O que deveria acontecer de maneira simples, com as informações solicitadas oficialmente sendo encaminhadas também de forma oficial - como manda a lei -, com o Poder Executivo enviando a documentação exigida ao Legislativo, está virando novela em Valença, cidade do interior fluminense, mostrando, em capítulos, no mínimo, que a administração municipal está desorganizada. A “bagunça”, ou “zona”, foi questionada no plenário da Câmara pelo vereador Marcelo Moreira, o Marcelo do Didi, insatisfeito com a forma que o Executivo vem tratando o Legislativo em relação ao requerimento de prestação de contas dos gastos feitos por secretários, assessores e o próprio prefeito Álvaro Cabral, em viagens pagas através de processos de ajuda de custo, sem que os comprovantes sejam apresentados. “Tem que haver respeito com o Legislativo. Se não isso aqui, com perdão da palavra, vai virar zona, mas uma zona deve ser mais organizada que o Executivo hoje”, disse o vereador.
A colocação de Marcelo foi feita no momento em que tentaram arrancar dele a afirmação de que a ajuda de custo e as despesas feitas com ela pelo secretário de Assistência Social, Marcio Vieira Martins, estavam dentro da legalidade. O parlamentar respondeu que não poderia afirmar tal coisa porque os documentos por ele solicitados através de requerimento aprovado em plenário anda não lhe havia sido entregues e que a chegada da papelada à Casa não se deu pelo trâmite oficial, mas sim através da vereadora Michele Cabral, esposa do secretário. Além disso, ainda que se desse de forma oficial, pontuou Marcelo, o requerimento não estaria sendo respondido, pois a papelada é relacionada apenas ao processo do secretário e o requerimento pede comprovantes de despesas relativos a um total de oito processos. “Pedi informações sobre oito processos e não recebi nenhum comprovante de despesa, tíquetes de passagem, nota de hospedagem e certificados de participação em eventos. O que recebi foi uma relação de processos, a mesma enviada anteriormente”, completou Marcelo Moreira.