tutela Coletiva (núcleo de Macaé), a Câmara de Vereadores pagou R$ 210.709,52 a seis empresas pela realização do evento.

Contingenciamento de verbas afeta treinamentos e operações da Polícia Federal, diz presidente da Associação dos Delegados

O contingenciamento de verbas decretado pelo presidente Jair Bolsonaro em março deste ano está afetando diretamente as atividades da Polícia Federal. Além de suspender o Treinamento Continuado de Armamento e Tiro neste semestre, os profissionais foram orientados a evitar viagens para economizar no pagamento de diárias de deslocamento a policiais em missões. A medida impacta diretamente nas operações feitas para combater o crime organizado em todo o país. Para a delegada Tania Prado (foto), a PF deveria estar imune ao contingenciamento de recursos.

Entidades que representam os delegados federais receberam a informação com apreensão e avaliaram que o corte de verbas pode representar um duro golpe na instituição, no combate ao crime organizado e na segurança pública. "A Polícia Federal deveria ser autônoma e imune aos contingenciamentos de recursos do governo, pois estes cortes afetam seu funcionamento e a repressão ao crime, sobretudo as operações e investigações em todo o país, que recuperam recursos ao Estado e desmantelam organizações criminosas", avalia a presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo (SINDPF SP) e diretora regional da Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) de SP, Tania Prado.

De ‘alça de caixão’ à publicidade em latões de lixo: população de Resende já não estaria engolindo política populista do prefeito

Os moradores de Resende estariam com a pulga atrás da orelha com o que já está sendo visto como "forçação de barra" do prefeito Diogo Balieiro Diniz (foto). É que o governante estaria tentando tirar proveito da boa fé da camada mais simples da população para se favorecer politicamente. Para "conquistar" os mais humildes, Balieiro estaria apelando para fotografias ao lado de crianças e idosos, além de "compromissos" variados como aniversários, forrós e cultos religiosos. Na tentativa de ficar bem na fita, o politico estaria até segurando em alça de caixão. 

Enquanto isso, a administração municipal já desembolsou cerca de R$ 2,5 milhões em um contrato publicitário que teria sido direcionado à promoção da cor adotada pelo governo de Balieiro, o azul marinho, inclusive em latões de lixo espalhados pela cidade, uma estratégia de marketing que também se converteu em milhares de litros de tinta esparramados por diversos prédios públicos do município e até na estampa dos uniformes das crianças das creches municipais, o que rende uma enxurrada de publicações quase que diariamente nas redes sociais, postagens turbinadas por nomeados em cargos comissionados do prefeito, que custam anualmente quase R$ 50 milhões ao bolso dos contribuintes de Resende, aproximadamente 10% de tudo que o município arrecada.

Suspeita de ‘germes’ no dinheiro público em Volta Redonda: desinfetante de R$ 2,21 teria saído a R$ 21,90 a unidade

A 2ª Coordenadoria de Auditoria Municipal do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) rejeitou no último dia 4 de julho a maioria das alegações apresentadas pelo prefeito de Volta Redonda, Elderson Ferreira da Silva, o Samuca, no processo 212.944-1/2018, que apura a contratação emergencial das empresas Conttato Consultoria e Gestão Empresarial e Rio Zin Ambiental, as quais teriam apresentado sobrepreço no fornecimento de mão de obra e materiais limpeza usados na prestação do serviço à Secretaria Municipal de Saúde em 2017. As supostas "manchas" no dinheiro do povo começaram a aparecer depois que o TCE destrinchou as planilhas dos valores pagos às empresas pela terceirização de mão de obra (confira aqui), assim como as tabelas praticadas pelas terceirizadas em relação aos produtos de limpeza.

No caso da mão de obra, os valores pagos pela Prefeitura foram comparados à média do que é praticado por outros órgãos públicos, segundo um site oficial de preços e o catálogo de serviços da Controladoria da Prefeitura cidade do Rio de Janeiro, que também serviu de referência para comparação dos produtos de limpeza.

MPF denuncia ex-delegado que incinerou corpos de vítimas da ditadura militar nos fornos de uma usina em Campos

As fornalhas da Usina Cambahyba, em Campos dos Goitacazes, no município do norte do estado do Rio de Janeiro,  não queimavam apenas lenha e bagaço de cana. Corpos de militantes contra a ditadura militar que tomou o poder em 1964 foram incinerados nelas, uma colaboração que o fazendeiro e usineiro Heli Ribeiro Gomes dava ao regime em troca de facilidades como créditos e financiamentos. A história escrita com sangue é revelada no livro "Memórias de uma guerra suja" pelo o ex-delegado Claudio Guerra, que integrou os quadros do aterrorizante Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e esta semana  foi denunciado pelo Ministério Público Federal incineração de 12 corpos. Hoje com 79 anos, o ex-delegado está sendo acusado de ocultação e destruição de 12 cadáveres no fornos da usina.

No livro Guerra faz uma confissão espontânea. Conta que recolheu de uma mansão em Petrópolis ( a Casa da Morte) e da sede do Destacamento de Operação de Informação e Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), na Tijuca, 12 corpos, e os levou ao município de Campos para serem incinerados nos fornos da Usina Cambahyba. "Assim, com o objetivo de assegurar a impunidade de crimes de tortura e homicídio praticados por terceiros, com abuso de poder e violação do dever inerente do cargo de delegado de polícia que exercia no estado do Espírito Santo, foi o autor intelectual e participante direto na ocultação e destruição de cadáveres de pelo menos 12 pessoas, nos anos de 1974 e 1975", diz na ação o procurador da República Guilherme Garcia Virgílio, que pede a condenação e o cancelamento da aposentadoria da aposentadoria do ex-delegado.

MP confirma ‘puxão de orelha’ em prefeito de Resende para reativação de serviço de acolhimento aos moradores de rua

O Ministério Público fluminense divulgou no último dia 24 a íntegra de um Termo de ajustamento de Conduta (TAC), assinado no dia 4 de junho deste ano, firmado entre a 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva e a Prefeitura de Resende, que ficou obrigada a dar início a um abrigo institucional destinado ao acolhimento noturno de moradores de rua. O que aconteceu no último dia 1º de julho, uma vez que o prazo máximo era de 45 dias a partir da assinatura do documento, com a previsão de multa diária no valor de R$ 500 incidindo sobre o agente público, o prefeito Diogo Balieiro Diniz, em caso de descumprimento.

O TAC é fruto de um inquérito (100/2017) aberto pelo MP, que acolheu uma denúncia anônima e decidiu apurar o suposto fechamento de uma república de acolhimento aos moradores de rua, mantida pela Prefeitura até 2016. O serviço teria sido encerrado no começo da gestão de Balieiro, que acabou sendo obrigado a trocar as 'chicotadas' por 'caricias' aos menos favorecidos.