Guapimirim continua escondendo as contas públicas

Os repasses constitucionais feitos este ano chegam a R$ 12 milhões, mas falta de transparência mantém tudo em segredo e não dá para saber o que foi gasto até agora, onde e em que

Há exatos 44 dias no cargo, o prefeito Jocelito Pereira de Oliveira, o Zelito Tringuelê (foto), parece que foi contaminado pelo vício de seu antecessor, o ex-prefeito Marcos Aurélio Dias, que adorava esconder as contas públicas. Isto porque os repasses constitucionais feitos para o município de Guapimirim do dia 1º de janeiro até a última sexta-feira (9) somam cerca de R$ 12 milhões e não há nenhuma informação sobre eles no Portal da Transparência, o que contraria a lei e impede o controle social. Só de royalties do petróleo a Prefeitura recebeu no período R$ 3.246.550,32. Também foram creditados R$ 3.283.201,72 do Fundeb, R$ 3.848.669,84 do Fundo de Participação dos Municípios e R$ 828.862,75 do Fundo Nacional de Saúde, sem contar os valores do ICMS.

Fornecimento de combustível atrai atenção em Guapimirim

Contrato ainda está em vigor, mas surge alerta sobre nova contratação

Um dos melhores negócios a ser feito com a Prefeitura de Guapimirim é o fornecimento de combustíveis. Se o governo deixar de pagar é só suspender o abastecimento que logo o prefeito muda de ideia e manda pagar, para que as ambulâncias e os veículos do transporte escolar não fiquem parados. Talvez seja por isso que fornecedores sediados até em municípios vizinhos estejam de olho no negócio e um deles já dá como certo o fechamento, embora ainda exista contrato em vigor e atas de registro de preços valendo até setembro deste ano, resultados dos pregões 45, 66, 67, 68, 69 e 70, vencidos pela empresa Parada Modelo Comércio e Indústria, no valor total de R$ 940.467,30. Por conta disto um cidadão precavido já teria registrado em cartório um documento com nome fantasia e razão social do possível futuro fornecedor com a finalidade de fazer prova na Justiça do que poderia ser classificado no mínimo como privilégio.

Manutenção de frota em Guapimirim não era à vera

Vários veículos foram encontrados sucateados, apesar dos gastos com peças e serviços (Foto: Divulgação/PMG) Prefeito fez licitação de R$ 2,9 milhões para consertar veículos, mas só deixou sucatas

O ex-prefeito de Marcos Aurélio Dias (foto) foi embora para casa, mas ainda vai ter muito o que explicar. O estado de terra arrasada verificado em Guapimirim pela equipe do novo governo sugere muito mais que má gestão, aponta para um misto de irresponsabilidade e descaso com a coisa pública por parte de uma administração que é apontada como a pior da história do município. Durante uma vistoria em um dos galpões usados pela Prefeitura - além de muita sujeira - foram encontrados vários veículos sucateados, um contra-senso, já que entre janeiro de 2013 e junho de 2016 a administração municipal teria gastado pelo menos de R$ 3,5 milhões com aquisição de peças e serviços de reparos em veículos de sua frota própria. 

Rombo na folha de Guapimirim ainda precisa ser esclarecido

Ex-prefeito deixou o cargo e suposta fraude em pagamento de pessoal ficou esquecida

Considerado o pior gestor da história de Guapimirim, Marcos Aurélio Dias deixou o cargo de prefeito no dia 31 de dezembro sem explicar porque o município, em sua administração, pagava até quatro vezes mais caro por servidores terceirizados, a razão de ter deixado alguns secretários mandarem mais do que ele e o fato de nunca ter tentado esclarecer ou tocado num assunto que correu solto nos corredores da Prefeitura nos dois primeiros anos de seu governo: uma suposta diferença de R$ 400 mil na folha. Este caso teria sido abafado e o possível responsável "aconselhado" a se demitir com a promessa de que receberia uma “indenização” de R$ 150 mil, que teria sido paga em seis parcelas de R$ 25 mil por um amigo do governo. Se o tempo de Marcos Aurélio no poder já passou, as tempestades não. A julgar pelo volume de documentos armazenados por pessoas descontentes, o futuro do ex-prefeito está sujeito a raios, relâmpagos e trovoadas.

Prefeito de Silva Jardim precisa explicar origem de remédios

Pagamentos feitos a uma farmácia sediada em Itaocara somem do sistema

Localizada no centro de Itaocara, cidade a 240 quilômetros de Silva Jardim, a Farmácia Amaral de Itaocara recebeu, entre janeiro de 2013 e agosto do ano passado, o total de R$ 3.738.064,30 dos cofres públicos silvajardinenses pelo fornecimento de remédios não existentes na rede municipal de Saúde e parte da aquisição foi feita sem licitação. Processos abertos para compra de medicamentos junto a algumas empresas estão sob investigação e o que se questiona na cidade é a origem dos remédios pelos quais a Prefeitura pagou à farmácia de Itaocara, se pelo que já foi apurado o fornecimento seria feito pela Drogaria Kanaã (foto), estabelecida na Rua Luiz Gomes, na cidade governada pelo prefeito Anderson Alexandre, que é dono de uma rede de drogarias e mantém no município de Rio Bonito sua base central. Os valores pagos pela compra de medicamentos desde o início da gestão de Anderson passam de R$ 16 milhões (números até 31 de agosto de 2016), mas os registros referentes a quitação de faturas da Farmácia Amaral de Itaocara não foram mais encontrados ontem no sistema da Prefeitura.

Incoerência marca o primeiro dia do prefeito de Japeri

Carlos Moraes Costa diz que não quer absorver “nada de ruim” da gestão anterior, mas optou por manter quatro secretárias de Timor

“Vou fechar a Prefeitura por 30 dias para fazer uma auditoria nos contratos e não absorver nada de ruim do governo anterior". A afirmação é do prefeito Carlos Moraes Costa (foto), que ao assumir ontem encontrou cerca de R$ 5 milhões em caixa, salários em dia e a cidade limpa, uma situação bem diferente da verificada no dia 1º de janeiro de 2005, quando o então prefeito Bruno da Silva Santos o sucedeu no governo. Moraes já foi prefeito duas vezes (de 1993 a 1996 e de 2001 a 2004) e retornou ao poder com a mesma língua afiada. Para quem não quer herdar “nada de ruim” do ex-prefeito Ivaldo Barbosa dos Santos, o Timor, Carlos está sendo no mínimo contraditório em seu discurso, pois decidiu aproveitar vários quadros do primeiro escalão do governo anterior, entre elas as secretárias Adilane Brito da Silva (Administração), Roberta Bailune Antunes (Educação), Andréa Guimarães de Souza (Orçamento e Gestão) e Fabíola Monteiro Furtado (Controladoria Geral), pela qual passaram os processos de licitação e os contratos realizados no governo anterior.

Guapimirim repete secretário de Governo

Agora vice-prefeito Ricardo de Oliveira Almeida, o Pastor Ricardo (a direita), foi secretário de Governo no início da gestão do ex-prefeito Marcos Aurélio Dias (Foto: Divulgação) Vice-prefeito comandou a pasta em período conturbado

O novo prefeito de Guapimirim, Jocelito Pereira de Oliveira, o Zelito Tringuelê (PDT), começou seu primeiro dia de trabalho percorrendo as secretarias. Ele encontrou a administração destroçada e atolada em dívidas, uma herança maldita deixada pelo ex-prefeito Marcos Aurélio Dias, que saiu do poder levando consigo o título de pior gestor da história do município. Ainda sem saber o volume do estrago - principalmente nos setores de Saúde e Educação - Zelito deverá auditar contratos e passar um pente fino nos processos de licitação concluídos nos últimos três meses, principalmente os voltados para a terceirização de mão de obras e serviços levados a efeito pelo “ex-primeiro ministro” da cidade, Rui Aguiar. Entretanto, se o governo é novo, um nome que levantou muita polêmica no inicio da gestão do ex-prefeito voltou a ocupar o mesmo posto de antes, o comando da Secretaria de Governo. Trata-se do agora vice-prefeito Ricardo de Oliveira Almeida, o Pastor Ricardo, que dividia o poder com Marcos Aurélio.

Mangaratiba vai continuar pagando caro por coleta de lixo

Desde o ano passado que a Prefeitura de Mangaratiba tem renovado contratos de prestação de serviços sem licitação. Contratada muda de nome e ganha mais um ano para continuar operando no município

Com cerca de 45 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE, o município de Mangaratiba está gastando muito mais com o serviço de coleta de lixo que cidades com universo populacional maior e vai continuar assim por pelo menos mais um ano. É que o prefeito Rui Quintanilha - que deixará o cargo no dia 31 de dezembro - decidiu prorrogar o contrato da empresa Própria Ambiental, que desde julho deste ano passou a operar com outro nome, Rio Zin Ambiental Serviços. A prorrogação se deu por termo aditivo, o quinto do contrato 040, que já gerou pagamentos no total de cerca de R$ 80 milhões a empresa. Apesar dos altos gastos com a coleta de lixo, na opinião de moradores de vários bairros, o município não conta com um bom serviço, mas este detalhe não foi levado em conta pelo prefeito na hora de renovar o contrato.

Remédios causam dor de cabeça no prefeito de Silva Jardim

Empresário do ramo de farmácias, Anderson Alexandre resolveu comprar remédios por atacado em uma drogaria, em vez de optar por uma distribuidora capaz de oferecer preços menores Anderson Alexandre terá de explicar compras de quase R$ 4 milhões em farmácia sedia a 240 quilômetros do seu município, em vez de optar pelas distribuidoras no atacado

Réu em pelo menos dez ações de improbidade administrativa - a maioria delas por denúncia de fraude em licitação - com pedidos do afastamento dele do cargo, indisponibilidade de bens e um de prisão em andamento, o prefeito reeleito de Silva Jardim, Wanderson Gimenes Alexandre, o Anderson Alexandre (PMDB) não tem sido visto na cidade e muito menos despachado em seu gabinete. As informações sobre o paradeiro dele são desencontradas. Uns dizem que o prefeito está descansando, outros afirmam que ele está em tratamento médico e há até quem fale que a ausência seria para evitar uma notificação da Justiça. Entretanto, seja lá qual for a razão, uma dor de cabeça das grandes está a espera dele: Anderson terá de explicar a compra de quase R$ 4 milhões em medicamentos feitas em uma farmácia (que, inclusive, fez alguns fornecimentos sem licitação), quando deveria optar pelas distribuidoras que operam no atacado e com preços mais competitivos.

Guapimirim deixa estudantes a pé e sem merenda

Em algumas unidades os servidores são obrigados a improvisar para as crianças não ficarem com fome Apesar de registrar altos gastos com a compra de gêneros alimentícios e combustíveis a Secretaria de Educação vem deixando a desejar no transporte dos alunos e nas refeições

O município de Guapimirim tem uma frota de ônibus escolares e - pelo menos na relação de despesas - combustível para gastar por pelo menos um ano, mas pais de alunos matriculados na rede de ensino administrada pela Prefeitura reclamam que o transporte dos estudantes não está sendo garantido a todos. Na região do Vale das Pedrinhas, por exemplo, as crianças estão sendo obrigadas a caminhar por quilômetros para se deslocarem até as escolas. Isto ocorre em uma gestão que vem gastando muito nos últimos meses com a terceirização de serviços e esquecendo do básico, inclusive do fornecimento de merenda, para o qual registrou em setembro despesas no total de quase R$ 5 milhões. Na Secretaria de Educação ninguém explica nada, até porque não deve haver mesmo uma explicação plausível, pois os veículos existem e recentemente foi feita uma licitação para aquisição de combustíveis no total de mais de R$ 870 mil.