Apesar da crise no setor de Saúde a Prefeitura de Casimiro de Abreu vai gastar R$ 1,4 milhão em estrutura para shows e eventos

Ao que tudo indica o prefeito de Casimiro de Abreu, Paulo Dames (foto), faltou com a verdade ao ir para as redes sociais tentar desmentir a notícia de que em plena crise - com falta de médicos e remédios na rede municipal de Saúde - sua administração decidiu gastar dinheiro promovendo festa. Dames disse uma coisa e está fazendo outra muito diferente: só com a montagem da estrutura para os shows e eventos deverão ser gastos mais de R$ 1,4 milhão, fato que o governo não pode negar, já que publicou aviso de licitação para contratar a empresa que se encarregará do serviço.

Pelo menos é o que está no edital do Pregão N.° 15/2017, marcado para o dia 18. De acordo com o edital, lançado no Processo Administrativo N.º 1171/2017, a estimativa de gastos com a tendas, palcos, stands, piso, grades, som, mini-trio, iluminação, geradores e banheiros químicos , é de R$ 1.467.182,54. 

Caxias não paga aposentado e ainda debocha

Quem cobra os atrasados é aconselhado a "tentar a sorte na Justiça"

Os servidores aposentados do município de Duque de Caxias nunca se sentiram tão desrespeitados em seus direitos como nessa gestão do prefeito Washington Reis (foto). Depois de mais de 30 anos de trabalho e de contribuição para a previdência própria, o IPMDC, queixam-se de que são constrangidos pelo atraso no pagamento dos proventos e pelo deboche de que os atende na entidade quando lá comparecem em busca de informações.  Na semana passada, por exemplo, quem foi a instituição cobrar os atrasados recebeu um papel com o endereço e o número do telefone da 3ª Vara Cível e um conselho para "tentar a sorte na Justiça", uma brincadeira sem graça por conta de uma decisão do Poder Judiciário determinando o arresto das contas da Prefeitura e nada ter acontecido até agora. A Prefeitura ainda não pagou os proventos de dezembro, maio e junho. Havia expectativa de que pelo menos os proventos de maio seria quitado nessa terça-feira, mas não caiu um centavo se quer nas contas dos aposentados e pensionistas.

Royalties aliviam um pouco Magé, Guapimirim e Silva Jardim

Rafael Tubarão, Zelito Tringuelê e Anderson Alexandre estavam contando moedas para pagarem as contas Os três municípios tinham perdido mais de 60% dessa receita e começaram a receber atrasados

Desde fevereiro raspando as gavetas para conseguirem pagar as contas, os prefeitos de Magé, Guapimirim e Silva Jardim estão respirando melhor. Rafael Santos de Souza, o Rafael Tubarão, Jocelito Pereira de Oliveira, Zelito Triguelê e Anderson Alexandre receberam ontem uma boa notícia de seus tesoureiros: caiu uma parcela referente aos valores que desde fevereiro vinham sendo retidos pela Agência Nacional do Petróleo, o que havia reduzido os repasses dos royalties para esses municípios em 60%. Para conseguirem rever os créditos os prefeitos tiveram de ir várias vezes à Brasília e recorrer à Justiça. Valeu apena: Magé recebeu R$ 6.859.550,84, Guapimirim R$ 5.932.584,51 e Silva Jardim R$ 4.820.224,92.

Primeira emergência do lixo em Itaboraí foi com empresa capixaba

Contrato e dispensa de licitação são mantidos em segredo, mas a empresa Limpeza Urbana Serviços, antecessora da Mapylar Consultoria, recebeu R$ 3,7 milhões

É ainda mais intrigante o caso das seguidas situações de emergência alegadas pela Prefeitura de Itaboraí fazer contratos para coleta de lixo sem licitação, uma manobra usada durante os quatro anos da gestão do ex-prefeito Helil Cardoso e repetida já duas vezes pelo atual. Durante a campanha Sadionel de Oliveira (foto) prometeu moralizar a administração municipal e governar com transparência e responsabilidade com a coisa pública. Em vez disso enviou ao Tribunal de Contas do Estado um edital de licitação com 36 irregularidades, 14 a mais que as verificadas na proposta de concorrência de Helil, que em quatro anos fez cinco dispensas de licitação para o serviço. Sadinoel em apenas seis meses homologou dois contratos emergenciais para o lixo e até hoje não deu publicidade a eles no Portal da Transparência como determina a lei. A julgar pela capacidade de cometer erros em edital de licitação e de fazer segredo do que teria de estar bem claro, Oliveira pode vir a superar a façanha de seu antecessor, que deixou o poder como o "filme" queimadíssimo.

MPF desnuda relação entre agentes públicos e barões dos ônibus

Presidente da Comissão de Transportes da Alerj é sócio dos irmãos Lavouras

A relação nada republicana entre agentes públicos e empresas do setor de transporte de passageiros no estado do Rio de Janeiro é questionada há anos, mas começou a vir à tona mesmo foi na semana passada e pode emergir de uma vez nos próximos dias, já que estão presas duas das peças que o Ministério Público Federal aponta como as mais importantes, pelo lado das concessionárias, os empresários Jacob Barata Filho e José Carlos dos Reis Lavouras. Uma informação que vinha passando longe dos noticiários – revelada pela Agência Pública – é a ligação entre Lavouras e o deputado Marcelo Simão, presidente Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa. Simão aparece nos registros do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, no Ministério da Fazenda, como sócio dos irmãos José Carlos, Sergio Luiz e Armando Lavouras na New Way Administração de bens Próprios. Um dos imóveis sob os cuidados da New Way é o prédio no qual funciona uma agência da Caixa Econômica Federal em São João de Meriti, que rende R$ 45 mil de aluguel todos os meses aos dois proprietários: José Carlos e Marcelo.

Rei do ônibus da Baixada é preso em Portugal

José Carlos dos Reis Lavouras era um dos alvos da Operação Ponto Final

Sócio majoritário do Grupo JAL – dono da maior frota de ônibus da Baixada Fluminense –, o empresário José Carlos dos Reis Lavouras foi preso na noite de ontem, em Portugal, onde também tem negócios. A prisão dele foi decretada pelo juiz federal Marcelo Bretas na última segunda-feira, bem como a de 11 acusados de pagamento e recebimento de propinas. Denominada Ponto Final, a operação já havia detido o empresário o empresário Jacob Barata Filho, o presidente-executivo da Fetranspor Lélis Teixeira e o ex-presidente do Detro Rogério Onofre. Ontem também foi presa a esposa de Onofre.  Dayse Deborah Alexandra Neves detida na Rodoviária de Curitiba, indo para Florianópolis. Segundo o Ministério Público Federal, ela teria tentando reaver US$ 1,8 milhão em contas no exterior. “A investigada teve a ousadia de, apenas três dias após a prisão de seu marido e de decretada a indisponibilidade de seus bens, tentar reaver substancioso montante de dólares em fundo no exterior”, afirma o MPF.

Cabo Frio abusa das ‘emergências’ e faz segredo das contas públicas

Gestão municipal é marcada por contratos sem licitação e falta de transparência: gastos são guardados na "caixa-preta" em que se transformou a contabilidade da Prefeitura

Nos primeiros seis meses deste ano o município de Cabo Frio recebeu R$ 154 milhões em repasses constitucionais e as transferências da Agência Nacional do Petróleo superaram os valores repassados a Prefeitura no segundo semestre de 2016. De janeiro a junho os créditos dos royalties somaram R$ 52.062.819,57 e entre julho e dezembro de 2016 atingiram a soma de R$ 46.995.500,56, uma diferença - a maior - de R$ 5.067.319,01, dados registrados pelo Demonstrativo de Distribuição de Arrecadação do Banco do Brasil, já que os contribuintes cabofrienses não encontram nenhuma informação no Portal da Transparência, que se nada mostra sobre a receita, muito menos expõe a relação de despesas, o que os levam a indagar sobre onde e em que o prefeito Marcos da Rocha Mendes, o Marquinho Mendes (foto), está gastando o dinheiro do povo.

Rombo em Búzios pode chegar a R$ 50 milhões

Denúncias apontam fraudes em 21 processos licitatórios e prefeito foi afastado pela Justiça

Afastado do cargo duas vezes em pouco mais de um mês, o prefeito de Búzios, André Granado (foto), será investigado em duas comissões processantes na Câmara de Vereadores. Dr. André, como o prefeito gosta de ser chamado, vem sendo denunciado desde 2014, sem que nada tivesse acontecido até então. Este ano o Poder Legislativo decidiu agir e no dia 1º de junho chegou a afastar Granado, mas uma liminar concedida pelo juiz Marcelo Alberto Chaves Villas, da 2ª Vara da Comarca local o recolocou no cargo 24 horas depois. Ontem (4) os vereadores Paulo César Rito, Vantoil Martins, Alexandre Carvalho, Alan Rodrigues e Marciley Lessa apresentaram requerimentos no sentido de apurar possíveis irregularidades na aquisição de materiais de construção por parte da Prefeitura, além da compra de refeições durante o exercício de 2016. As suspeitas, entretanto, vão muito além: envolvem 21 processos licitatórios e as estimativas são de que fraudes podem ter gerado prejuízos de pelo menos R$ 50 milhões.