Guapimirim: gasto com merenda continua em segredo

O prefeito Marcos Aurélio Dias precisa se antecipar às denúncias A Prefeitura ainda não revelou se o fornecimento foi regularizado nem se o fornecedor foi substituído com a nova licitação feita em setembro

Alvo de uma ação judicial por improbidade administrativa que o deixou fora do cargo por seis dias, o prefeito de Guapimirim, Marcos Aurélio Dias vai ter de abrir a caixa-preta dos gastos de recursos repassados pelo governo federal para o setor de Educação se não quiser ter mais problemas pela frente. É que a falta de informações sobre as despesas com o fornecimento de merenda escolar e as denúncias de que durante os meses de agosto e setembro chegou a faltar gêneros alimentícios em algumas unidades de ensino, começaram a ganhar corpo, principalmente pelo fato de a empresa Comércio de Gêneros Alimentícios Paraíso estar na lista de fornecedores aos quais o município teria feito pagamentos irregulares com recursos da Saúde. A lista foi apresentada pelo Ministério Público no processo que gerou o afastamento do prefeito por 180 dias, interrompido ontem por decisão do Tribunal de Justiça.

Mangaratiba continua gastando verbas federais sem licitação

Há apenas cinco meses no cargo Ruy Quintanilha já gastou mais de R$ 3,3 milhões da Secretaria Saúde sem abrir processo licitatório Novas "emergências" na Saúde comprometem mais R$ 1,7 milhão

O gasto, sem licitação, de dinheiro repassado pelo governo federal para o setor de Saúde de Mangaratiba aumentou em relação aos contratos emergenciais firmados em julho pelo prefeito Ruy Quintanilha, que naquele mês somaram R$ 1.630.737,39. Em agosto novas compras por dispensa de licitação foram feitas e somaram exatamente R$ 1.765.531,97, em onze contratos, dos quais apenas dois deixam claros o objeto contratado e nove justificam a despesa com "materiais correlatos", sem informar pelo que o município está pagando.

MP evitou que Ong continuasse em Guapimirim com outro nome

Marcos Aurélio deu continuidade ao contrato feito com a Tesloo por Junior do Posto e está respondendo por isso Permanência da Tesloo poderia ter sido concretizada por nova licitação e razão social diferente

Ao conseguir suspender na Justiça, em abril deste ano, a licitação marcada para contratar uma instituição que iria fornecer pelo menos 960 funcionários terceirizados à Prefeitura de Guapimirim, o Ministério Público pode ter evitado que a Casa Espírita Tesloo - contratada inicialmente na gestão do prefeito Renato da Costa Mello Junior, o Junior do Posto, por R$ 34 milhões ao ano - permanecesse faturando alto no município, segundo a investigação do MP, cobrando por mão de obra superfaturada. De acordo com uma fonte ligada à administração municipal, a Ong, que já havia mudado de nome para Obra Social São João Batista, iria participar do certame, se não com o mesmo nome, usando outra razão social para não despertar a atenção.

Guapimirim quer saber para onde está indo o dinheiro da Educação

O prefeito Marcos Aurélio precisa abrir a caixa-preta que guarda a contabilidade do governo. A população tem o direito de saber onde e em que os recursos da Prefeitura estão sendo aplicados Nos últimos dias tem faltando gêneros alimentícios e até gás em algumas escolas

Incompetência ou má-fé? Essa pergunta vem sendo feita no município de Guapimirim diante de uma realidade verificada na rede municipal de ensino em relação ao fornecimento de merenda escolar. A explicação dada pelo governo é de que o fornecedor teria deixado de entregar alguns gêneros alimentícios e que isso estaria sendo resolvido com uma nova licitação feita essa semana. O problema é que ninguém tomou conhecimento do pregão da merenda até agora, pois nenhuma publicação nesse sentido circulou nos últimos 45 dias, tempo em que o Portal da Transparência está fora do ar, segundo a Prefeitura, por motivo de manutenção. Como se deu o processo licitatório, quantas empresas concorreram e qual delas venceu o pregão, até o final do expediente de ontem era um ministério, assim como os cidadãos de Guapimirim estão sem saber onde em que os recursos destinados pelo governo federal para o setor de Educação estão sendo aplicados.

Justiça bloqueia bens de Evandro Capixaba

Evandro Capixaba está preso desde abril Além do ex-prefeito de Mangaratiba decisão atinge outros cinco réus, pessoas físicas e empresas

O ex-prefeito de Mangaratiba, Evandro Bertino Jorge, o Evandro Capixaba, teve ontem os bens bloqueados pela Justiça. A decisão, tomada pelo juiz Marcelo Borges Barbosa, da Vara Única da cidade, engloba outros 35 réus, inclusive empresas. Além da indisponibilidade dos bens todos tiveram o sigilo bancário quebrado. Eles são acusados de improbidade administrativa e o magistrado também determinou a suspensão dos contratos firmados entre a Prefeitura e as empresas MD Mattos, Vimatécnica Comércio e Serviços, LU Souza Representações, VM Villar, D-Trade e Proll Comércio e Serviço.

“Está tudo dentro da legalidade…”

O prefeito Sandro Matos diz que está tranquilo Prefeito de Meriti diz que "o que importa é a documentação estar em dia, fornecimento feito e os serviços prestados"

Para o prefeito de São João de Meriti, Sandro Matos (PDT), "não há nenhum motivo de preocupação em relação aos contratos de fornecimento, obras e prestação de serviços firmados em sua gestão". Apesar das denúncias de supostas irregularidades e do fato de algumas empresas não terem sido encontradas nos endereços nos quais estão registradas, Sandro diz que não teme nenhuma investigação porque 'os documentos apresentados pelos vencedores das licitações estão corretos'. "Para mim é isso que importa. Se as certidões estão em dia e o que foi comprado entregue nos prazos e nas quantidades certas, não há problema algum. Se contratamos um serviço dentro do que a legislação exige e ele foi efetivamente prestado estou tranquilo", afirmou.

Mesquita serve os sanduiches mais caros do mundo

O prefeito Gelsinho Guerreiro tem muitas explicações a dar Depois do Ministério Público Federal, Tribunal de Contas decide investigar fornecimento de merenda nas escolas da rede municipal. MPF vai conferir o processo de licitação

Entre março de 2013 e o dia 10 de setembro de 2015 a empresa Home Bread Indústria e Comércio de Alimentos, especializada em merenda escolar, recebeu mais de R$ 16 milhões para abastecer as escolas municipais de Mesquita, um dos municípios da Baixada Fluminense onde ela opera, mas a qualidade da comida servida vem sendo questionada há muito tempo. Este ano a Prefeitura já pagou R$ 6,060 milhões pelo fornecimento, mas no início deste mês foi servido  apenas sanduiches na Escola Municipal Machado de Assis, sem que o prefeito Rogelson Sanches Fontoura, o Gelsinho Guerreiro (PSC) tomasse qualquer providência. O abuso, entretanto, não vai ficar barato: o Ministério Público Federal já abriu inquérito para  apurar o fato (a exemplo do que já está fazendo em outras três cidades onde a Home Bread tem contrato) e o Tribunal de Contas do Estado também decidiu por uma investigação.

Reiniciada a duplicação da Magé-Manilha

O reinício das obras dá esperanças aos mageenses A retomada das obras está dentro do pacote anunciado em junho

Recomeçaram, pela segunda vez, as obras e duplicação do trecho da BR-493 que vai de Santa Guilhermina, em Magé, a Itambi, no município de Itaboraí. Apesar de já ter sido paralisado duas vezes, o projeto, de acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), será concluído dentro o prazo, com a duplicação finalizada até fevereiro de 2017. Segundo o órgão, “os entraves burocráticos já foram resolvidos”, inclusive os problemas de licenciamento ambiental, uma vez que algumas intervenções de engenharia acontecerão em trechos da Área de Preservação Ambiental de Guapimirim, controlada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Meriti: GM Fonseca tem apenas um caminhão

Dono de empresa contratada por mais de R$ 7 milhões pela Prefeitura diz que não tem frota e que só recebeu 15% do valor total empenhado

     Contratada no dia 7 de julho de 2013 pelo total de R$ 7.434.024,00 para locar tratores, retro-escavadeiras e caminhões caçamba à Prefeitura de São João de Meriti, a empresa GM Fonseca 6768 Comércio e Distribuidora não tinha condições financeiras para garantir o objeto do contrato sem o pagamento em dia das faturas por parte da administração municipal, pois não tem a frota necessária e alugava as máquinas e os caminhões contratados para relocá-los ao município. Isso está claro nos esclarecimentos prestados na noite de ontem, via e-mail, por Jorge Luiz Pacheco, dono da empresa. Segundo Jorge, o contrato não foi cumprido integralmente porque ele não possuía capital de giro.

Contratos esquisitos em São João de Meriti

A loja que seria a sede da empresa Redações está fechada há meses e o imóvel 1.283 da Rua Professor Darcy Ribeiro é uma residência que na Receita Federal consta como sede do PDT de Tanguá A Prefeitura comprou mais de R$ 2 milhões em materiais gráficos com quatro empresas diferentes e duas delas não funcionam nos locais mencionados nos contratos. Uma das fornecedoras dá como sede endereço que na Receita Federal consta como sendo do diretório do PDT de Tanguá, mesmo partido do prefeito Sandro Matos e de seu 'irmão', o deputado Marcelo Viviane, o Marcelo Matos

Entre os dias 7 de fevereiro e 27 de março de 2014 a Prefeitura de São João de Meriti firmou cinco contratos para compra de material gráfico com quatro empresas diferentes e pelo menos duas delas não foram encontradas nos endereços que aparecem nos contratos e em seus respectivos cadastros de pessoa jurídica. A loja 3 do número 19 da Rua Valdevino da Silva, no bairro Vila Cortes, em Tanguá, por exemplo, consta como sede da Redações Papeis e Editora (que tem um contrato de R$ 804.250,00), mas está vazia há vários meses e a vizinhança diz nunca ter ouvido falar da empresa por lá. Do outro lado da cidade, no bairro Pinhão, no número 1.283 da Rua Professor Darcy Ribeiro, pelo que está no contrato, funcionaria a HP Publicidade, Papelaria e Editora, contratada por R$ 415.440,00, mas o endereço consta na Receita Federal como sendo da sede do Diretório Municipal do PDT. Na via o que existe mesmo com o nome HP é um haras, mas não há registro, pelo menos por enquanto, de que a administração municipal tenha comprado cavalos.