Estudantes reclamam de falta de transporte em Japeri e secretário de Governo “paga mico” ao vivo em rede de televisão

Quem assistiu a edição desta sexta-feira (15) do jornal Bom Dia Rio, apresentado na parte da manhã pelo jornalista Flávio Fachel, na TV Globo, viu uma cena inusitada, o que os mais jovens costumam classificar como "pagação de mico". No momento em que a repórter Lívia Torres entrevistava alunos da rede municipal de ensino de Japeri – que reclamavam da falta de transporte escolar –, o secretário de Governo Rafael Soares chegou por trás e começou a falar sem ter sido chamado na conversa. Afirmou ser mentira o que um estudante dizia sobre a falta de ônibus. A repórter continuou com a matéria ao vivo e deixou o secretário falando sozinho...

O problema, gostem ou não o prefeito Cezar Melo e os membros de sua equipe de governo, existe. A falta de ônibus é fato e ocorre por culpa exclusiva da Prefeitura, que teve tempo de sobra para fazer uma nova licitação para os ônibus escolares e não o fez, assim como deixou para licitar depois do início do ano letivo o fornecimento de merenda escolar.

Números do transporte de estudantes ainda em segredo em Porto Real

Quantos ônibus, quantos alunos, quantos destinos, prefeito?

De acordo com documento oficial da Prefeitura de Porto Real, pequeno município do Sul Fluminense, a empresa Global Renta Car recebeu, durante o ano passado mais de R$ 1,7 milhão pelo transporte de estudantes universitários matriculados em outras cidades, serviço prestado através de um contrato firmado no dia 29 de agosto de 2017, renovado no ano seguinte. O que a administração não deixa revela é o tamanho da frota alugada para essa finalidade e quantos alunos são transportados. Como já foi revelado pelo elizeupires.com, em abril de 2016 o Tribunal de Contas do Estado suspendeu uma licitação para essa finalidade, por considerar salgado demais o preço que a Prefeitura estava se dispondo a pagar: R$ 2,6 milhões no período de um ano...

TJ adia licitação de cemitérios em Nova Iguaçu: edital traz os mesmos vícios que levaram o órgão a anular concorrência em 2016

Se o Tribunal de Contas do Estado não estivesse sido acionado uma concorrência pública com valor global mínimo fixado em R$ 476,8 milhões – sustentada por edital com indícios de direcionamento apontado pelo próprio órgão – teria acontecido no dia 10 de setembro do ano passado, repetindo um erro de 2016, quando processo licitatório com o mesmo objeto e também com direcionamento apontado, foi anulado pelo Tribunal de Justiça. Na última quarta-feira (6), se o TJ não voltasse se manifestar sobre a questão, o certame teria ocorrido e o mesmo grupo declarado vencedor em 2016 poderia ter vencido novamente. O objeto em questão é a concessão dos serviços funerários do município de Nova Iguaçu, voltada para a gestão dos cinco cemitérios da cidade...

A gestão dos serviços funerários de Nova Iguaçu vem sendo tratada no Tribunal de Justiça desde 2016, quando a empresa União Norte Fluminense Engenharia foi declarada vencedora da licitação realizada pela Prefeitura. O processo licitatório foi questionado na Justiça pelo Sindicato dos Cemitérios Particulares do Brasil, que apontou direcionamento e também restrição de competitividade, alegações acatadas pelo Tribunal de Justiça, que determinou a anulação da concorrência. O processo ainda não transitou em julgado, mas mesmo assim a Prefeitura resolveu abrir nova concorrência, com novo edital. Entretanto, apontando indícios de direcionamento também neste edital, no dia 22 de agosto de 2018 o TCE determinou o adiamento do certame, que foi remarcado e só não vai acontecer agora porque o Tribunal de Justiça assim decidiu.