Abandono geral e irrestrito em Rio das Ostras

O Parque da Cidade está praticamente destruído e o descaso não poupou nem os pontos turísticos A cidade foi atingida por um fuçarão chamado má gestão

A situação encontrada no município de Rio das Ostras pelo novo governo mostra muito bem que dinheiro não é tudo numa administração. A gestão anterior que teve R$ 2,6 bilhões para administrar uma cidade considerada pequena perto de municípios como São Gonçalo, Nova Iguaçu e Duque de Caxias, onde, proporcionalmente falando, os recursos financeiros são bem menores diante de universos populacionais de mais de um milhão de habitantes, nada acrescentou e ainda deixou deteriorar o que já existia. A má administração afetou todos os setores e feriu gravemente a rede de Saúde. O Centro de Reabilitação (foto), por exemplo, está em estado precário por conta da falta de manutenção.

Guapimirim só atrasa salário da Educação se quiser

Jocelito Pereira anunciou o decreto de calamidade financeira em reunião com os secretários (Foto:Divulgação/PMG) Saldo de dezembro e mais repasse de janeiro cobrem dois meses

A Prefeitura de Guapimirim só não pagará em dia os professores da rede municipal de ensino se não quiser. Dados aos quais o elizeupires.com teve acesso mostram que teria ficado um saldo de pouco mais de R$ 3 milhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação referente aos repasses creditados durante o exercício de 2016, que passaram de R$ 25 milhões, sem contar uma sobra de R$ 1.622.641,52 de 2015 acrescida à receita do ano passado. O prefeito Jocelito Pereira de Oliveira, o Zelito Tringuelê (PDT) anunciou para os próximos dias a quitação do mês de dezembro para toda a categoria, mas, apesar da crise financeira ele não deverá ter problemas com os vencimentos dentro de sua gestão, pelo menos em relação aos servidores da Educação, que contam com recursos específicos para este fim, os créditos do Fundeb.

Dinheiro jogado no lixo em Rio das Ostras

O teto do pronto socorro municipal foi deixado nesta situação pela administração anterior Gestão anterior deixou estragar R$ 5 milhões em remédios, equipamentos e insumos

Bonito por fora, horrível por dentro. Está é a realidade do Hospital Municipal de Rio das Ostras, onde faltou de tudo até agora. Inclusive responsabilidade com a coisa pública, o que pode ser constatado na quantidade de material que terá de ser jogado fora, isto sem falar no grande volume de medicamentos com data de validade vencida encontrado na Secretaria de Saúde. A nova gestão encontrou camas hospitalares sem colchão e danificadas, mesas cirúrgicas abandonadas, tomógrafo, endoscópio e videolaparoscópio quebrados, sistema de refrigeração e réguas de oxigênio sem manutenção e falta de insumos em geral. Também foram encontradas 70 caixas lacradas de filmes de mamografias vencidos, material odontológico, 30 bobinas de papel para esterilização e 100 galões de 20 litros de revelador e fixador vencidos, um prejuízo de R$ 5 milhões segundo avalia o secretário Marcelino Dias Borba.

Saquarema tem dois “caciques”

Marido da prefeita estaria despachando mesmo sem ser secretário

Barrado no baile eleitoral pela Lei da Ficha Limpa, o ex-prefeito Antonio Peres Alves (foto), ficou de fora da disputa, mas não do poder. Embora não esteja nomeado para o secretariado ele tem sido visto na sede da Prefeitura de Saquarema, despachando e se reunindo com políticos e empresários. Peres é marido da prefeita Manoela Ramos de Souza Gomes Alves, lançada candidata em substituição a ele, que teve o registro impugnado pela Justiça Eleitoral. De acordo com informações de servidores, Peres tem comparecido com freqüência à sede do governo e até comandado reuniões. Segundo alguns vereadores, o município tem agora dois governantes. “Um de direito e outro de fato”, emendam.

Mudanças a vista no governo em Magé

Algumas secretarias ganharão novos titulares

O prefeito de Magé, Rafael Santos de Souza, o Rafael Tubarão (foto), vai anunciar nos próximos dias várias mudanças no governo, que passará a ter nova composição. O atual secretário de Governo, por exemplo, vai assumir a Secretaria de Saúde. A escolha de Miguelangelo Peligrino - que exerceu mandato de vereador até abril do ano passado e se licenciou do mandato para exercer cargo no Poder Executivo - já está definida, bem como a do segundo suplente do PMDB, o ex-vereador Amisterdam Santos Viana, que passará a comandar a Secretaria de Transportes. Miguelzinho, como Miguelangelo é mais conhecido, já vinha colaborando com o secretário Antonio Morado na reestruturação da rede de Saúde.

Manutenção de frota em Guapimirim não era à vera

Vários veículos foram encontrados sucateados, apesar dos gastos com peças e serviços (Foto: Divulgação/PMG) Prefeito fez licitação de R$ 2,9 milhões para consertar veículos, mas só deixou sucatas

O ex-prefeito de Marcos Aurélio Dias (foto) foi embora para casa, mas ainda vai ter muito o que explicar. O estado de terra arrasada verificado em Guapimirim pela equipe do novo governo sugere muito mais que má gestão, aponta para um misto de irresponsabilidade e descaso com a coisa pública por parte de uma administração que é apontada como a pior da história do município. Durante uma vistoria em um dos galpões usados pela Prefeitura - além de muita sujeira - foram encontrados vários veículos sucateados, um contra-senso, já que entre janeiro de 2013 e junho de 2016 a administração municipal teria gastado pelo menos de R$ 3,5 milhões com aquisição de peças e serviços de reparos em veículos de sua frota própria. 

Cinco municípios herdam dívidas de R$ 1,8 bi

Angra dos Reis, Cabo Frio, Nova Iguaçu, Petrópolis e Rio das Ostras estão entre as prefeituras mais endividada no território fluminense

O rombo nas finanças do município de Angra dos Reis é de R$ 374 milhões e pode ficar maior se a Prefeitura não tiver condições de cumprir o compromisso de começar a pagar, dentro de um ano, as 60 parcelas de um empréstimo feito para quitar três meses de salários atrasados e o 13º do funcionalismo. O prefeito Fernando Jordão (foto) recorreu à Justiça para que o fundo de previdência dos servidores liberasse seus recursos para o pagamento da folha, uma solução que pode gerar ainda mais problemas lá na frente. “O dinheiro da previdência municipal é dos servidores para sustentá-los na inatividade e não do governo. Se o empréstimo não for pago a instituição fica sem ter como honrar com os aposentados e pensionistas no futuro e aí a conta vai ter de ser paga pela Prefeitura, que continuará deficitária”, analisa o professor Henrique Bréssia, especialista em administração pública.

Ex-prefeito de B. Roxo não pagou professores porque não quis

Dinheiro do Fundeb não garantiu Natal dos profissionais de ensino

O Portal da Transparência da Prefeitura de Belford Roxo foi tirado do ar na primeira semana de outubro e isso pode ter ocorrido para esconder o que o ex-prefeito Dennis Dauttmam (foto) pretendia fazer com o dinheiro que entraria nos cofres da municipalidade nos últimos três meses de sua gestão: priorizar o pagamento a fornecedores e empresas prestadoras de serviços, em vez de pelo menos amenizar a situação de servidores que estão passando por necessidades. Esta semana, em um encontro com professores que o cercaram para cobrar o pagamento do mês de novembro e do décimo terceiro, o prefeito Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho, disparou: “O ex-prefeito não pagou a vocês porque não quis”.

Terceirizados da saúde ameaçam greve em Rio das Ostras

Trabalhadores cobram férias, décimo terceiro e o salário de dezembro

A cada dia uma descoberta e as novidades não são nada boas. Esta é a realidade vivida pela equipe do novo governo de Rio das Ostras, que está enfrentando hoje uma ameaça de paralisação dos funcionários terceirizados que atuam no serviço de limpeza e conservação das unidades de saúde, o que se acontecer afetará em cheio o hospital da cidade e o pronto socorro. Os trabalhadores são contratados da empresa Mississipi Empreendimentos, que alega não ter dinheiro para pagar o salário de dezembro que vence hoje, muito menos o décimo terceiro e as férias vencidas, pois desde julho não recebe os repasses da Prefeitura. Sem recurso em caixa para quitar as faturas atrasadas, o prefeito Carlos Augusto Balthazar está buscando uma solução junto à empresa, para que o serviço de limpeza continue sendo prestado. De acordo com alguns trabalhadores, os salários vem atrasando com frequência e no primeiro semestre eles chegaram a ficar dois meses sem receber. A dívida do Fundo Municipal de Saúde com a Mississipi Empreendimentos está acumulada em R$ 4,7 milhões.