Superfaturamento comprovado em Nova Iguaçu

Nova licitação para compra de uniformes confirma que Lindberg Farias pagou 500% a mais por uniformes escolares. O íten camiseta custou 100% mais caro

Quatro anos após o elizeupires.com ter revelado que a Prefeitura de Nova Iguaçu gastou cerca de R$ 9 milhões comprando uniformes escolares a preços superfaturados, uma nova licitação aberta este ano com a mesma finalidade comprovou a irregularidade. No último dia 2 foi publicado no Diário Oficial do município o registro de preços para a compra de uniformes com material nas mesmas especificações do edital anterior, com valores até 50% mais baixos que os praticados em 2007. No caso das camisetas, o valor pago por Lindberg Farias foi o dobro do atual. A compra anterior - que está sendo investigada pelo Ministério Público Federal, por envolver recursos repassados pelo Ministério da Educação - foi feita através da Secretaria Municipal de Educação, que adquiriu camisetas, bermudas, shorts e pares de tênis da empresa WQ - Comercio de Material de Escritório e Serviços Ltda., que venceu uma licitação feita em dezembro de 2006, quando a vereadora Marli Freitas (PT) respondia pelo setor de Educação. O item camiseta dos uniformes adquiridos em 2007, por exemplo, custou R$ 16,87 a unidade e o preço apurado nessa nova concorrência é de R$ 8,70.

Mais uma herança maldita em Nova Iguaçu

O prefeitoLindberg Farias tem uma gestão marcada por escândalos Auditoria da Controladoria Geral da União comprova que gestão de Lindberg Farias fraudou censo escolar para receber mais dinheiro do Fundeb

Marcado por denúncias de irregularidades desde o início da gestão do prefeito Lindberg Farias (PT), em 2005, o setor de ensino do município de Nova Iguaçu é manchado mais uma vez com a confirmação, por parte da Controladoria Geral da União (CGU), de que a Secretaria Municipal de Educação fraudou, em 2009, o censo escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), para receber mais recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

E a CRT venceu

Elizeu Pires

Os “nobres” representantes do povo na “colenda” Câmara Municipal de Magé decidiram que a atuação da Concessionária Rio-Teresópolis (CRT – que transformou o município numa ilha cercada de pedágios por todos os lados, inviabilizando o desenvolvimento econômico da cidade – não precisa ser investigada.

Entrada proibida em Piabetá

Barreiras fiscais da Prefeitura de Magé ferem a Constituição e beneficia a Concessionária Rio-Teresópolis.

Indistintamente todo cidadão tem o direito de ir e vir, só podendo ter a sua liberdade cerceada, em decorrência de prisão em flagrante delito ou por mandado judicial devidamente fundamentado por autoridade judiciária competente. É o que garante a Constituição federal, mas parece que a prefeita de Magé, Núbia Cozzolino não sabe disso. Pelo menos é o que sugerem as barreiras instaladas nas entradas de Piabetá, onde agentes da Prefeitura ficam de plantão para impedir a entrada de caminhões, só permitindo o acesso aos motoristas que comprovarem que estão indo fazer entregas. A medida, que segundo a administração municipal, tem a finalidade de evitar que veículos pesados danifiquem o asfalto das ruas, beneficia diretamente a Concessionária Rio Teresópolis (CRT), pois coíbe qualquer tentativa de os caminhoneiros cortarem caminho e escapar do pedágio, muito caro por sinal. “É um absurdo que isso aconteça, pois fere um direito constitucional”, afirma o advogado Luiz Carlos Rodrigues.

Cercados por todos os lados

Moradores de Magé reclamam de “excesso de cobrança” por parte da Concessionária Rio-Teresópolis.

Com cerca de 280 mil habitantes, o município de Magé é uma ilha cercada de pedágios por todos os lados. Pelo menos é disso que reclamam os moradores de bairros como Citrolândia e Parque Bonevile, revoltados com o que chamam de excesso de pontos de cobrança operados pela Concessionária Rio-Teresópolis (CRT), formada pelas empresas a Construtora OAS, Carioca Christiani-Nielsen Engenharia, Strata Concessões (Grupo EIT) e Queiroz Galvão Participações e Concessões, consórcio que assumiu, em março de 1996, a administração de um trecho de 142 quilômetros da BR-116.

Camisetas caras demais

Documentos revelam que Secretaria de Educação de Nova Iguaçu poderia ter pago por uniformes menos da metade do que gastou

As camisetas dos uniformes escolares compradas pela Secretaria de Educação de Nova Iguaçu ao preço unitário de R$ 16,87 da empresa WQ Comercio de Material de Escritório e Serviços Ltda., que venceu uma licitação de mais de R$ 9 milhões, poderiam ter sido adquiridas por menos da metade do preço se a Prefeitura tivesse optado pela empresa Silk Fabril, que participou da concorrência e foi desclassificada. Pelo menos é o que revela uma tomada de preços a qual o elizeupires.com teve acesso. No documento o representante da Silk Fabril, Sergio Davico informa, no último dia 27 de junho, 18 meses após a compra feita pela secretaria, que poderia fornecer as camisetas por R$ 8,10 cada uma. O site teve acesso ainda a uma outra tomada de preços, na qual a empresa Grupo Art apresenta dois preços: R$ 6,30 (camiseta infantil) e R$ 7,60 (adulto). Oelizeupires.com teve acesso também a uma proposta da empresa Fortiori Camisetas, que apresentou preço unitário de R$ 6,50.

Dois contratos e uma suspeita

Compromisso de compra de uniforme foi alterado após denúncia de possível superfaturamento

Procuradores do Ministério Público Federal estão investigando o contrato firmado entre a secretaria de Educação de Nova Iguaçu e a empresa WQ Comércio de Material escritório, no valor de R$ 9.153.389,74, para fornecimento de uniformes escolares. O contrato, assinado no dia 22 de dezembro de 2006, foi alterado no dia 9 de março de 2007, depois que os vereadores do bloco de oposição levantaram suspeitas de superfaturamento. Com a alteração o valor caiu para R$ 8.289.565,72, tendo sido reduzido os preços cobrados pela bermuda de helanca, que caiu de R$ 16,90 a unidade para R$ 11,69 e do short-saia, que passou de R$ 18,89 para R$ 14,64. O preço da camiseta, entretanto, considerado muito mais alto que o praticado no varejo, foi mantido a R$ 16,87. Por 221.904 camisetas temáticas o município pagou R$ 3.743.520,48.