Dinheiro jogado no lixo em Rio das Ostras

O teto do pronto socorro municipal foi deixado nesta situação pela administração anterior Gestão anterior deixou estragar R$ 5 milhões em remédios, equipamentos e insumos

Bonito por fora, horrível por dentro. Está é a realidade do Hospital Municipal de Rio das Ostras, onde faltou de tudo até agora. Inclusive responsabilidade com a coisa pública, o que pode ser constatado na quantidade de material que terá de ser jogado fora, isto sem falar no grande volume de medicamentos com data de validade vencida encontrado na Secretaria de Saúde. A nova gestão encontrou camas hospitalares sem colchão e danificadas, mesas cirúrgicas abandonadas, tomógrafo, endoscópio e videolaparoscópio quebrados, sistema de refrigeração e réguas de oxigênio sem manutenção e falta de insumos em geral. Também foram encontradas 70 caixas lacradas de filmes de mamografias vencidos, material odontológico, 30 bobinas de papel para esterilização e 100 galões de 20 litros de revelador e fixador vencidos, um prejuízo de R$ 5 milhões segundo avalia o secretário Marcelino Dias Borba.

Cinco municípios herdam dívidas de R$ 1,8 bi

Angra dos Reis, Cabo Frio, Nova Iguaçu, Petrópolis e Rio das Ostras estão entre as prefeituras mais endividada no território fluminense

O rombo nas finanças do município de Angra dos Reis é de R$ 374 milhões e pode ficar maior se a Prefeitura não tiver condições de cumprir o compromisso de começar a pagar, dentro de um ano, as 60 parcelas de um empréstimo feito para quitar três meses de salários atrasados e o 13º do funcionalismo. O prefeito Fernando Jordão (foto) recorreu à Justiça para que o fundo de previdência dos servidores liberasse seus recursos para o pagamento da folha, uma solução que pode gerar ainda mais problemas lá na frente. “O dinheiro da previdência municipal é dos servidores para sustentá-los na inatividade e não do governo. Se o empréstimo não for pago a instituição fica sem ter como honrar com os aposentados e pensionistas no futuro e aí a conta vai ter de ser paga pela Prefeitura, que continuará deficitária”, analisa o professor Henrique Bréssia, especialista em administração pública.

Terceirizados da saúde ameaçam greve em Rio das Ostras

Trabalhadores cobram férias, décimo terceiro e o salário de dezembro

A cada dia uma descoberta e as novidades não são nada boas. Esta é a realidade vivida pela equipe do novo governo de Rio das Ostras, que está enfrentando hoje uma ameaça de paralisação dos funcionários terceirizados que atuam no serviço de limpeza e conservação das unidades de saúde, o que se acontecer afetará em cheio o hospital da cidade e o pronto socorro. Os trabalhadores são contratados da empresa Mississipi Empreendimentos, que alega não ter dinheiro para pagar o salário de dezembro que vence hoje, muito menos o décimo terceiro e as férias vencidas, pois desde julho não recebe os repasses da Prefeitura. Sem recurso em caixa para quitar as faturas atrasadas, o prefeito Carlos Augusto Balthazar está buscando uma solução junto à empresa, para que o serviço de limpeza continue sendo prestado. De acordo com alguns trabalhadores, os salários vem atrasando com frequência e no primeiro semestre eles chegaram a ficar dois meses sem receber. A dívida do Fundo Municipal de Saúde com a Mississipi Empreendimentos está acumulada em R$ 4,7 milhões.

Rio das Ostras: dinheiro demais, responsabilidade e saúde de menos

Carlos Augusto explicou as razões que o levaram a decretar calamidade financeira (Fotos: Divulgação/PMRO) Médico é coisa rara na rede pública do município, mas folha de pagamento do setor passa de R$ 92 milhões por ano. Nova gestão herda calamidade e dívida de R$ 200 milhões

Durante a gestão do prefeito Alcebíades Sabino a rede de atendimento Rio das Ostras entrou em colapso e foi parar na UTI. Quem buscou socorro no hospital público da cidade cansou de ouvir um “não tem médico” e quem precisou de um desses Captopril da vida - remédio para controlar a pressão arterial - muitas vezes foi informado de que estava faltando medicamento na farmácia básica, um contra-senso diante dos cerca de R$ 600 milhões gastos pela Secretaria de Saúde nos últimos quatro anos, R$ 92 milhões anuais só com a folha de pagamento do setor. Se elevados para uma rede que não funciona, os números verificados pelo novo governo mostram que mais que problemas financeiros, o município conheceu com o ex-prefeito uma crise de gestão, com pessoal demais, gente de menos trabalhando e materiais médicos jogados fora: numa primeira avaliação a equipe que vai comandar a rede de agora em diante encontrou R$ 5 milhões em remédios, insumos e próteses vencidas, cerca de R$ 1 milhão só em remédios fora do período de validade.

Rombo nas finanças preocupa em Rio das Ostras

Prefeito que deixou R$ 170 milhões em caixa agora depara com déficit de R$ 50 milhões

O município de Rio das Ostras não tem hoje em caixa dinheiro suficiente para cobrir a primeira folha de pagamento do ano e medidas de economicidade terão de ser tomadas para que o salário de janeiro possa ser pago sem atraso. Neste sentido um pacote de ações será anunciado na próxima quinta-feira pelo prefeito Carlos Augusto Balthazar (foto) em entrevista coletiva a imprensa. Embora os servidores estejam há três anos sem correção nos vencimentos, os gastos com pessoal foram elevados a R$ 285 milhões por ano pelo prefeito Alcebíades Sabino, que inchou a folha com cargos comissionados e concessão de gratificações para alguns nomeados. Em relação a esta conta há um rombo de R$ 50 milhões e o equilíbrio terá que ser encontrado nos próximos dias para que os funcionários e a população não venham ser sacrificados.

Carlos Augusto promete reerguer Rio das Ostras

Carlos Augusto assegura que vai apertar os cintos para recuperar o município (Fotos:Ákilla Ribeiro) Novo prefeito encontra uma cidade arrasada e de cofres vazios

Em clima de emoção o prefeito Carlos Augusto Balthazar (foto), ao lado vice-prefeito José Guimarães Salvador e dos 13 membros da Câmara Municipal, foi empossado no início da noite deste domingo (1) para um terceiro mandato à frente do município de Rio das Ostras. A solenidade foi presidida pelo vereador Carlos Afonso Fernandes, que após quatro anos foi reconduzido ao cargo de presidente da Casa. Carlos Augusto destacou uma trajetória de lutas e falou sobre as dificuldades pelas quais a cidade vem passando, embora o antecessor, prefeito Alcebíades Sabino dos Santos tenha tido cerca de R$ 2,6 bilhões para gerir em seus quatro anos de gestão.

De cabeça baixa e pelos fundos

O “melhor prefeito” de Rio das Ostras sai sem deixar saudades

Ele disputou a reeleição, ficou em terceiro lugar, somou pouco mais de sete mil votos e ainda assim não teve a votação validada. Com condenações que o deixam inelegível até 2021, ele pode estar deixando de vez a vida pública, tão elevado é o seu índice de rejeição. Trata-se de Alcebíades Sabino dos Santos (foto), que até as eleições de 2012 se apresentava como o “melhor prefeito que Rio das Ostras já teve”.  A poucas horas de deixar o cargo, Sabino está encerrando um ciclo e tanto ele como o ano de 2016 não vão deixar saudades. Para as lideranças comunitárias locais as únicas coisas a festejar são a chegada de 2017 e a renovação da esperança, já que a atual gestão conseguiu levar o município - que já foi considerado o segundo melhor do estado do Rio de Janeiro em qualidade de vida - a um quadro de abandono nunca visto antes: a população está entregue a própria sorte porque todas as áreas de atendimento se encontram em situação precária.

Natal sem comida em hospital de Rio das Ostras

Sem pagamento, empresa suspende fornecimento de alimentação

Responsável pelo serviço de nutrição dietética para o hospital e o pronto socorro de Rio das Ostras, com contrato com a Secretaria Municipal de Saúde desde a gestão do prefeito Carlos Augusto Balthazar, a empresa Guelli Comércio e Indústria de Alimentos comunicou os funcionários das unidades que neste sábado, véspera de Natal, não vai servir qualquer tipo de alimento e justifica dizendo que está há três meses sem pagamento. De acordo com o sistema da Prefeitura, a empresa recebeu entre janeiro e setembro deste ano o total de R$ 3.050.842,96 de um empenho global de pouco mais de R$ 3,2 milhões. A administração municipal ainda não se pronunciou sobre o assunto. Ao todo a empresa já recebeu mais de R$ 11 milhões dos cofres da municipalidade. Além dos pagamentos deste ano a Guelli recebeu R$ 3.538.004,68 em 2015, R$ 4.180.518,40 no ano anterior e R$ 680.519,92 em 2013.

Carlos Augusto promete rigor nos gastos públicos

Prefeito eleito de Rio das Ostras quer ajuda da sociedade para recuperar o município

Embora tenha acumulado desde 2013 uma receita de mais de R$ 2,6 bilhões, o município de Rio das Ostras é hoje o que se pode chamar de terra arrasada e, consciente disto, o prefeito eleito Carlos Augusto Balthazar (foto), avisa que vai precisar da ajuda da população para recuperar o município. Durante a solenidade de diplomação dos eleitos no dia 3 de outubro, conduzida pelo juiz Henrique Assumpção Rodrigues de Almeida, Carlos Augusto destacou o compromisso com o rigor dos gastos públicos num momento em que a cidade passa por uma crise financeira e de gestão. “Sabemos que os desafios serão muitos, mas estamos com muita disposição para o trabalho e, com o apoio da sociedade civil organizada, vamos fazer com que Rio das Ostras volte a ser referência em qualidade de vida no estado”, afirmou.