Preço do voto na Baixada variou de acordo com a cara do eleitor

De acordo com as denúncias, houve quem pagasse R$ 30 em Magé, R$ 50 em Guapimirim, R$ 80 em Belford Roxo, R$ 100 em Japeri e quatro dos compradores denunciados foram declarados eleitos pela região

No blablabá das campanhas eleitorais aparece sempre alguém com o discurso clichê, o lugar comum do "voto não tem preço, tem consequências", mas, infelizmente, em pleno século 21, contata-se que o sufrágio depositado nas urnas tem preço sim, é muito barato e as consequências para quem compra, agencia ou vende, apesar das promessas de punição feitas pela Justiça, tem sido mínimas até agora. No último domingo foram feitas várias prisões na Baixada Fluminense e procedimentos investigativos estão sendo abertos pelo Ministério Público. No município de Magé, por exemplo, um agenciador que seria ligado a um deputado estadual eleito, foi detido e conduzido à Polícia Federal. Em Guapimirim aconteceu a mesma coisa com um agenciador que estaria atuando para o mesmo candidato. A prática, pelo que já foi levantado, era a mesma. A diferença estava nos valores oferecidos aos eleitores: R$ 30 em Suruí e R$ 50 em Guapimirim, preços bem inferiores ao que teriam sido praticados em Duque de Caxias, Belford Roxo e Japeri.

Pelo menos em quantidade uma boa representação

Baixada Fluminense terá 21 deputados a partir de 2015

Em 2010 a então vereadora de Nova Iguaçu, Rosangela Gomes, foi eleita deputada estadual pelo PRB com pouco mais de 10 mil votos. Quase não se ouviu falar o nome dela na Assembleia Legislativa e nem se tem notícia de uma atuação firme em favor de sua região de origem, mas, dessa vez, foram mais de 100 mil votos para deputada federal, milagre operado pelo engajamento dos fieis da Igreja Universal do Reino de Deus. Rosangela, que entrou muda e sai calada da Alerj, agora vai para Brasília, onde atuará ao lado dos reeleitos Felipe Bornier (PSD), Washington Reis (PMDB), Simão Sessim (PP) e Marcelo Viviani Gonçalves, o Marcelo Matos (PDT). Com ela estrearão na Câmara dos deputados João Ferreira Neto (PR),  de São João de Meriti  e o empresário radicado em Itaguaí Alexandre Valle Cardoso (PRB).

Magé vive um dia tranquilo de votação

Faltando menos de três horas para o encerramento da votação, a eleição segue em clima de tranquilidade no município de Magé, ao contrário de algumas cidades da Baixada Fluminense. Ao todo, na região, até às 14h, 75 pessoas havia sido presas em Duque de Caxias, Belford Roxo, Nova Iguaçu e Queimados pelo crime de boca de urna. Em todo o estado 22 candidatos foram detidos, entre eles Bombeiro Nascimento, João Baptista, Marcelo Borges e Everton Gomes. Em Nova Iguaçu o senador Lindberg Farias, candidato a governador pelo PT, chegou a ser ofendido por eleitores quando saía de uma seção eleitoral no centro da cidade, onde foi votar por volta das 11hs, mas não houve maiores consequências.

O clima de tranqüilidade verificado durante a votação em Magé, segundo a candidata a deputada estadual pelo PRB, Sonia Stoffel, a Soninha, reflete a realidade atual do município. “Magé vive, nos últimos anos, um clima de liberdade e isso levou o mageense a se conscientizar de que énão preciso tumultuar para expressarmos a nossa vontade. O tempo da imposição já vai longe”, disse Soninha, que votou no Colégio Cenecista Visconde de Mauá, no centro de Piabetá.

Justiça vai enquadrar tanto quem compra como quem vende voto. Um esquema já foi desmontado no Norte Fluminense

De posse de vários relatórios sobre esquemas de compra e venda de votos para candidatos a deputado federal e estadual, a Justiça e o Ministério Público Eleitoral vai jogar pesado contra o jogo sujo que afeta várias cidades, o esquema de compra e venda de votos disfarçado de "boca de urna", quando, a pretexto de distribuir panfletos no dia da eleição - o que também é proibido pela legislação e tipificado como crime -  eleitores são recrutados para trabalharem para determinados candidatos. Há informações que esse esquema estaria sendo montados em municípios como Magé, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Mesquita, Nova Iguaçu, Queimados e Japeri por postulantes de vários partidos, repetindo uma prática criminosa antiga, pela qual vinha sendo enquadrados apenas os compradores. Dessa vez, entretanto, o pau que der em Chico vai cantar no lombo de Francisco e quem vende também vai ter de se ver com a Justiça.

Na última quarta-feira, por exemplo, um esquema de compra e venda de votos foi desmontado no município de São Fidelis, no Norte Fluminense, onde agentes fiscais da a 35ª Zona Eleitoral apreenderam R$ 1,3 mil em espécie, cerca de 40 cópias de títulos de eleitor e diversos santinhos de um candidato a deputado estadual pelo PTC. O material estava em um salão de beleza, no bairro Vila dos Coroados, onde uma eleitora foi flagrada supostamente  vendendo seu voto. Ela, o responsável pelo local e o material apreendido foram levados para a Delegacia de Polícia Federal de Campos.

Ex-deputado diz ser pai de filho alheio na disputa por votos em Magé

Ele era vereador em Duque de Caxias quando, em agosto de 2011, uma semana após o prefeito Nestor Vidal ter assumido a Prefeitura, em reunião no Palácio Guanabara, definir um pacote de obras para Magé junto ao governador Sérgio Cabral. Nesse encontro foi acertada a construção do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) de Magé, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Piabetá e das obras de infraestrutura através de dois programas da Secretaria Estadual de Obras, o Bairro Novo e Asfalto na Porta. Agora, depois dessas obras realizadas e de outras em andamento, ele tem dito nas ruas, em campanha eleitoral, na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa, ter sido o responsável por essas realizações.

O ele em questão é o suplente de deputado estadual Ricardo Correia de Barros, o Ricardo da Carol, que assumiu, por pouco mais de um ano, o mandato de deputado (de fevereiro de 2013 a abril de 2014), na vaga do titular da cadeira, Gustavo Tutuca, que se licenciou para assumir a Secretaria de Ciências e Tecnologia. Com a volta de Tutuca à Alerj Ricardo ficou sem o mandato temporário e está nas ruas em campanha por uma vaga na Assembleia Legislativa, dessa vez pelo PMDB. É nessa campanha que vem sendo distribuída propaganda atribuindo a ele a paternidade de filho a alheio, a exemplo do que o deputado federal Hugo Leal tem feito em relação a autoria da Lei Seca, da qual ele foi apenas o relator.

Oito ex-prefeitos dependem do TSE para manterem-se candidatos

Ex-prefeito de Duque de Caxias, José Camilo dos Santos, o Zito, está em campanha para deputado estadual. Sua candidatura pelo PP foi deferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), mas o Ministério Público Eleitoral recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar impugná-lo, mesma situação em que se encontra o ex-prefeito de Magé, Rozan Gomes (PTB), também candidato a uma cadeira na Assembleia Legislativa. Em posição mais delicada estão outros seis ex-prefeitos, que foram impugnados pelo TRE-RJ a pedido da Promotoria Eleitoral. Zito e Rozan aparecem no site que divulga as candidaturas com o status “deferido com recurso).

Candidatos a deputado estadual, Riverton Mussi (PMDB) e Carlos Augusto Balthazar (PSL), ex-prefeitos de Macaé e Rio das Ostras, respectivamente, segundo advogados que conhecem a situação processual dos dois, são os que se encontram em situação mais difícil, mas seus defensores, não pensam assim. Quem também teve suas candidaturas impugnadas pelo TRE-RJ e apelaram ao TSE são os ex-prefeitos Celso Jacob (Três Rios), Marcos da Rocha Mendes (Cabo Frio), Anabal de Souza (Seropédica) e Aparecida Panisset (São Gonçalo). Esses seis nomes têm o status “indeferido com recurso” e nesses casos, diz a legislação, se os recursos impetrados no TSE não forem julgados antes do pleito os votos a eles conferidos são computados em separado, passando a ser contabilizados só depois do julgamento e se a decisão do TSE lhes for favorável.

Baixada e São Gonçalo terão policiamento reforçado

Enquanto isso Magé segue sem confrontos com a polícia, mesmo com até toque de recolher

Os moradores dos municípios de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, terão mais segurança na próxima semana. O reforço foi anunciado pelo secretário estadual da pasta, José Mariano Beltrame. Segundo o secretário de Segurança, o reforço no policiamento vai acontecer também em São Gonçalo. “Temos um plano que vai ser implantado tanto na Baixada Fluminense quanto em São Gonçalo, exatamente em lugares onde identificamos uma mancha criminal. Nestas regiões, estou lançando, semana que vem, ações focadas em Nova Iguaçu, Duque de Caxias, além de Alcântara”, disse o secretário, que anunciou ainda a implantação de uma UPP no Complexo do Chapadão, que envolve as favelas da Pedreira, Lagartixa, Chapadão, Final Feliz e Quitanda.

Duplicação da Magé-Manilha só estará concluída em 2017

Iniciada com um atraso de quase dois anos, a duplicação da BR-493, mais conhecida como Estrada Magé-Manilha, só estará concluída em julho de 2017. Pelo menos é essa a previsão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), órgão do Ministério dos Transportes, que está investindo R$ 405 milhões no projeto. As obras físicas começaram há poucos dias, mas o consórcio que venceu a licitação iniciou os trabalhos em fevereiro e os engenheiros envolvidos no projeto não acreditam em atraso na conclusão do trecho de 25,2 quilômetros, de Itambi (Itaboraí) a Santa Guilhermina (Magé).

As obras de duplicação completarão o Arco Metropolitano, a Rodovia Raphael de Almeida Magalhães, trecho mais novo da BR-493, trecho mais novo da BR-493, com 71,2 quilômetros, que somado aos 22 quilômetros de Santa Guilhermina a Saracuruna (BR-116) e aos 26 quilômetros de Itacuruça a Mangaratiba (BR-101-Sul, Rio-Santos), chega aos 145 quilômetros que integrarão Itaboraí, Guapimirim, Magé e Duque de Caxias aos municípios de Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí, gerando grandes oportunidades sociais e econômicas, consolidando, dizem os especialistas em mobilidade e logística, o estado do Rio de Janeiro “como um dos principais centros logísticos do país, além de impulsionar o desenvolvimento econômico, gerando emprego e renda principalmente na Baixada Fluminense”.

Irregularidades em construção de hospital dá prejuízo em Caxias

Construtora e agentes públicos terão de devolver R$ 3,3 milhões aos cofres públicos

Uma série de irregularidades na construção do Hospital Municipal Dr. Moacyr do Carmo, inaugurado na gestão do prefeito Washington Reis, atualmente deputado federal pelo PMDB, causou um prejuízo de mais de R$ 3 milhões aos cofres da Prefeitura de Duque de Caxias. Por causa disso o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) condenou a Delta Construções S/A, o ex-diretor do Departamento de Obras Contratadas, Ricardo Soqueiro Bravo, e dois fiscais a devolverem R$ 3.303.659,42 ao erário público. Segundo auditoria da corte de contas, ocorreram diversas irregularidades na escavação das obras de construção do hospital e de melhorias na Avenida Presidente Kennedy e na Rodovia 105.

Onde e em que a Câmara de Caxias gasta R$ 50 milhões por ano?

Essa é uma pergunta que o comando do Legislativo local não responde

Com um histórico de gastos mal explicados, contratos feitos a partir de processos licitatórios no mínimo obscuros, a Câmara de Vereadores de Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense, continua trancando sua contabilidade numa espécie de caixa-preta, cujo mecanismo de abertura parece estar fechado a sete chaves pelo presidente da Casa, o vereador mais votado nas eleições de 2012, Eduardo Moreira (PT). Com orçamento de cerca de R$ 50 milhões para o exercício deste ano, a Câmara duque-caxiense tem mais dinheiro do que muitas prefeituras por esse Brasil a fora, mas onde e em que esse dinheiro é gasto, é um segredo, o que é vedado pela Lei da Transparência, dispositivo legal que o petista Eduardo parece desconhecer.