O Brasil é de todos os que são do bem, como expressa a tela Pátria, pintada pelo artista Pedro Bruno em 1919
Quando um ex-presidente da República é conduzido coercitivamente para depor pela Polícia Federal mesmo sem ter recebido antes uma convocação e recusado atendê-la; quando um juiz anexa em processo escuta telefônica que sabe ter sido feita duas horas depois de ele mesmo tê-la suspendido, o que a tornou ilegal; quando um representante do Ministério Público Federal concede entrevista a um jornalão do tamanho da Folha de São Paulo e diz que o melhor que o Supremo Tribunal poderia fazer era acatar certos pedidos de prisão preventiva feitos por um Procurador Geral que está doido para experimentar a faixa presidencial e, jogando para a platéia, faz esses pedidos mesmo sabendo não haver sustentação jurídica alguma para tal, acende nos brasileiros mais observadores, nos que pensam com o cérebro e não com o fígado, uma luz de preocupação. O que todos queremos é que a Operação Lava-Jato passe mesmo o Brasil a limpo, que varra os bandidos da vida pública, que lave a alma dos brasileiros e encarcere de verdade os saqueadores da nação. Queremos e torcemos por isso, mas tudo precisa ser feito dentro da lei, de forma que nada possa vir a ser derrubado mais lá na frente, em instância superior.
Agora, mais recentemente, veio a prisão do ex-ministro Paulo Bernardo. Ótimo! Tem que prender? Prendam, mas façam a coisa direito, pelo amor de Deus! Bernardo, segundo apontam as investigações, teria participado de um esquema que colocou em bolsos corruptos pelo menos R$ 100 milhões tirados de trabalhadores públicos endividados com os empréstimos consignados, mas pode vir a ser solto a qualquer momento, por causa de uma barbeiragem: foram prendê-lo em dependência do Senado, onde a Polícia Federal só poderia entrar com determinação do STF e não por ordem de primeira instância.