Terceirizados da saúde ameaçam greve em Rio das Ostras

Trabalhadores cobram férias, décimo terceiro e o salário de dezembro

A cada dia uma descoberta e as novidades não são nada boas. Esta é a realidade vivida pela equipe do novo governo de Rio das Ostras, que está enfrentando hoje uma ameaça de paralisação dos funcionários terceirizados que atuam no serviço de limpeza e conservação das unidades de saúde, o que se acontecer afetará em cheio o hospital da cidade e o pronto socorro. Os trabalhadores são contratados da empresa Mississipi Empreendimentos, que alega não ter dinheiro para pagar o salário de dezembro que vence hoje, muito menos o décimo terceiro e as férias vencidas, pois desde julho não recebe os repasses da Prefeitura. Sem recurso em caixa para quitar as faturas atrasadas, o prefeito Carlos Augusto Balthazar está buscando uma solução junto à empresa, para que o serviço de limpeza continue sendo prestado. De acordo com alguns trabalhadores, os salários vem atrasando com frequência e no primeiro semestre eles chegaram a ficar dois meses sem receber. A dívida do Fundo Municipal de Saúde com a Mississipi Empreendimentos está acumulada em R$ 4,7 milhões.

Rio das Ostras: dinheiro demais, responsabilidade e saúde de menos

Carlos Augusto explicou as razões que o levaram a decretar calamidade financeira (Fotos: Divulgação/PMRO) Médico é coisa rara na rede pública do município, mas folha de pagamento do setor passa de R$ 92 milhões por ano. Nova gestão herda calamidade e dívida de R$ 200 milhões

Durante a gestão do prefeito Alcebíades Sabino a rede de atendimento Rio das Ostras entrou em colapso e foi parar na UTI. Quem buscou socorro no hospital público da cidade cansou de ouvir um “não tem médico” e quem precisou de um desses Captopril da vida - remédio para controlar a pressão arterial - muitas vezes foi informado de que estava faltando medicamento na farmácia básica, um contra-senso diante dos cerca de R$ 600 milhões gastos pela Secretaria de Saúde nos últimos quatro anos, R$ 92 milhões anuais só com a folha de pagamento do setor. Se elevados para uma rede que não funciona, os números verificados pelo novo governo mostram que mais que problemas financeiros, o município conheceu com o ex-prefeito uma crise de gestão, com pessoal demais, gente de menos trabalhando e materiais médicos jogados fora: numa primeira avaliação a equipe que vai comandar a rede de agora em diante encontrou R$ 5 milhões em remédios, insumos e próteses vencidas, cerca de R$ 1 milhão só em remédios fora do período de validade.

Rombo nas finanças preocupa em Rio das Ostras

Prefeito que deixou R$ 170 milhões em caixa agora depara com déficit de R$ 50 milhões

O município de Rio das Ostras não tem hoje em caixa dinheiro suficiente para cobrir a primeira folha de pagamento do ano e medidas de economicidade terão de ser tomadas para que o salário de janeiro possa ser pago sem atraso. Neste sentido um pacote de ações será anunciado na próxima quinta-feira pelo prefeito Carlos Augusto Balthazar (foto) em entrevista coletiva a imprensa. Embora os servidores estejam há três anos sem correção nos vencimentos, os gastos com pessoal foram elevados a R$ 285 milhões por ano pelo prefeito Alcebíades Sabino, que inchou a folha com cargos comissionados e concessão de gratificações para alguns nomeados. Em relação a esta conta há um rombo de R$ 50 milhões e o equilíbrio terá que ser encontrado nos próximos dias para que os funcionários e a população não venham ser sacrificados.

Carlos Augusto promete reerguer Rio das Ostras

Carlos Augusto assegura que vai apertar os cintos para recuperar o município (Fotos:Ákilla Ribeiro) Novo prefeito encontra uma cidade arrasada e de cofres vazios

Em clima de emoção o prefeito Carlos Augusto Balthazar (foto), ao lado vice-prefeito José Guimarães Salvador e dos 13 membros da Câmara Municipal, foi empossado no início da noite deste domingo (1) para um terceiro mandato à frente do município de Rio das Ostras. A solenidade foi presidida pelo vereador Carlos Afonso Fernandes, que após quatro anos foi reconduzido ao cargo de presidente da Casa. Carlos Augusto destacou uma trajetória de lutas e falou sobre as dificuldades pelas quais a cidade vem passando, embora o antecessor, prefeito Alcebíades Sabino dos Santos tenha tido cerca de R$ 2,6 bilhões para gerir em seus quatro anos de gestão.

Natal sem comida em hospital de Rio das Ostras

Sem pagamento, empresa suspende fornecimento de alimentação

Responsável pelo serviço de nutrição dietética para o hospital e o pronto socorro de Rio das Ostras, com contrato com a Secretaria Municipal de Saúde desde a gestão do prefeito Carlos Augusto Balthazar, a empresa Guelli Comércio e Indústria de Alimentos comunicou os funcionários das unidades que neste sábado, véspera de Natal, não vai servir qualquer tipo de alimento e justifica dizendo que está há três meses sem pagamento. De acordo com o sistema da Prefeitura, a empresa recebeu entre janeiro e setembro deste ano o total de R$ 3.050.842,96 de um empenho global de pouco mais de R$ 3,2 milhões. A administração municipal ainda não se pronunciou sobre o assunto. Ao todo a empresa já recebeu mais de R$ 11 milhões dos cofres da municipalidade. Além dos pagamentos deste ano a Guelli recebeu R$ 3.538.004,68 em 2015, R$ 4.180.518,40 no ano anterior e R$ 680.519,92 em 2013.

Carlos Augusto promete rigor nos gastos públicos

Prefeito eleito de Rio das Ostras quer ajuda da sociedade para recuperar o município

Embora tenha acumulado desde 2013 uma receita de mais de R$ 2,6 bilhões, o município de Rio das Ostras é hoje o que se pode chamar de terra arrasada e, consciente disto, o prefeito eleito Carlos Augusto Balthazar (foto), avisa que vai precisar da ajuda da população para recuperar o município. Durante a solenidade de diplomação dos eleitos no dia 3 de outubro, conduzida pelo juiz Henrique Assumpção Rodrigues de Almeida, Carlos Augusto destacou o compromisso com o rigor dos gastos públicos num momento em que a cidade passa por uma crise financeira e de gestão. “Sabemos que os desafios serão muitos, mas estamos com muita disposição para o trabalho e, com o apoio da sociedade civil organizada, vamos fazer com que Rio das Ostras volte a ser referência em qualidade de vida no estado”, afirmou.

Má gestão comprometeu as finanças de Rio das Ostras

Sabino recebeu de Carlos Augusto uma casa arrumada e vai entregar tudo bagunçado e com contas a pagar Receita chegou a R$ 2,6 bilhões em quatro anos, mas não houve investimentos

Os servidores efetivos de Rio das Ostras estão há mais de três anos sem reajuste salarial, mesmo assim a folha de pagamento de pessoal é apontada como a grande vilã, causa principal do péssimo momento que o município está vivendo. Quem entende do riscado afirma que a arrecadação está mesmo bastante reduzida, mas que a queda na receita não é a grande responsável pela falta de obras e pela precariedade dos serviços prestados pela administração municipal. O problema está numa gestão que teve um volume de recursos - em números atualizados - na ordem de R$ 2,6 bilhões, mas optou por inchar a folha com cargos comissionados e contratados, além de abusar no aumento e nas gratificações para alguns privilegiados, como é o caso do chefe de gabinete do prefeito Alcebíades Sabino, Aldem Vieira, que recebia duas vezes, uma como servidor cedido com ônus a Prefeitura pelo Tribunal de Justiça e outra como ocupante de cargo confiança, quando deveria, como determina a lei, receber apenas uma remuneração.

Sabino deixa “terra arrasada” em Rio das Ostras

A orla da Costazul é hoje o retrato do abandono que afeta todo o município de Rio das Ostras (Fotos:Bruno Tosta) O estado de abandono é verificado em todos os bairros do município

Do dia 1 de janeiro de 2013 até o dia 30 de setembro desde ano o município de Rio das Ostras registrou uma receita líquida consolidada de mais de R$ 2,3 bilhões, mais que o dobro do que foi arrecadado por cidades com universo populacional bem maior, mas tanto dinheiro não ajudou em nada. Os serviços básicos perderam muito em qualidade e o que se vê nas ruas, inclusive nos bairros com o IPTU mais caro, é abandono. Na rede municipal de ensino os professores sofrem com a falta de material didático e até água e papel higiênico tem faltado nas unidades. No sistema de saúde o atendimento é precário, não há médicos nem medicamentos, o que não é admissível para uma cidade que tem menos de 150 mil moradores e arrecadação acima da média, exatos R$ 2.339,060.396,46 em três anos e nove meses.

Carlos Augusto anuncia equipe de transição

Carlos Augusto vai suceder Sabino pela segunda vez e vai encontrar uma "terra arrasada" O prefeito eleito de Rio das Ostras já começou a trabalhar

“Temos muito que fazer. Vamos iniciar o ano com a cidade cheia de turistas e precisamos estar com os serviços básicos de saúde, manutenção e segurança funcionando com qualidade Para isso, temos que estar cientes dos contratos em andamento, e da real situação orçamentária do município”. A afirmação é do prefeito eleito de Rio das Ostras, Carlos Augusto Balthazar, que já escolheu a equipe de transição que será apresentada oficialmente à Prefeitura no máximo até sexta-feira. A equipe é formada de profissionais experientes que já passaram pelo governo, entre eles Rosemarie Teixeira, Renato Vasconcellos, Nelito Esterque, Luciano Macário, Evandro Minguta, Marcelo Chebor e Ivan Noé. O vereador Marcelino Borba também integra a equipe.

Cabisbaixo e pelos fundos

Alcebíades Sabino está saindo e levando junto seus dois fiéis escudeiros: os veredores Nini e Elói Prefeito de Rio das Ostras é humilhado das urnas

Há quatro anos o hoje prefeito de Rio das Ostras, Alcebíades Sabino dos Santos comemorava sua expressiva vitória nas urnas. No dia 7 de outubro de 2012 ele foi eleito para o terceiro mandato com 76,87% dos votos válidos e desfilou em carro aberto pela cidade. Os votos foram resultado da confiança do povo de que o “melhor prefeito” da história do município - como ele se apresentava - iria faz fazer e acontecer. Porém, como mesmo tendo mais de R$ 2 bilhões para administrar Sabino não fez nem aconteceu, o povo decidiu colocá-lo para fora e ele sai humilhado. No dia 31 de dezembro, quando estiver deixando o cargo, vai voltar para casa com o título de pior gestor e na cabeça um número vergonhoso: o homem que teve 41.804 votos em 2012 somou agora apenas 7.578.