Carlos Augusto promete reerguer Rio das Ostras

Carlos Augusto assegura que vai apertar os cintos para recuperar o município (Fotos:Ákilla Ribeiro) Novo prefeito encontra uma cidade arrasada e de cofres vazios

Em clima de emoção o prefeito Carlos Augusto Balthazar (foto), ao lado vice-prefeito José Guimarães Salvador e dos 13 membros da Câmara Municipal, foi empossado no início da noite deste domingo (1) para um terceiro mandato à frente do município de Rio das Ostras. A solenidade foi presidida pelo vereador Carlos Afonso Fernandes, que após quatro anos foi reconduzido ao cargo de presidente da Casa. Carlos Augusto destacou uma trajetória de lutas e falou sobre as dificuldades pelas quais a cidade vem passando, embora o antecessor, prefeito Alcebíades Sabino dos Santos tenha tido cerca de R$ 2,6 bilhões para gerir em seus quatro anos de gestão.

De cabeça baixa e pelos fundos

O “melhor prefeito” de Rio das Ostras sai sem deixar saudades

Ele disputou a reeleição, ficou em terceiro lugar, somou pouco mais de sete mil votos e ainda assim não teve a votação validada. Com condenações que o deixam inelegível até 2021, ele pode estar deixando de vez a vida pública, tão elevado é o seu índice de rejeição. Trata-se de Alcebíades Sabino dos Santos (foto), que até as eleições de 2012 se apresentava como o “melhor prefeito que Rio das Ostras já teve”.  A poucas horas de deixar o cargo, Sabino está encerrando um ciclo e tanto ele como o ano de 2016 não vão deixar saudades. Para as lideranças comunitárias locais as únicas coisas a festejar são a chegada de 2017 e a renovação da esperança, já que a atual gestão conseguiu levar o município - que já foi considerado o segundo melhor do estado do Rio de Janeiro em qualidade de vida - a um quadro de abandono nunca visto antes: a população está entregue a própria sorte porque todas as áreas de atendimento se encontram em situação precária.

Natal sem comida em hospital de Rio das Ostras

Sem pagamento, empresa suspende fornecimento de alimentação

Responsável pelo serviço de nutrição dietética para o hospital e o pronto socorro de Rio das Ostras, com contrato com a Secretaria Municipal de Saúde desde a gestão do prefeito Carlos Augusto Balthazar, a empresa Guelli Comércio e Indústria de Alimentos comunicou os funcionários das unidades que neste sábado, véspera de Natal, não vai servir qualquer tipo de alimento e justifica dizendo que está há três meses sem pagamento. De acordo com o sistema da Prefeitura, a empresa recebeu entre janeiro e setembro deste ano o total de R$ 3.050.842,96 de um empenho global de pouco mais de R$ 3,2 milhões. A administração municipal ainda não se pronunciou sobre o assunto. Ao todo a empresa já recebeu mais de R$ 11 milhões dos cofres da municipalidade. Além dos pagamentos deste ano a Guelli recebeu R$ 3.538.004,68 em 2015, R$ 4.180.518,40 no ano anterior e R$ 680.519,92 em 2013.

Carlos Augusto promete rigor nos gastos públicos

Prefeito eleito de Rio das Ostras quer ajuda da sociedade para recuperar o município

Embora tenha acumulado desde 2013 uma receita de mais de R$ 2,6 bilhões, o município de Rio das Ostras é hoje o que se pode chamar de terra arrasada e, consciente disto, o prefeito eleito Carlos Augusto Balthazar (foto), avisa que vai precisar da ajuda da população para recuperar o município. Durante a solenidade de diplomação dos eleitos no dia 3 de outubro, conduzida pelo juiz Henrique Assumpção Rodrigues de Almeida, Carlos Augusto destacou o compromisso com o rigor dos gastos públicos num momento em que a cidade passa por uma crise financeira e de gestão. “Sabemos que os desafios serão muitos, mas estamos com muita disposição para o trabalho e, com o apoio da sociedade civil organizada, vamos fazer com que Rio das Ostras volte a ser referência em qualidade de vida no estado”, afirmou.

Números mostram que Rio das Ostras poderia estar melhor

O município teve entre 2013 e 2015 a maior arrecadação de sua história

Com toda crise nacional e queda nos repasses dos royalties do petróleo, Rio das Ostras registrou entre 2013 e 2015 a melhor arrecadação de sua história, uma receita superior a atingida nos quatro anos anteriores. Os números são da própria Prefeitura e revelam um contrassenso aos olhos de quem depara com uma cidade bem pior do que a que o prefeito Alcebíades Sabino encontrou em janeiro de 2013, quando iniciou seu terceiro mandato. Segundo os números, o município teve uma receita de R$ 2.105.813.116,46 nos três primeiros anos da administração atual, mais que o total verificado de 2009 a 2012, que ficou em R$ 2.062.582.500,00, arrecadação da qual sobraram R$ 178.053.700,00 para o gestor atual administrar. Somando os valores arrecadados este ano, o governo que termina no próximo dia 31 teve ainda mais dinheiro: os números de 2016 apontam que até setembro entrou nos cofres da municipalidade o total de R$ 338.573.396,23, o que eleva a receita do período desta gestão para mais de R$ 2,5 bilhões, sem contar o saldo dos quatro anos anteriores.

Festival de Vinhos de Rio das Ostras será dia 26

O festival é considerado atualmente um dos maiores eventos do gênero destinado ao consumidor final no estado (Foto:Divulgação) Serão degustados mais de 150 rótulos de vinhos e espumantes nacionais e importados

Vai acontecer no próximo dia 26, no Centro Convenções do Vilarejo Praia Hotel, das 15 às 22 horas, o 5º Festival de Vinhos de Rio das Ostras. Este ano o evento - no qual serão degustados mais de 150 rótulos de vinhos e espumantes nacionais e importados - vai contar com workshops de gastronomia, degustações Vips gratuitas, além de uma praça de alimentação com food trucks a preços especiais. O festival, que no último ano reuniu cerca de mil pessoas, é considerado atualmente um dos maiores eventos do gênero destinado ao consumidor final em todo o estado e vem colaborando amplamente  para a difusão e fortalecimento da cultura do vinho no interior do Rio de Janeiro.

Má gestão comprometeu as finanças de Rio das Ostras

Sabino recebeu de Carlos Augusto uma casa arrumada e vai entregar tudo bagunçado e com contas a pagar Receita chegou a R$ 2,6 bilhões em quatro anos, mas não houve investimentos

Os servidores efetivos de Rio das Ostras estão há mais de três anos sem reajuste salarial, mesmo assim a folha de pagamento de pessoal é apontada como a grande vilã, causa principal do péssimo momento que o município está vivendo. Quem entende do riscado afirma que a arrecadação está mesmo bastante reduzida, mas que a queda na receita não é a grande responsável pela falta de obras e pela precariedade dos serviços prestados pela administração municipal. O problema está numa gestão que teve um volume de recursos - em números atualizados - na ordem de R$ 2,6 bilhões, mas optou por inchar a folha com cargos comissionados e contratados, além de abusar no aumento e nas gratificações para alguns privilegiados, como é o caso do chefe de gabinete do prefeito Alcebíades Sabino, Aldem Vieira, que recebia duas vezes, uma como servidor cedido com ônus a Prefeitura pelo Tribunal de Justiça e outra como ocupante de cargo confiança, quando deveria, como determina a lei, receber apenas uma remuneração.

Empresa que faturou alto em Macaé pagou pesquisa eleitoral

O prefeito Aluízio dos Santos Junior teria sido beneficiado pelo que oposicionistas classificam como "apoio indireto" Editora recebeu mais de R$ 5 milhões e gastou R$ 51 mil com consulta

Reeleito com 58,78% dos votos, o prefeito de Macaé, Aluizio dos Santos Júnior, o Dr. Aluizio, contou com uma ajuda que se não pode ser apontada como ilegal, no ponto de vista de alguns de seus opositores, “é no mínimo imoral”. O “apoio indireto”, conforme o fato vem sendo classificado, se deu através de uma pesquisa de intenção de votos contratada junto ao Ibope (ao custo de R$ 51.200,00) por uma empresa prestadora de serviços ao município. A E.L. Mídia Editora tem um contrato para publicação de atos oficiais da Prefeitura, pelo qual recebeu R$ 5,1 milhões entre janeiro de 2013 e outubro deste ano. Nos registros de dados da administração municipal aparecem 17 empenhos em favor da editora, com pagamentos totais de R$ 5.127.345,00.

Sabino deixa “terra arrasada” em Rio das Ostras

A orla da Costazul é hoje o retrato do abandono que afeta todo o município de Rio das Ostras (Fotos:Bruno Tosta) O estado de abandono é verificado em todos os bairros do município

Do dia 1 de janeiro de 2013 até o dia 30 de setembro desde ano o município de Rio das Ostras registrou uma receita líquida consolidada de mais de R$ 2,3 bilhões, mais que o dobro do que foi arrecadado por cidades com universo populacional bem maior, mas tanto dinheiro não ajudou em nada. Os serviços básicos perderam muito em qualidade e o que se vê nas ruas, inclusive nos bairros com o IPTU mais caro, é abandono. Na rede municipal de ensino os professores sofrem com a falta de material didático e até água e papel higiênico tem faltado nas unidades. No sistema de saúde o atendimento é precário, não há médicos nem medicamentos, o que não é admissível para uma cidade que tem menos de 150 mil moradores e arrecadação acima da média, exatos R$ 2.339,060.396,46 em três anos e nove meses.