O procurador da República Renato Machado denunciou a Cedae e dois de seus diretores por prática de crime ambiental na Reserva Biológica de Tinguá, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A ação é resultado de um inquérito civil público aberto pelo Ministério Público Federal (MPF), que apontou a estatal e dois diretores como “responsáveis por atividades de grande impacto ambiental, sem licenciamento”. Os réus são acusados de causar danos diretos à reserva por permitirem o funcionamento de empreendimentos de captação de água, a instalação de unidades de tratamento de água com flúor e a realização de obras em represas sem autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). No ano passado, a Cedae foi autuada por realizar obras de reconstrução das estruturas na reserva sem autorização e por não dar início ao processo de regularização da captação de água.
Segundo o promotor federal Renato Machado, o laudo técnico do ICMBio apontou que, “além da captação de água na reserva ser feita sem licença ambiental, há manipulação de produto altamente perigoso para o meio ambiente, o ácido fluorsilícico, oferecendo risco potencial de degradação”. De acordo com o MPF existem ainda máquinas pesadas no local, destruindo a vegetação. Ainda de acordo com o laudo, as atividades da companhia potencializaram os efeitos negativos de uma enxurrada que aconteceu em janeiro de 2013 e que destruiu as estruturas de represamento, captação e manobras da Cedae, aumentando a possibilidade de vazamento de produtos tóxicos para a vida humana e o meio ambiente.