Saquarema esconde suas contas

A gestão da prefeita Manoela Peres não está disponibilizando as contas públicas no site oficial Prefeitura não informa receita, despesas e licitações já começam ser questionadas

Com orçamento de R$ 282 milhões aprovado para o exercício deste ano, o município de Saquarema é um dos poucos que vem conseguindo manter as contas em dia, só que ninguém sabe quem está recebendo o que e por que. É que a administração municipal não informa nada sobre a receita, as despesas, fornecedores e folha de pessoal, dados que deveriam estar bem claros no site oficial do município, mas que não estão sendo revelados pela gestão da prefeita Manoela Ramos de Souza Gomes Alves, a Manoela Peres. Quem procurou até ontem, por exemplo, pelos contratos de prestação de serviços como coleta de lixo e locação de máquinas e caminhões, fornecimento de remédios e merenda escolar perdeu seu tempo. Se buscou por licitações a coisa foi ainda mais difícil, pois nem os avisos de abertura do certame estão disponíveis no Portal da Transparência, quanto mais os resultados dos pregões e os valores contratados.

Mesquita contrata cooperativa por R$ 38 milhões sem licitação

Instituição responde a dezenas de ações por não pagar direitos aos trabalhadores

Embora acumule dezenas ações trabalhistas por não pagar direitos devidos a contratados por ela e colocados à serviços de órgãos públicos, a maioria no município de Saquarema, a Cooperativa Central de Trabalho (Cootrab) assinou quatro contratos com a Prefeitura de Mesquita para fornecer mão de obra aos setores de saúde, educação e limpeza pública, recebendo por isto o total de R$ 38.597.954,28. Firmados sem licitação, os contratos tem duração de 180 dias, com um custo mensal de R$ 6.432.992,38. Sob alegação de “grave situação emergencial”, o prefeito Jorge Miranda (foto) - que ainda não decidiu nada sobre o pagamento dos salários atrasados cobrados por funcionários temporários -,  autorizou os contratos 004, 005, 006 e 007 só tiveram seus extratos publicados no dia 16 deste mês, com data retroativa a 1º de fevereiro.

Licitação para eventos em Saquarema é denunciada ao MP

Pregoeira do município - também por licitações - já responde a processos em Silva Jardim

Há menos de três meses como prefeita de Saquarema, a dentista Manoela Ramos de Souza Gomes Alves, a Manoela Peres está enfrentando a primeira denúncia de irregularidade em processo de licitação, uma representação que envolve os nomes do secretário de Esporte, Lazer e Turismo, Rômulo Carvalho de Almeida e da pregoeira Valéria Santana Herdy, pessoa muito conhecida no município de Silva Jardim, onde aparece como acusada em pelo menos três processos, as ações 000035911.2013.8.19-0059, 000007979.2009-0059 e 000199665.2011-0059, que tramitam na Vara Única da cidade. Os processos - por improbidade administrativa e suposto crime em licitações - são do tempo em que Valéria comandou o setor de licitação, o que ocorreu durante a gestão do prefeito Augusto Tinoco, que inclusive chegou a ser preso.

Novo Cidadão emite 28 mil identidades para recém-nascidos

Documento é oferecido por oito maternidades públicas

Entre julho de 2014 e fevereiro desde ano o programa social Novo Cidadão, implantado pelo governo fluminense, emitiu 28.925 mil certidões de nascimento e identidades civis para recém-nascidos e distribuiu ainda certidões e RGs para 919 mães e 507 pais. O programa funciona em oito maternidades públicas: hospitais da Mãe, da Mulher, Melchiades Calazans, Adão Pereira Nunes (Baixada Fluminense), Rocha Faria (Campo Grande), Azevedo Lima (Niterói), Albert Schweitzer (Realengo) e Hospital Estadual da Região dos Lagos (Saquarema).

“Fichas sujas” no poder na Região dos Lagos

Chiquinho canta de galo em Araruama e Antonio Peres é o bam-bam-bam do município de Saquarema Chiquinho manda em Araruama e Peres dá as cartas em Saquarema

Com condenações pela Justiça e contas de gestão reprovadas, o ex-prefeito de Araruama, Francisco Carlos Fernandes Ribeiro, o Chiquinho da Educação, está inelegível pelo menos até 2021 e - pelo seu enquadramento no que diz a Lei da Ficha Limpa - pode ser chamado de “ficha suja”. Entretanto, mesmo impedido de disputar as eleições do ano passado, ele é apontado como o prefeito de fato da cidade, que, pelo menos no papel, é governada por sua mulher, a prefeita eleita, Lívia Soares Bello da Silva, a Lívia de Chiquinho (PDT). De acordo com servidores lotados na sede da administração municipal, embora não esteja nomeado em nenhum cargo, Chiquinho tem despachado como se governante fosse, dando as ordens quando, pela sua delicada situação jurídica, não deveria passar nem na porta da Prefeitura. A 22,7 quilômetros dali, Saquarema vive o mesmo quadro político, com uma prefeita de direito e um prefeito de fato: Antonio Peres, também inelegível por ser considerado “ficha suja” pela mesma lei que enquadra Chiquinho, foi nomeado secretário de Governo pela esposa, Manoela Ramos de Souza Gomes Alves (PTN).

Ficha suja liberada em Saquarema

Prefeita teria encomendado revogação de lei para beneficiar marido

Enquadrado pela Lei da Ficha Limpa o ex-prefeito Antonio Peres (foto) teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral, mas não terá nenhum problema para assumir um cargo no primeiro escalão do governo de sua mulher, a prefeita Manoela Ramos de Souza Gomes Alves (PTN). É que a pedido dela a Câmara de Vereadores aprovou em sessão extraordinária a revogação de uma lei municipal que vedava a nomeação de pessoas inelegíveis para cargos de confiança. Dos 11 membros da Casa nove foram favoráveis, dando acesso livre aos chamados “fichas sujas” ao poder. Com a medida Peres poderá ser nomeado a qualquer momento para uma super secretaria. Mesmo sem uma portaria ele já foi visto várias vezes em um gabinete da sede do governo recebendo políticos e empresários, segundo servidores, “se comportando como o verdadeiro manda-chuva”.

Saquarema tem dois “caciques”

Marido da prefeita estaria despachando mesmo sem ser secretário

Barrado no baile eleitoral pela Lei da Ficha Limpa, o ex-prefeito Antonio Peres Alves (foto), ficou de fora da disputa, mas não do poder. Embora não esteja nomeado para o secretariado ele tem sido visto na sede da Prefeitura de Saquarema, despachando e se reunindo com políticos e empresários. Peres é marido da prefeita Manoela Ramos de Souza Gomes Alves, lançada candidata em substituição a ele, que teve o registro impugnado pela Justiça Eleitoral. De acordo com informações de servidores, Peres tem comparecido com freqüência à sede do governo e até comandado reuniões. Segundo alguns vereadores, o município tem agora dois governantes. “Um de direito e outro de fato”, emendam.

Contas escondidas preocupam em Saquarema

As contas da Prefeitura de Saquarema estão sendo mantidas em segredo. Por que será? Prefeita fecha a contabilidade para sucessora não ter acesso a informações

Sem acesso a qualquer informação sobre a situação financeira do município, a prefeita eleita de Saquarema, Manuela Peres (PTN), está prevendo dias difíceis para a sua gestão. É que a prefeita Franciane Mota (PMDB) não permitiu que fosse instalada uma equipe de transição e está dificultando ao máximo as coisas para Manuela, que derrotou nas urnas o candidato apoiado por Franciane e o deputado Paulo Melo, Hamilton Nunes de Oliveira, o Pitico, que acabou preso logo depois das eleições pela Polícia Federal - numa operação deflagrada contra um esquema de compra de votos - junto com os vereadores Romacartt de Azeredo de Souza, Guilherme Ferreira de Oliveira, o Pitiquinho; Vanildo Siqueira, o Kilinho e Paulo Renato Teixeira.

Processo por compra de votos pode abrir vagas para suplentes

Os vereadores Romacartt, KIlinho e Pitiquinho estão em maus lençóis. Se a Justiça determinar eles perderam o novo mandato, abrindo vagas para os primeiros suplentes de seus partidos Futuro mandato de vereadores de Saquarema estão por um fio

Cumprindo o primeiro mandato de vereador, o presidente da Câmara de Saquarema, Romacartt Azeredo de Souza (PMDB) foi reeleito com 1.440 votos, mas nada garante que ele venha a exercer o segundo. Em situação semelhante estão o vice-presidente da Casa, Vanildo Siqueira da Silva, o Kilinho (PP) e Guilherme Ferreira de Oliveira (PSB), conhecido como Pitiquinho. É que eles são investigados em inquérito que apura um grande esquema de corrupção eleitoral, no qual está também envolvido o vereador Paulo Renato Teixeira Ribeiro (PMDB), que somou 1.209 votos, mas teve a votação computada em separado, por ter concorrido com o registro indeferido. Os quatro foram presos na última terça-feira pela Polícia Federal, por determinação do juízo da 62ª Zona Eleitoral de Saquarema, junto com o pai de Pitiquinho, o candidato a prefeito pelo PMDB e ex-chefe de gabinete do deputado estadual Paulo Melo, Hamilton Nunes de Oliveira, o Pitico.

PF prende compradores de votos em Saquarema

Entre eles estão quatro vereadores e o candidato a prefeito pelo PMDB

    Quatro vereadores da Câmara de Saquarema, município da Região dos Lagos fluminense foram presos nesta terça-feira em operação deflagrada pela Polícia Federal contra um esquema de compra de votos durante o pleito do último dia 2. Entre os detidos está também o ex-chefe de gabinete do deputado estadual Paulo Melo, Hamilton Nunes de Oliveira, o Pitico, que disputou a Prefeitura da cidade pelo PMDB e teve 20.037 votos, ficando em segundo lugar. Os vereadores presos são Romacartt de Azeredo de Souza, Guilherme Ferreira de Oliveira, o Pitiquinho; Vanildo Siqueira, o Kilinho e Paulo Renato Teixeira, que não conseguiu se reeleger. As prisões são temporárias e foram decretadas pelo juízo da 62ª zona eleitoral, que expediu ainda sete de mandatos de condução coercitiva, alguns deles médicos citados como envolvidos no suposto esquema de compra de votos, que, segundo as investigações da Polícia Federal, consiste na realização de boca de urna e compra de votos tendo como contrapartida a distribuição de medicamentos e combustível, fornecimento de atestados médicos e receitas médicas controladas em branco, assim como benefícios em um hospital de grande porte, além da distribuição de dinheiro, como no caso de um líder religioso teria aceitado dinheiro fazer campanha para candidatos durante os cultos.