Prefeitura de Magé teria pago por peças para veículos fictícios e da Associação SOS Núbia, aponta denúncia do Ministério Público

Uma licitação homologada em abril de 2009 pela então prefeita Núbia Cozzolino para a compra de R$ 622 mil em autopeças, pode complicar ainda mais a vida dela e de três ex-secretários. É que do contrato firmado a partir desse processo licitatório constou fornecimento de itens para veículos que não poderiam ser usados pelo governo, pois estavam em situação irregular junto ao Detran; outros inexistentes na base de dados do órgão, uma kombi que na verdade é uma motocicleta particular, além de uma ambulância e uma pick-up pertencentes à Associação SOS Núbia, entidade da ex-prefeita, que está presa desde o dia 24, mas pode vir a ser solta por razões de saúde. A nova denúncia foi apresentada ao juízo criminal de Magé no início do mês pelo Ministério Público (confira aqui).

A licitação foi feita para compra de 812 itens de peças para 28 veículos que estariam sendo usados pela Secretaria de Educação, e 998 para 26 carros da frota da Secretaria de Saúde, segundo apurou o MP, em quantidade muito superior a necessária para cada veículo.

Advogado vê ‘abuso de poder’ na prisão de Núbia Cozzolino: pedido de habeas corpus foi impetrado no plantão judiciário

O advogado João Francisco Neto – que defende a ex-prefeita Núbia Cozzolino – impetrou habeas corpus no plantão judiciário do Tribunal de Justiça, para tentar soltar sua cliente, presa na manhã de sexta-feira (24), desta vez por manter 459 procedimentos administrativos da Prefeitura de Magé referentes aos mandatos dela, em um escritório particular. No recurso o advogado cita que Núbia "se encontra submetida a manifesto constrangimento ilegal" e fala em "abuso de poder" por parte do juízo da Vara Criminal da Magé.

"É inacreditável a situação vivenciada pela paciente, presa em sua residência no dia de ontem, pela quarta vez, numa obsessão punitiva injustificável", diz um trecho da petição, lembrando que o mesmo juízo decretou a prisão dela por três vezes, decreto derrubados por liminares concedidas pelo ministro Sebastião Reis Junior do Superior Tribunal de Justiça em novembro do ano passado.

Presa pela segunda vez, Núbia Cozzolino vai responder também por fraude em licitação para compra de peças para veículos

De volta à prisão desde a manhã de ontem, dessa vez por ocultação de documentos da Prefeitura de Magé, a ex-prefeita Núbia Cozzolino está respondendo, também, por processos de licitação realizado para compra de peças para veículos que teria sido realizado de forma fraudulenta. Essa denúncia foi ajuizada pelo Ministério Público no dia 3 de maio. Já a prisão de ontem (24) ocorreu porque, no dia 1 de novembro do ano passado, quando ela e quatro advogados foram presos sob a acusação de fraude processo e falsificação de documentos públicos, o MP encontrou no escritório dela 459 procedimentos administrativos da Prefeitura no escritório dela, papeis que, segundo o MP, eram ocultados "para benefício próprio e em prejuízo ao município".

Segundo o Ministério Público, Núbia "ocultava os documentos de forma indevida desde a época em que foi afastada do cargo de prefeita por decisão judicial, em 2009". Relata ainda o MP, que "a retirada desses documentos das dependências da Prefeitura teve o propósito de ocultar centenas de ilegalidades constantes desses autos".