Eles estão proibidos de existirem a céu aberto desde 1981, mas vinham sendo tolerados em todo o Brasil até 2010, quando uma lei federal estabeleceu prazo de quatro anos para uma tolerância zero. O “eles”, em questão, são os lixões, depósitos de lixos irregulares instalados por prefeituras em localidades urbanas, periféricas habitadas e até em áreas que deveriam ser preservadas em função do meio ambiente. No município de Valença, no interior do estado do Rio de Janeiro, mais que descumprir a lei, a Prefeitura está descartando o lixo hospitalar junto com o doméstico numa área da localidade de Quirino, onde seres humanos se misturam aos urubus, expondo-se às ameaças lançadas em forma de detritos.
Não há segurança no local e a placa que informa que existe lixo hospitalar por lá não afasta ninguém daquilo que o prefeito Álvaro Cabral chama de “aterro sanitário”, mas não passa de um lixão proibido pela Lei nº 12.305, sancionada em agosto de 2010 e regulamentada por decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 23 de dezembro do mesmo ano. De acordo com a lei, os prefeitos têm até 31 de agosto de 2014 para acabarem com os lixões, mas, caminhando na contramão, a administração municipal de Valença não está dando nenhum passo nessa direção e, tudo indica, deverá continuar descartando o lixo doméstico e hospitalar no mesmo espaço ainda por tempo indeterminado, se nada for feito pelas autoridades para obrigarem o prefeito a ter mais cuidado com o ser humano e preocupação com o meio ambiente.