Empresas faturam alto na Baixada alugando o que não tem

Em Nova Iguaçu "latas velhas" circulam com a logomarca do governo municipal. Prestam serviços à Codeni e à Emlurb, órgãos da Prefeitura Elas vencem licitações, assinam contratos milionários e depois alugam os equipamentos para relocarem para as prefeituras. Serviço poderia custar menos se os municípios optassem por empresas mais estruturadas. Em Gaupimirim ex-prefeito, junto com seis firmas, foi condenado a devolver R$ 42 milhões

A empresa GM Fonseca 6768 Comércio e Distribuidora não é a única sem frota de caminhões ou máquinas a firmar contratos volumosos com prefeituras da Baixada Fluminense, onde só os municípios de Nova Iguaçu, Nilópolis, São João de Meriti, Mesquita e Queimados gastam cerca R$ 40 milhões por ano com a prestação desses serviços. Alguns contratos assinados para essa finalidade na região e no interior estão sob investigação do Tribunal de Contas do Estado, que no ano passado apontou várias irregularidades na locação desses equipamentos em Guapimirim. Em São João de Meriti a administração municipal terá de explicar como homologou o contrato com a GM Fonseca, se essa não oferecia nenhuma garantia, pois, como o seu próprio representante afirmou, não tinha capital de giro para assegurar a prestação do serviço. A Prefeitura terá de esclarecer ainda com quantos terceirizados a GM operava e onde as maquinas e os caminhões caçambas locados atuaram no período em que a empresa foi paga, além de quanto cada equipamento efetivamente custou.

Contratos esquisitos em São João de Meriti

A loja que seria a sede da empresa Redações está fechada há meses e o imóvel 1.283 da Rua Professor Darcy Ribeiro é uma residência que na Receita Federal consta como sede do PDT de Tanguá A Prefeitura comprou mais de R$ 2 milhões em materiais gráficos com quatro empresas diferentes e duas delas não funcionam nos locais mencionados nos contratos. Uma das fornecedoras dá como sede endereço que na Receita Federal consta como sendo do diretório do PDT de Tanguá, mesmo partido do prefeito Sandro Matos e de seu 'irmão', o deputado Marcelo Viviane, o Marcelo Matos

Entre os dias 7 de fevereiro e 27 de março de 2014 a Prefeitura de São João de Meriti firmou cinco contratos para compra de material gráfico com quatro empresas diferentes e pelo menos duas delas não foram encontradas nos endereços que aparecem nos contratos e em seus respectivos cadastros de pessoa jurídica. A loja 3 do número 19 da Rua Valdevino da Silva, no bairro Vila Cortes, em Tanguá, por exemplo, consta como sede da Redações Papeis e Editora (que tem um contrato de R$ 804.250,00), mas está vazia há vários meses e a vizinhança diz nunca ter ouvido falar da empresa por lá. Do outro lado da cidade, no bairro Pinhão, no número 1.283 da Rua Professor Darcy Ribeiro, pelo que está no contrato, funcionaria a HP Publicidade, Papelaria e Editora, contratada por R$ 415.440,00, mas o endereço consta na Receita Federal como sendo da sede do Diretório Municipal do PDT. Na via o que existe mesmo com o nome HP é um haras, mas não há registro, pelo menos por enquanto, de que a administração municipal tenha comprado cavalos.

Guapimirim não quer mais um `fantoche´

Guapimirim sonha com um governo sem mamulengos Lideranças locais temem interferência de correntes `estrangeiras´

Na mira de grupos políticos de fora, o município de Guapimirim deverá ter pelo menos quatro candidatos a prefeito em 2016, nomes locais, mas pelo menos uma dessas candidaturas já estaria sendo abanada por correntes de Duque de Caxias e São João de Meriti, apoio sustentado por interesses meramente mercantis, no entender dos observadores mais antenados. “Estamos cansados das interferências. Não precisamos de mais um fantoche. Queremos é um prefeito de verdade, alguém com compromisso apenas com o povo”, diz uma liderança local,  revelando temer o futuro.

Subserviência do prefeito compromete Guapimirim

O prefeito Marcos Aurélio Dias parece assombrado pelo ex-prefeito Junior do Posto, o que preocupa muito os seus poucos aliados no governo Contratos com ONG sangrou os cofres públicos e feriu a imagem da cidade, que ainda sente a sombra de ex-gestor com a permanência direta ou indireta de 'eminências pardas'

Quando, em 2011, o então prefeito de Guapimirim Renato da Costa de Mello Junior, o Junior do Posto, firmou um contrato no valor global de R$ 34 milhões com a organização não-governamental Casa Espírita Tesloo, controlada pelo major reformado da Policia Militar Sérgio Pereira de Magalhães, mais que driblar a Lei de Responsabilidade Fiscal no tocante a contratação de pessoal e onerar os cofres públicos com remunerações superfaturadas, estava  queimando o filme da cidade, o que foi comprovado um ano depois. Afastado o prefeito, ascendeu o vice que, mesmo depois de eleito prefeito em 2013, manteve o contrato considerado como ilegal, assumindo os riscos de aceitar uma herança maldita, que além da Tesloo, reuniria outros interesses do ex-prefeito. Se parte da receita já estava comprometida, o sucessor bem que poderia ter escolhido melhor sua equipe, em vez de aceitar imposições. Não o fez e agora paga o preço alto cobrado daqueles que por inexperiência, excesso de confiança ou má-fé mesmo, acabam metendo os pés pelas mãos.

Câmaras não têm poderes para afastamento temporário

Alessandro quis aprovar lei inconstitucional para se dar poderes e afastar o prefeito de Casimiro de Abreu e Wagner está achando que é, ao mesmo tempo, investigador, promotor e juiz Magistrado toca em ponto nevrálgico ao decidir pelo retorno do prefeito de Seropédica

Em abril deste ano um escândalo interno na Câmara de Casimiro de Abreu tornou público que uma lei inconstitucional estava entrando no forno para servir de moeda de troca. Por ela os vereadores poderiam, a hora que bem entendessem, afastar o prefeito temporariamente, sem qualquer julgamento e independente de culpa formada. Sem alternativa, os membros da Casa meteram a viola no saco e reprovaram a ideia do presidente Alessandro Macabu de Araújo, o Pezão. Na última quarta-feira um juiz da Comarca de Seropédica, ao bater o martelo determinando o retorno do prefeito Alcir Martinazzo ao cargo, sacramentou: “a Câmara de Vereadores não tem competência para afastar liminarmente o chefe do Executivo, antes de concluído o julgamento”. Essa afirmação, além de baixar a bola dos vereadores daquele município, ecoou como recado direto estado a fora, onde sob ameaça de um afastamento temporário muitos prefeitos acabam cedendo à pressões e fazendo o jogo de presidentes de Câmaras mal intencionados, que querem ser, a um só tempo, investigadores, promotores e juizes.

Guapimirim pensa que investir em turismo é gastar recursos públicos com aluguel de tendas, palcos e banheiros químicos

O projeto de turismo ecológico mais conhecido não tem nenhuma ajuda da administração municipal Entre janeiro de 2013 e 31 de julho deste ano a Secretaria de Turismo de Guapimirim teve uma despesa total de R$ 6,8 milhões e não há nenhuma informação sobre onde, em que e para que fora gasto esse dinheiro, uma vez que a contabilidade parece trancada numa espécie de caixa-preta, a qual a Prefeitura não abre de jeito algum. Como nenhum projeto visando a incrementação do setor no município - que tem um grande potencial para o turismo ecológico - saiu do papel nesse período, pode se dizer que a única atuação da secretaria está na organização das festas em comemoração do aniversário da cidade e na promoção do carnaval oficial, eventos que parecem agradar mais as empresas locadoras de tendas, banheiros químicos e palcos para shows, que ao povo propriamente.

Recentemente membros da Câmara de Vereadores foram alertados sobre supostas irregularidades na locação de banheiros químicos para o carnaval de 2014 e o deste ano, mas até agora não foi dado um passo sequer no sentido de buscar esclarecer os fatos, já que a Prefeitura não disponibiliza de forma clara informações sobre essas despesas. A administração municipal não explica, por exemplo, como consumiu R$ 3.210.376,00 de uma dotação orçamentária de R$ 3.559.162,38 empenhada para o exercício do ano passado e os R$ 3.040.102,37 gastos em 2013, muito menos o total de R$ 1.568.069,74 gasto até o dia 31 de julho. 

O aliado de ontem e o adversário de amanhã

Marcio Catão e Wesley Pereira hoje são titulares 'Namoro'' entre prefeitos e vices dura pouco. 'Relação' quase sempre termina com um querendo tomar o lugar do outro

O sonho de todo reserva é ser titular um dia, mesmo que essa ascensão aconteça sobre a desgraça do dono da posição e essa máxima não vale apenas no esporte mais popular no Brasil, o futebol, mas também na política. É o que sugere o azedume que transformou as relações entre prefeitos e vice-prefeitos na maioria das cidades fluminenses, principalmente na região da Baixada, onde seis das 13 chapas vencedoras das eleições de 2012 estão divididas e outras duas os prefeitos foram apeados do cargo. Os vices alegam divergências políticas, mas quem acompanha de perto a realidade dos municípios sabe muito bem que o desentendimento se dá mesmo é pelo poder, pois na maioria das vezes o vice querem cargos importantes e mandarem tanto quanto os prefeitos, como se já não soubessem que ao comporem as chapas colocaram seus nomes para uma reserva e não para uma titularidade.

Manifestação pró-Comperj reúne 13 municípios

Nestor: 'Essa manifestação é pela empregabilidade, pela redenção econômica dos municípios no entorno do Comperj' Cerca de três mil moradores de Araruama, Cachoeiras de Macacu, Itaboraí, Guapimirim, Magé, Niterói, Nova Friburgo, Rio Bonito, Saquarema, Silva Jardim, São Gonçalo, Tanguá e Teresópolis, agentes políticas e representantes de entidades de classe participaram de ato no centro do Rio

Cerca de três mil pessoas de 13 municípios fluminenses participaram hoje de uma manifestação pela conclusão das obras da refinaria do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), que está com 82% do projeto executado, mas foram paralisadas pelo corte no programa de investimentos da Petrobras. Os manifestantes saíram de suas cidades em cerca de 100 ônibus e seguiram para a Avenida Chile, no centro do Rio, onde fica a sede da estatal. Participaram do ato moradores e agentes políticos de Araruama, Cachoeiras de Macacu, Itaboraí, Guapimirim, Magé, Niterói, Nova Friburgo, Rio Bonito, Saquarema, Silva Jardim, São Gonçalo, Tanguá e Teresópolis, que integram o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Leste Fluminense. A manifestação terminou agora a pouco com um abraço simbólico na sede da Petrobras. "O movimento Juntos Pelo Comperj chama a atenção do governo federal para a necessidade da conclusão das obras da refinaria. O Complexo Petroquímico é de grande importância para a nossa região, mas se pelo menos a refinaria entrar em operação já vai ser um grande avanço. Falta só um pouquinho para ela ser concluída", disse o prefeito Nestor Vidal, de Magé.

Empresa de sorte fatura alto em Guapimirim

Locação de tendas e banheiros químicos tornou-se um excelente negócio no município de Guapimirim Recém-aberta conseguiu um excelente contrato com a Secretaria Municipal de Turismo

Localizada no bairro Vila Isabel, no município de Três Rios, no interior fluminense, a empresa MV Locações e Eventos pode ser considerada “pé quente” no mercado e a continuar esse ritmo seus controladores deverão ter um excelente futuro. É que ela foi aberta no dia 1º de agosto de 2014 e logo de cara conquistou um grande cliente, o município de Guapimirim: obteve, através da Secretaria de Turismo, um contrato para locação de tendas no valor de R$ 129.347,60, que consta como quitado no dia 23 de dezembro de 2014. A despesa foi feita na conta do Fundo Municipal de Turismo e as únicas informações disponíveis são sobre o total pago e o objeto do contrato (serviços de locação de tenda aberta - 10 x 10), sem especificar a quantidade, período da locação e custo unitário). Essa não é a única despesa sem informações claras. Os números e os valores das locações de banheiros químicos feitas em 2014 e este ano também parecem guardados no numa espécie de caixa-preta.

Profissionais de várias áreas desistem de Guapimirim

Marcos Aurélio enfrenta problemas na Justiça e na Câmara. Aliados dizem que isso acontece por falta de pulso Quem sai reclama de má gestão e da falta de condições de trabalho

"O prefeito parece ser um cara legal, mas não manda nada e deixa alguns secretários fazerem o que bem entendem. Não dá para trabalhar numa cidade assim". Esse parece ser o pensamento comum entre servidores municipais de Guapimirim, principalmente no setor de Saúde, cujas contas estão sendo devassadas pelo Ministério Público por causa de denúncias de supostas irregularidades. Algumas delas já resultaram em ação civil pública contra o ex-secretário de Saúde, Eliel Ramos e o prefeito Marcos Aurélio Dias, que só não foi afastado do cargo porque a Justiça rejeitou o pedido apresentado pelo MP.