Disputa acirrada incomoda Rosinha em Campos

Recebido com carinho nas ruas o candidato do PPS, Rafael Diniz, está liderando a corrida pela Prefeitura. Ele aparece com com 37,8% das intenções de voto (Foto: Reprodução/Facebook) Candidato do PR tem o maior índice de rejeição

Alvo de duas operações recentes da Polícia Federal - uma delas realizada ontem - e de inquéritos abertos pelo Ministério Público para investigar o uso do programa social Cheque Cidadão para favorecer os candidatos apoiados pelo governo municipal, a Prefeitura de Campos, município do Norte Fluminense, foi sacudida por mais uma notícia ruim para a prefeita Rosinha Garotinho: Francisco Arthur de Souza Oliveira, o Dr. Chicão (PR), tem o maior índice de rejeição entre o seis candidatos a prefeito (36.8%) e está em segundo lugar nas intenções de voto, somando 34,7%. Ele é apoiado por ela e pelo marido, o ex-governador e ex-prefeito da cidade, Anthony Garotinho.

Exploração política da pobreza está com dias contados

Pesquisa mostra que um terço da população da Baixada sobrevive com meio salário mínimo Fraude em programa social em Campos para compra de votos e distribuição de cesta básica na Baixada Fluminense são alvos da Justiça

No município de Campos, no Norte Fluminense, o programa social Cheque Cidadão foi ampliado, segundo denúncia do Ministério Público, de forma fraudulenta, em esquema de compra de votos que teria sido montado com aval da prefeita Rosinha Garotinho. Nos municípios de Magé e Belford Roxo as atenções estão voltadas para a distribuição de cestas básicas nos bairros periféricos, uma prática antiga de exploração da pobreza. No caso de Magé a troca de votos por alimentos chegou a fazer parte de uma pesquisa de intenção de votos realizada em junho, na qual 4,6% dos eleitores consultados responderam que votariam em determinado candidato porque ligaram o nome dele à distribuição de “bolsas com legumes”. O resultado da consulta - embora ela tivesse sido registrada junto à Justiça Eleitoral - não foi divulgado porque o mesmo nome apareceu com elevado índice de rejeição e foi citado por 24,2% dos entrevistados em resposta a seguinte pergunta: “Qual destes candidatos é mais ligado à corrupção?”

PF prende vereador por compra de votos

Ozéias declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 200 mil em espécie. Ele foi preso com lista de "favores" e R$ 27 mil E apreende dinheiro e uma lista de promessas

Candidato a reeleição pelo PSDB, o vereador Ozéias Azeredo Martins foi preso na noite de ontem pela Polícia Federal em Campos (município do Norte Fluminense) e autuado por corrupção eleitoral. O vereador, que declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 200 mil em espécie, foi flagrado comprando votos em uma casa do bairro Travessão. Com ele foram apreendidos R$ 27 mil, duas agendas com uma longa lista de promessas cumpridas e ainda a cumprir. Entre os “favores” feitos aos eleitores estão listados sacos de cimento, tijolos, cestas básicas, botijão de gás, pagamento de carnês da previdência social e até bolo de casamento. Nas listas os “favores” aparecem anotados ao lado dos nomes dos eleitores, alguns sinalizados como "atendido" ou "entregue". Além de Ozéias foram levados à Delegacia cinco pessoas que aguardavam atendimento.

Pesquisa mostra que dinheiro não é tudo em gestão pública

Aluízio teve até agora R$ 7,7 bilhões para administrar, mas a Prefeitura deve R$ 9 milhões ao Hospital São João Batista Índice Firjan avaliou as contas de 4.688 prefeituras em todo o país. A rica Macaé, lidera o ranking em sua região, mas a nível nacional perde para cidades mais pobres

Até a última sexta-feira a Prefeitura de Macaé registrava uma receita consolidada de R$ 1.150.516.765,79, o que representa mais da metade do orçamento do município para o exercício de 2016, fixado em de R$ 2,08 bilhões. Com isto, pode-se dizer, o prefeito Aluizio dos Santos Junior, o Dr. Aluizio, não tem do que reclamar. A maioria dos seus colegas não está conseguindo nem pagar em dia os salários dos servidores efetivos e em pelo menos 57 prefeituras os ocupantes de cargos comissionados - com em Belford Roxo, por exemplo - só recebem a cada dois meses, ficando sempre um salário para trás. Entretanto, mesmo com a receita não afetada, Macaé também está em crise. Se não financeira, de gestão, pois o doutor prefeito tem deixado de honrar compromissos que jamais poderiam ser adiados, como no caso da Irmandade São João Batista de Macaé, uma entidade filantrópica que administra o Hospital São João Batista, que está com repasses atrasados no total de R$ 9 milhões, embora em três anos e meio a Prefeitura tivesse arrecadado R$ 7,7 bilhões.

Mesmo na crise Macaé está “nadando” em dinheiro

Aluizio dos Santos Júnior teve até hoje mais de R$ 7,7 bilhões para administrar e ainda quer empréstimo de R$ 200 milhões Até ontem a Prefeitura já havia arrecadado mais de R$ 1 bilhão

Com mais de um milhão de habitantes o município de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, tem, para o exercício deste ano, um orçamento de R$ 1,244 bilhão, mas a estimativa é de que a receita liquida não passe de R$ 950 milhões, o que é muito ruim para uma população cheia de problemas e que sofre com a piora, a cada dia, dos serviços essenciais, exatamente pela falta de recursos. A 168 quilômetros de São Gonçalo está Macaé, que tem um universo populacional cinco vezes menor e o dobro da receita, mas o prefeito Aluizio dos Santos Junior, o Dr. Aluizio, diz depender da liberação de um empréstimo de R$ 200 milhões pelo Banco do Brasil a título de antecipação de créditos futuros dos royalties do petróleo.

Marajás de Macaé recebem não também do MP

Eduardo Cardoso foi um dos beneficiados pelas leis aprovadas na gestão de Riverton Mussi Altos salários gerados por incorporações consideradas irregulares continuam sendo discutidos na Justiça, mas a suspensão dos pagamentos está mantida. Um fiscal de obras estava recebendo R$ 66 mil por mês

A cidade de Macaé, no Norte Fluminense, não é apenas a Capital Nacional do Petróleo. Destaca-se também como um verdadeiro eldorado para um grupo seleto de servidores, pessoas que, graças as incorporações consideradas irregulares que vem sendo discutidas na Justiça, chegavam a ganhar mais de R$ 60 mil por mês, caso, por exemplo, de um fiscal de obras, que até o  fim do ano passado, quando o pagamento de incorporações foi cortado pelo prefeito Aluizio dos Santos Junior, tinha um contracheque de R$ 66.792,13. Recentemente o Tribunal de Justiça suspendeu os efeitos de uma liminar que garantia os autos salários e na semana passada a Prefeitura ganhou mais um aliado nessa briga: o Ministério Público expediu uma recomendação ao governo e à previdência municipal para que não sejam pagas incorporações aos servidores ativos ou inativos, decisão tomada pela 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva Núcleo Macaé.

Obra patrocinada restaura patrimônio e conserva a história

O presidente Juscelino Kubitschek recebeu Nat King Cole na biblioteca do palácio (Foto:Acervo do governo estadual) Até o fim do ano o Palácio Laranjeiras será aberto para visitas guiadas

Fechado para obras de restauração há quatro anos, o Palácio Laranjeiras vai receber visitas guiadas a partir de dezembro. A construção histórica está sendo recuperada com recursos da Petrobras e de mais 12 empresas. A ideia é contar ao público as histórias que o palacete guarda, pois passaram por lá personalidades mundiais como a atriz Kim Novak, o poeta Manuel Bandeira, o Papa João Paulo II, além de presidentes estrangeiros como Gabriel Gonzalez Videla, do Chile, e Harry Truman, dos Estados Unidos. Nele também foram lá recebidos Pixinguinha e Ataulfo Alves e os americanos Louis Armstrong e Nat King Cole, recebidos pelo presidente Juscelino Kubitschek.

Irmão de Garotinho pega 12 anos de prisão por estupro

Nelson Nahim Matheus de Oliveira, apontou a acusação, tinha uma preferida de 15 anos Nelson Nahim Matheus de Oliveira e mais 13 homens foram condenados por explorar crianças e adolescentes em Campos, onde nove dos acusados cumpriram mandatos de vereador

Terminou com a condenação de 14 réus o caso que ficou conhecido no Norte Fluminense como “Meninas de Guarus”. A juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, em exercício na 3ª Vara Criminal de Campos dos Goytacazes, condenou a penas que variam de 6 a 31 anos de prisão os 14 acusados de envolvimento na exploração sexual de crianças e adolescentes. Um dos réus é o ex-vereador Nelson Nahim Matheus de Oliveira, irmão do ex-governador Anthony Garotinho, sentenciado a 12 anos de reclusão em regime fechado pela prática dos crimes de estupro e coação no curso do processo.

Atenções redobradas em Macaé

Mesmo em tempo de crise a cidade governada por Aluízio dos Santos Junior é chamada de "Capital do Petróleo" Bravata de pré-candidatos que dizem ter muito dinheiro para gastar chama a atenção das autoridades para a Capital Nacional do Petróleo

Um diz que teria R$ 80 milhões garantidos para gastar na campanha eleitoral, outro afirma que pré-candidatos a vereador já estariam comprando votos e há quem diga que na periferia da cidade a cópia de um titulo de eleitor estaria custando R$ 75 agora, com a promessa de mais R$ 75 no dia da eleição para uma boca de urna que é proibida por lei, mas tem rolado a vontade nos últimos pleitos na maior parte das cidades fluminenses, com uma diferença: a boca de urna não é mais aquele negócio de contratar pessoal para a distribuição de “santinhos” nas proximidades dos locais de votação, mas o voto na urna, propriamente dito.

Crise? Que crise é essa, prefeito?

Aluízio cuida de 240 mil moradores e tem R$ 2 bilhões para isso, enquanto Neilton governa uma cidade com mais de 1 milhão de habitantes e não vai arrecadar mais que R$ 1 milhão este ano Macaé já arrecadou este ano mais de R$ 2 bilhões, mais que o dobro da receita de São Gonçalo, município quatro vezes maior em termos de população

Com cerca de 240 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE, o município de Macaé, no Norte Fluminense, arrecadou, entre 1º de janeiro e 15 de novembro deste ano, R$ 2 bilhões e ainda assim o prefeito Aluízio dos Santos Júnior reclama de um déficit de R$ 200 milhões. A choradeira do prefeito de uma das cidades mais ricas do Brasil choca moradores de municípios como São Gonçalo, na Região Metropolitana, que tem quase 1,050 milhão de moradores e uma previsão de receita fixada em R$ 1,2 bilhão no orçamento aprovado para este ano, mas que não deverá chegar a R$ 1 bilhão, o que está levando o prefeito Neilton Mulim ao desespero. Se o prefeito Aluízio Junior lamenta o déficit gerado pela redução nos repasses dos royalties, Mulim arranca os poucos cabelos que lhe restam, pois sua cidade tem quatro vezes o universo populacional de Macaé e dez vezes mais problemas.