Contratos esquisitos em São João de Meriti

A loja que seria a sede da empresa Redações está fechada há meses e o imóvel 1.283 da Rua Professor Darcy Ribeiro é uma residência que na Receita Federal consta como sede do PDT de Tanguá A Prefeitura comprou mais de R$ 2 milhões em materiais gráficos com quatro empresas diferentes e duas delas não funcionam nos locais mencionados nos contratos. Uma das fornecedoras dá como sede endereço que na Receita Federal consta como sendo do diretório do PDT de Tanguá, mesmo partido do prefeito Sandro Matos e de seu 'irmão', o deputado Marcelo Viviane, o Marcelo Matos

Entre os dias 7 de fevereiro e 27 de março de 2014 a Prefeitura de São João de Meriti firmou cinco contratos para compra de material gráfico com quatro empresas diferentes e pelo menos duas delas não foram encontradas nos endereços que aparecem nos contratos e em seus respectivos cadastros de pessoa jurídica. A loja 3 do número 19 da Rua Valdevino da Silva, no bairro Vila Cortes, em Tanguá, por exemplo, consta como sede da Redações Papeis e Editora (que tem um contrato de R$ 804.250,00), mas está vazia há vários meses e a vizinhança diz nunca ter ouvido falar da empresa por lá. Do outro lado da cidade, no bairro Pinhão, no número 1.283 da Rua Professor Darcy Ribeiro, pelo que está no contrato, funcionaria a HP Publicidade, Papelaria e Editora, contratada por R$ 415.440,00, mas o endereço consta na Receita Federal como sendo da sede do Diretório Municipal do PDT. Na via o que existe mesmo com o nome HP é um haras, mas não há registro, pelo menos por enquanto, de que a administração municipal tenha comprado cavalos.

Boa para governar, ruim para morar…

Bornier entra e saí da cidade literalmente por cima e até bem pouco tempo fazia isso de uma aeronave registrada em nome da empreiteira São Marcos Cinco prefeitos da Baixada Fluminense moram na Barra da Tijuca e outros dois estão na mira de gente de fora

O que refeitos de Duque de Caxias, Nilópolis, Nova Iguaçu, Queimados e São João de Meriti tem em comum além do fato de governarem cidades da Baixada Fluminense, região formada por 13 municípios, nos quais cerca de quatro milhões de pessoas vivem cercadas de problemas por todos lados? A resposta é a preferência pelos condomínios luxuosos da Zona Oeste do Rio: Alexandre Cardoso, Alessandro Calazans, Nelson Bornier e Max Lemos residem na Barra da Tijuca e Sandro Matos optou por morar em Jacarepaguá. O endereço nobre não representa nenhuma ilegalidade, até porque todos tem domicílio eleitoral nas cidades as quais governam. O problema é que ao preferirem levar suas famílias para fora desses municípios estão sugerindo que a região não é o lugar ideal para eles e os seus viverem.

Bornier quer cobrar por atendimento no Hospital da Posse

O prefeito Nelson Bornier disse que vai mandar a fatura O prefeito de Nova Iguaçu diz que vai mandar fatura paras as prefeituras da região pagarem

O Hospital Geral de Nova Iguaçu, mais conhecido como Hospital da Posse, construído na cidade pelo governo federal e mantido com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), é uma unidade para atendimento regional, mas parece que o prefeito Nelson Bornier não sabe disso. Pelo menos é o que sugere a medida por ele anunciada, dando conta de que a Prefeitura de Nova Iguaçu vai cobrar das cidades de origem dos pacientes os procedimentos realizados. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 40% das pessoas que procuram o hospital são de outros municípios da Baixada Fluminense. "Depois reclamam da superlotação e mal atendimento na emergência da hospital”, argumenta o prefeito.

Mangaratiba via São João de Meriti

As duas prefeituras tem em comum a contratação de sete empresas. Cinco delas foram denunciadas pelo MP em processo de fraude em Mangaratiba Cinco empresas denunciadas por fraude na cidade da Costa Verde atuam no município da Baixada Fluminense, além de outras duas ainda não processadas pela promotoria

Além da D-Ttrade Comércio e Representação e da LU Souza Comércio, mais três empresas de um total de seis denunciadas pelo Ministério Público por um suposto esquema de fraudes em licitação e recebimento de faturas por serviços que não teriam sido prestados ou vendas de produtos que não teriam sido entregues - o que, segundo a promotoria pode ter resultado no desvio de cerca de R$ 10 milhões dos cofres da Prefeitura de Mangaratiba - tiveram ou ainda mantém contratos com a Prefeitura de São João de Meriti. É o que revelam publicações de extratos de contratos ou adjudicações de pregões feitas no órgão oficial do município. Estão lá as empresas V.M. da Silva Vilar Materiais de Escritório, Vimatécnica Comércio e Serviços e Proll Comercio e Serviço, todas rés em ação de improbidade administrativa proposta contra o ex-prefeito Evandro Bertino Jorge, o Evandro Capixaba, que está preso por crime de ameaça e formação de quadrilha. Além dessas cinco empresas também faturaram ou ainda faturam em Meriti a Paper Color Gráfica e Editora e a Dulçor Comércio e Representação, listadas entre as que mais forneceram para Mangaratiba na gestão de Capixaba. Como a Prefeitura de São João de Meriti não fornece nenhuma informação sobre os gastos da municipalidade, não dá para saber ao certo o quanto cada uma dessas empresas recebeu dos cofres da municipalidade, mas, segundo uma fonte ligada ao governo, o fato é que vários contratos estão sob investigação.

Proteção ou ameaça?

A Guarda Municipal da Prefeitura do Rio é a mais preparada no estado, mas tem por isso seus agentes usam arma de fogo Criadas para tomar conta do patrimônio dos municípios, guardas municipais da Baixada Fluminense extrapolam das funções previstas na Constituição

As guardas civis municipais estão na contramão. Efetivos que deveriam cuidar dos bens públicos, do trânsito, fazer rondas nas proximidades das escolas e hospitais, são usados em operações questionáveis e na incrementação da indústria da multa para aumentar a arrecadação das prefeituras. Em algumas cidades da Baixada Fluminense até blitizes os guardas municipais estão fazendo, cometendo o que a sociedade chama de abuso. Em Duque de Caxias, São João de Meriti e Nilópolis, por exemplo, reclamam comerciantes estabelecidos nos centros dessas cidades, os guardas são instruídos a multar indiscriminadamente. “Em muitos municípios do estado os agentes que trabalham na orientação do trânsito já saem para as ruas com uma cota de multas para cumprir”, diz um oficial da Polícia Militar que atua na Baixada Fluminense.

Mangaratiba, conexão Baixada

Evandro Capixaba e Sandro Matos tem pelo menos uma coisa em comum: contrataram as mesmas empresas Empresas do esquema da fraude dos R$ 10 milhões têm contratos nada transparentes com a Prefeitura de São João de Meriti

Denunciadas pelo Ministério Público em ação de improbidade administrativa proposta contra o ex-prefeito de Mangaratiba, Evandro Bertino Jorge, o Evandro Capixaba, as empresas Lu Souza Comércio e Representações e D-Trade Comércio e Serviços, têm contratos com a Prefeitura de São João de Meriti e esses também estão na mira do Ministério Público, que em dezembro do ano passado constatou uma ligação entre as prefeituras dos dois municípios, em contrato não divulgado no valor de R$ 2,1 milhões, supostamente envolvendo um parente do prefeito Sandro Matos (PDT). Coincidentemente, uma semana antes de a 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva (núcleo de Angra dos Reis) ajuizar a ação contra Capixaba e outros 35 réus, o procurador-geral Berilo Martins, o chefe de gabinete Sergio Jund e o secretário de Governo Gilvandro Matos Pereira, o Gil Matos, irmão do prefeito, pediram exoneração dos cargos. Os três integravam o primeiro time do governo e eram apontados na Prefeitura como "os manda-chuvas".

PMDB muda de mãos em Casimiro de Abreu

Antonio Marcos, com seu grupo, vai assumir o diretório municipal do PMDB, tirando a legenda de Paulo Dames Também deverão ocorrer mudanças nos diretórios de municípios da Região Serrana e da aixada Fluminense

Derrotado nas duas últimas eleições municipais por um adversário o qual sempre subestimou, o ex-prefeito Paulo Dames perdeu mais uma para Antonio Marcos Lemos (PSC), prefeito reeleito em cima de Dames em 2012. A derrota dessa vez foi sobre o controle do diretório local do PMDB, entregue ao grupo de Antonio Marcos pelo próprio presidente regional, o presidente da Assembleia Legislativa Jorge Picciani, que está atuando para fortalecer ainda mais o partido no interior fluminense.

Magé desativa aterro sanitário

A central de Nova Iguaçu é vista como modelo em tratamento de resíduos sólidos no Brasil E multa empresa operadora em cerca de R$ 3 milhões, segundo a Prefeitura, pelo não cumprimento do contrato

As cerca de 200 toneladas de lixo recolhidas todos os dias no município de Magé passaram a ter outro destino final, a Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Nova Iguaçu, localizada no bairro Adrianópolis. A CTR, que entrou em operação em 2003, recebe cerca de cinco mil toneladas de lixo diariamente, descartadas por prefeituras da Baixada Fluminense e empresas que prestam serviços à indústrias e supermercados. A mudança no descarte ocorreu por conta do fechamento do aterro sanitário de Bongaba, em Piabetá, que desde a gestão do prefeito Rozan Gomes vinha sendo gerido pela empresa Marca Ambiental, que ganhou a licitação para fazer a remediação da área do antigo lixão e transformá-lo em CTR. "O contrato terminou e como a remediação não estava sendo feita decidimos não o compromisso e aplicar uma multa à empresa pelo descumprimento do contrato. A Marca, no total, terá de recolher aos cofres do município cerca de R$ 3 milhões", disse prefeito Nestor Vidal.

Cumprimentando a dama com o chapéu alheio

Rio das Ostras ainda comemora resultados de estudo feito a partir de dados coletados em 2010 Prefeitos eleitos em 2012 propagam como seus os feitos que elevaram IDH a partir de dados coletados em 2010

Os números mais recentes do Índice de Desenvolvimento Humano foram divulgados em 2013, resultados apurados a partir de dados coletados em pesquisa de 2010, mas pelo menos quatro prefeitos eleitos em 2012 nas cidades do estado do Rio de Janeiro que ficaram nas dez primeiras colocações estão propagando como frutos de suas realizações o IDH conferido aos seus municípios. Em Rio das Ostras, por exemplo, membros do governo espalham como se fato novo fosse, o terceiro lugar divulgado há dois anos, com base em análise feita há cinco.

Simão Sessim pode renunciar mandato

Simão ficou abalado com a inclusão de seu nome na lista dos políticos investigados na Operação Lava Jato Parlamentar do PP tomaria essa decisão se seu indiciamento for aceito pelo STF no caso da Lava Jato

Cumprindo seu décimo mandato de deputado federal (o primeiro foi conquistado em 1978), o deputado federal Simão Sessim (PP), pode deixar a Câmara se for indiciado por conta do esquema de corrupção na Petrobras, trazido à tona pela Operação Lava Jato, que envolve Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal. Com base política em Nilópolis, na Baixada Fluminense, Simão é um dos 21 suspeitos com foro privilegiado que integram a lista que a Procuradoria Geral da República encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), com pedido de autorização para investigá-los. Segundo um parlamentar eleito pela coligação que reuniu o PMDB, PP, PSC, PSD e  o PTB, Sessim ficou muito abalado com a citação de seu nome como possível beneficiário do esquema. "Ele já disse que se as investigações resultarem em seu indiciamento ele renunciaria", completou o deputado.