Uma lei para cada classe é o que os “intocáveis” querem

“Não basta que todos sejam iguais perante a lei. É preciso que a lei seja igual perante todos.”  

A frase acima é do ex-presidente chileno Salvador Allende - deposto no golpe militar de 1973 - e poderia servir como bandeira na manifestação deste domingo se essa tivesse sido mesmo convocada para defender o Brasil dos corruptos e das injustiças. Tanto não foi que os números apurados nas cerca de 200 cidades onde os organizadores disseram ter ocorrido protestos são bem menores do que o esperado. Quinze mil pessoas na Avenida Paulista segundo a Polícia Militar ou 50 mil na visão dos mais otimistas não significam nada diante de um universo de 200 milhões de brasileiros. Eu gostaria que muitos milhões tivessem saído às ruas hoje para defender a Operação Lava-Jato, o afastamento e a condenação dos políticos comprovadamente corruptos, sem se aterem a reivindicações de classe, aliás, de uma classe muito da privilegiada. Gritar contra um instrumento legal para enquadrar o abuso de autoridade de uma casta que acha que pode fazer o que bem entende, certa de que o máximo que poderá acontecer a seus membros seria uma aposentadoria compulsória, é defender leis diferentes para proteger iguais. Além disso, na convocação para o ato deste domingo faltou dizer que o Congresso caiu em desgraça com os “intocáveis” mais porque foi criada uma comissão para identificar os supersalários pagos magistrados e a membros do MP do que por outra coisa, mas isso os doutores não querem dizer. Preferem alegar que estão tramando contra a Lava-Jato, um operação necessária, legítima, que não está e nunca esteve ameaçada. O que está acontecendo é que os "onipotentes" querem impor uma lei de execeção em pleno regime democrático, rasgando a Constituição deste país.

Nem todos são bandidos, doutores

Um país se constrói com a união de todos e com respeito às instituições. Um regime de exceção só interessa a grupelhos interessados em tutelar uma nação inteira Amanhã milhares de pessoas estarão indo às ruas protestar, segundo se imagina, contra a corrupção. Palmas! O Brasil acordou! Sim, mas nem tanto, pois não é bem isto que está acontecendo. Iludida com a propaganda enganosa, a maioria está sendo levada a se manifestar a favor do ego e do corporativismo de magistrados e membros do Ministério Público que querem adotar leis de exceção em pleno estado democrático de direito. Não se pode atentar contra as liberdades individuais a pretexto de combater a corrupção. Basta dar uma olhadinha nas tais “dez medidas” para constatar que a maior parte é uma verdadeira armadilha contra os direitos do brasileiro. Não pode estar falando sério quem propõe a validação de provas ilegais, não pode ser bom da cabeça o que defende o encarceramento de uma pessoa só porque alguém acha que ela é culpada de algum ilícito. Aprovar isto, amigos, é transformar em instrumento legal o crime de abuso de autoridade.

Quantos dos que hoje estão batendo palmas para os autores das “dez medidas” leram o texto feito pelos “intocáveis”? Será que pelo menos dez por cento dos dois milhões de brasileiros que assinaram em apoio a elas sabem realmente do que se trata? Penso que não. Se soubessem que uma das propostas acaba com a presunção da inocência e transforma todos nós em culpados até que nós mesmos provemos o contrário, certamente não teriam assinado coisa alguma. Dizer tratar-se de uma iniciativa popular é uma inverdade. Será que o pobre acostumado a ter a casa invadida por uma polícia que gosta de bater na cara do trabalhador - que atira a esmo e pergunta depois - iria apoiar uma medida que o obriga a provar sua inocência para a autoridade que o prendeu subscreveria coisa semelhante?

Contas escondidas preocupam em Saquarema

As contas da Prefeitura de Saquarema estão sendo mantidas em segredo. Por que será? Prefeita fecha a contabilidade para sucessora não ter acesso a informações

Sem acesso a qualquer informação sobre a situação financeira do município, a prefeita eleita de Saquarema, Manuela Peres (PTN), está prevendo dias difíceis para a sua gestão. É que a prefeita Franciane Mota (PMDB) não permitiu que fosse instalada uma equipe de transição e está dificultando ao máximo as coisas para Manuela, que derrotou nas urnas o candidato apoiado por Franciane e o deputado Paulo Melo, Hamilton Nunes de Oliveira, o Pitico, que acabou preso logo depois das eleições pela Polícia Federal - numa operação deflagrada contra um esquema de compra de votos - junto com os vereadores Romacartt de Azeredo de Souza, Guilherme Ferreira de Oliveira, o Pitiquinho; Vanildo Siqueira, o Kilinho e Paulo Renato Teixeira.

Lava-Jato prende Sérgio Cabral

Cabral foi acusado em delação premiada de ter recebido propina para facilitar contratos públicos com duas empreiteiras Ex-governador do Rio foi pego em casa na manhã desta quinta-feira

Acusado de receber propinas para facilitar contratos públicos o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, foi preso na manhã de hoje pela Polícia Federal, alvo de dois mandados de prisão preventiva, um expedido pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, e outro pelo juiz Sergio Moro, em Curitiba. A ex-primeira dama Adriana Ancelmo foi conduzida coercitivamente. Também foram presos o assessor de Cabral, Wagner Jordão Garcia, Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho (ex-secretário de governo); Hudson Braga (ex-secretário de obras); Carlos Emanuel de Carvalho Miranda; Luiz Carlos Bezerra; Wagner Garcia; José Orlando Rabelo e Luiz Paulo Reis. 

PF diz que Garotinho chefia organização criminosa

Anthony Garotinho foi levado na manha desta quarta-feira para a sede da Polícia Federal no Rio (Foto:Agência Estado) Ex-governador é preso em operação deflagrada contra fraude em Campos

Anthony Willian Matheus de Oliveira, o Garotinho, ex-governador do estado do Rio de Janeiro, vai ser levado da sede da Polícia Federal na capital fluminense ainda hoje para o município de Campos, onde ele responde por fraude no programa social Cheque Cidadão, um suposto esquema de compra de votos envolvendo a maquina da Prefeitura que é comandada por sua mulher, a prefeita Rosinha Garotinho. Ele foi preso na manhã desta quarta-feira em seu apartamento da Rua Senador Vergueiro, no Flamengo, na Zona Sul do Rio. A prisão preventiva foi decreta pelo juiz Glaucenir Silva de Oliveira, da 100ª Zona Eleitoral. De acordo com o que foi apurado até agora, o esquema pode ter sangrado os cofres da municipalidade em pelo menos R$ 3.5 milhões por mês com pagamentos irregulares de benefícios através do programa de complementação de renda para famílias carentes.

Desespero leva Waguinho a tirar jornais das bancas

As manchetes desagradaram o grupo do candidato do PMDB em Belford Roxo, que reagiu de forma nada democrática Edições do Extra de ontem e deste sábado foram recolhidas por pessoas ligadas ao peemedebista

Investigado pelo Ministério Público por crime eleitoral e correndo risco de ficar inelegível por oito anos, além de ter o diploma de prefeito cassado caso seja eleito neste domingo, o candidato a prefeito de Belford Roxo pelo PMDB, Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho, arrumou mais sarna para se coçar. Ontem e hoje exemplares da edição do jornal Extra foram recolhidas das bancas por um grupo de homens ligados à campanha dele. A edição de sexta-feira trazia a manchete “Deodalto tem registro definitivo, já Waguinho está na mira do MP”, com matérias sobre a decisão do TSE em favor do candidato do DEM, Deodalto José Ferreira o Dr. Deodalto e sobre ação movida pelo MP contra o peemedebista. Já edição deste sábado foi retirada de circulação pelo mesmo grupo porque trazia como título principal “MP mira Waguinho. Jornal noticia e some das bancas”. De acordo com testemunhas grupos de pessoas foram em algumas bancas e compraram todos os exemplares, impedindo que a população tivesse acesso ao noticiário envolvendo o candidato do PMDB.

Jogo sujo marca fim de campanha em Belford Roxo

Deodalto Ferreira (DEM) teve o registro e os votos confirmados pelo Tribunal Superior Eleitoral (Foto:Divulgação) Candidato do PMDB tenta ganhar no grito

O Tribunal Superior Eleitoral já bateu o martelo, validando o registro de candidatura e a votação obtida no primeiro turno pelo candidato do DEM à Prefeitura de Belford Roxo, o deputado estadual Deodalto José Ferreira. Dr. Deodalto, como o postulante do Democratas é mais conhecido, é, de verdade, candidato a prefeito, concorrendo em segundo turno com o também deputado Wagner dos Santos Carneiro (PMDB), mas a exemplo de uma central de boatos estourada pela Justiça Eleitoral em Nova Iguaçu, os adeptos do jogo sujo têm buscado confundir o eleitor dizendo que a disputa não é para valer, pois Deodalto estaria impugnado, o que não é verdade. Ele teve os votos computados pelo TSE e nada o impede - se eleito no próximo domingo - de assumir o governo, ao contrário do que o candidato do PMDB e membros do seu grupo andam dizendo nas ruas.

Processo por compra de votos pode abrir vagas para suplentes

Os vereadores Romacartt, KIlinho e Pitiquinho estão em maus lençóis. Se a Justiça determinar eles perderam o novo mandato, abrindo vagas para os primeiros suplentes de seus partidos Futuro mandato de vereadores de Saquarema estão por um fio

Cumprindo o primeiro mandato de vereador, o presidente da Câmara de Saquarema, Romacartt Azeredo de Souza (PMDB) foi reeleito com 1.440 votos, mas nada garante que ele venha a exercer o segundo. Em situação semelhante estão o vice-presidente da Casa, Vanildo Siqueira da Silva, o Kilinho (PP) e Guilherme Ferreira de Oliveira (PSB), conhecido como Pitiquinho. É que eles são investigados em inquérito que apura um grande esquema de corrupção eleitoral, no qual está também envolvido o vereador Paulo Renato Teixeira Ribeiro (PMDB), que somou 1.209 votos, mas teve a votação computada em separado, por ter concorrido com o registro indeferido. Os quatro foram presos na última terça-feira pela Polícia Federal, por determinação do juízo da 62ª Zona Eleitoral de Saquarema, junto com o pai de Pitiquinho, o candidato a prefeito pelo PMDB e ex-chefe de gabinete do deputado estadual Paulo Melo, Hamilton Nunes de Oliveira, o Pitico.

Excessos da `ordem urbana´ derrubam Bornier

Veiculos particulares são rebocados a qualquer pretexto, mas as sucatas alugadas pela Prefeitura circulam livremente Moradores reclamam que secretarias agem contra o cidadão de Nova Iguaçu

O que seria um centro de monitoramento, com câmeras instaladas em pontos estratégicos para ajudar no ordenamento urbano e na segurança pública passou a funcionar como um caça-níqueis, ampliando a indústria da multa de trânsito em Nova Iguaçu. Somou-se a isso um tal de “choque de ordem”, operações conjuntas para rebocar carros, promovidas 24 horas por dia pelas secretarias de Ordem Pública e de Mobilidade Urbana, órgãos que se forem extintos não farão falta alguma, pois, de acordo com alguns moradores da cidade, funcionam pautados pelo bem entender dos secretários e atuam contra o cidadão. O resultado do que moradores chamam de exagero por parte das duas secretarias, no entender de boa parte dos eleitores iguaçuanos, é a causa do alto índice de rejeição atribuído ao prefeito Nelson Bornier: em pesquisa divulgada no último dia 12 pelo Ibope 56% dos entrevistados pelo instituto disseram que não votariam em Bornier.

PF prende compradores de votos em Saquarema

Entre eles estão quatro vereadores e o candidato a prefeito pelo PMDB

    Quatro vereadores da Câmara de Saquarema, município da Região dos Lagos fluminense foram presos nesta terça-feira em operação deflagrada pela Polícia Federal contra um esquema de compra de votos durante o pleito do último dia 2. Entre os detidos está também o ex-chefe de gabinete do deputado estadual Paulo Melo, Hamilton Nunes de Oliveira, o Pitico, que disputou a Prefeitura da cidade pelo PMDB e teve 20.037 votos, ficando em segundo lugar. Os vereadores presos são Romacartt de Azeredo de Souza, Guilherme Ferreira de Oliveira, o Pitiquinho; Vanildo Siqueira, o Kilinho e Paulo Renato Teixeira, que não conseguiu se reeleger. As prisões são temporárias e foram decretadas pelo juízo da 62ª zona eleitoral, que expediu ainda sete de mandatos de condução coercitiva, alguns deles médicos citados como envolvidos no suposto esquema de compra de votos, que, segundo as investigações da Polícia Federal, consiste na realização de boca de urna e compra de votos tendo como contrapartida a distribuição de medicamentos e combustível, fornecimento de atestados médicos e receitas médicas controladas em branco, assim como benefícios em um hospital de grande porte, além da distribuição de dinheiro, como no caso de um líder religioso teria aceitado dinheiro fazer campanha para candidatos durante os cultos.