Japeri: gastos com sistema de gestão podem chegar a R$ 11 milhões

Contratos firmados pela Prefeitura com três empresas são de dois anos, mas os valores neles divulgados correspondem a somente 12 meses e somam R$ 5.557 milhões. MP e Tribunal de contas deverão ser acionados

Japeri, o município mais pobre da Baixada Fluminense, detentor um dos piores índices de desenvolvimento humano do país, tem dinheiro de menos e problemas demais, mas mesmo assim a Prefeitura decidiu gastar alguns milhões de reais para implantar um sistema informatizado de gestão. Pelo menos é isso que está nos contratos 038, 039 e 040, com valores anuais que somam R$ 5.557 milhões em 12 meses ou R$ 11.114 milhões, se os números incidirem também sobre o segundo ano dos contratos, que foram firmados pelo prefeito Cezar Melo com as empresas DSTEC Comércio e Serviços de Informática, Soluções Brasileiras em Tecnologia e Educação (SBTEC) e TECHNE Engenharia e Sistemas.

Empresa com contrato de R$ 2 milhões em Japeri tem como endereço um escritório de advocacia, em Belford Roxo

De acordo com o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, a DSTEC Comércio e Serviços de Informática está sediada na sala 203 do prédio 1.327 da Avenida Benjamim Pinto Dias, em Belford Roxo. No painel existente próximo ao elevador não há nenhuma placa indicando a localização da empresa e o funcionário que estava na portaria na manhã de ontem (16) afirmou que a desconhecia. Se o visitante não acreditar no porteiro e subir ao segundo andar para conferir, não vai deparar com qualquer indicação e se bater à porta da sala 203 o que vai encontrar é um escritório de advocacia.  Isso foi feito ontem na busca pela empresa que ganhou um contrato (038/2018) de R$ 2.050 milhões na Prefeitura de Japeri...

Mais tarde, por telefone, uma funcionária do escritório de advocacia passou um número de contato da empresa, um telefone diferente do informado no CNPJ (o disponibilizado no cadastro pertence a um escritório de contabilidade) e quem atendeu disse que quem poderia falar pela DSTEC não se encontrava no momento, mas que a firma funciona na sala 202, em cuja porta também não havia, ontem, nenhuma identificação.

Firma de informática contratada em Japeri tem como endereço no cadastro um escritório de advocacia, em Belford Roxo

De acordo com o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, a DS TEC Comércio e Serviços de Informática está sediada na sala 203 do prédio 1.327 da Avenida Benjamin Pinto Dias, em Belford Roxo. No painel existente próximo ao elevador não há nenhuma placa indicando a localização da empresa e o funcionário que estava na portaria na manhã de ontem (16) afirmou que a desconhecia. Se o visitante subir ao segundo andar para  procurar não vai deparar com qualquer indicação e se bater à porta da sala 203 vai encontrar um escritório de advocacia. Isso foi feito ontem na busca pela empresa que ganhou um contrato (038/2018) de R$ 2.050 milhões para implantação de sistema de gestão na Prefeitura de Japeri...

Mais tarde, por telefone, uma funcionária do escritório de advocacia confirmou o funcionamento da empresa naquele prédio e passou um número de contato diferente do informado no CNPJ da DS (o disponibilizado no cadastro pertence a um escritório de contabilidade). Quem atendeu a ligação disse que a pessoa que poderia falar sobre o contrato não se encontrava, mas que a firma funcionaria na sala 202, em cuja porta também não havia, ontem, nenhuma identificação, embora a empresa tenha como uma das atividades secundarias o comércio varejista de equipamentos e suprimentos de informática.

Candidato preso teve 1.216 votos no Rio

Presidente da Câmara de Japeri foi denunciado por associação para trafico

Preso há mais de dois meses por suposta associação para o tráfico de drogas, segundo foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público, o vereador afastado de Japeri Wesley George de Oliveira, o Miga (foto), teve o registro de candidatura a deputado estadual pelo PP homologado pela Justiça Eleitoral e somou 1.216 votos. A campanha dele foi feita através das redes sociais, nas quais foram veiculadas uma carta atribuída ao prefeito Carlos Moraes Costa – preso pelo mesmo motivo – na qual era feito pedido de votos e um vídeo com um suposto recado de Moraes, para que o grupo dele votasse em Miga.

Com fim do contrato Japeri pode ficar livre dos ‘sucatões’

Resta saber se haverá nova licitação e se a Prefeitura vai garantir transparência

Gente próxima do prefeito interino de Japeri, Cezar Melo, diz que ele pretende fazer tudo diferente, por ordem na casa e consertar o que está errado. Se for isso mesmo, Melo poderia começar tirando de circulação os ônibus sucateados alugados pela Prefeitura para transportar os alunos da rede municipal de ensino, serviço que já consumiu R$ 3,4 milhões, preço alto demais considerando o estado precário dos veículos, que até bem pouco tempo estavam em situação irregular junto ao Detran, em alguns casos, com documentação atrasada há mais de três anos. O contrato com a empresa dona dos ônibus, já venceu e em vez de renová-lo o prefeito deveria fazer uma nova licitação, mas o que se comenta nos corredores do poder local é que a firma não seria substituída, porque já regularizou os documentos da frota.

Prefeitura de Maricá compra R$ 612 mil em filé de peixe em mercado de Japeri que nunca foi aberto ao público

Quem chega à Rua Francisco Antonio Russo, S/nº, Lote 16, Quadra D, na localidade de Engenheiro Pedreira, no município de Japeri, depara com uma ampla loja, mas de prateleiras vazias e com apenas uma porta aberta. Na fachada um banner imenso anuncia que ali está sediada a empresa DN Gril Produtos Alimentícios e que no local funcionaria um mercado, mas na verdade, relatam alguns vizinhos, aquele ponto comercial nunca teria sido aberto ao público. Entretanto, recentemente, a DN ganhou uma licitação no município de Maricá para fornecer 30.800 quilos de file de peixe. 

Apesar das portas fechadas, essa empresa foi contratada emergencialmente pela Prefeitura de Japeri em fevereiro do ano passado pelo total de R$ 2.249.607,28. O contrato foi auditado pelo Tribunal de Contas do Estado, que apontou superfaturamento de preços em 30 dos itens de gêneros contratados para a merenda escolar. É o caso, por exemplo, da farinha de aveia, item 9 da planilha, comprada a R$ 5,71 o pacote, valor 186,93% acima do preço apurado no mercado pelo TCE no período da compra, que embora tivesse sido feita com verba da Secretaria Municipal de Educação, não foi homologada pela secretaria, mas por Carlos Moraes Costa, então prefeito.