‘Criatura’ não quer mais receber ordens do ‘criador’

Ex-prefeito de Maricá estaria querendo mandar mais que o sucessor e nomear seus apadrinhados em mais de 500 novas "boquinhas"

Listado entre os quatro municípios fluminenses não atingidos pela crise econômica – os outros são Macaé, Niterói e Saquarema – Maricá está nadando em dinheiro e ao que parece o poder não estaria sabendo lidar com a coisa. Depois de atentar o prefeito Fabiano Horta (foto), apontado como sua "criatura", para enviar um projeto de lei à Câmara de Vereadores criando cinco novas secretarias e mais de 500 cargos comissionados, o ex-prefeito Washington Luiz Cardoso Siqueira, Washington Quaquá, achou-se no direito de escolher quem seria nomeado e dessa vez Fabiano não teria concordado e avisado que o dono da caneta é ele.  O que se comenta nos corredores do poder em Maricá é que Quaquá se acha meio que dono do governo, por ter guiado Horta, segundo ele mesmo costuma afirmar, "pelos caminhos da vitória", abertos por uma poderosa máquina administrativa.

Rombo em Búzios pode chegar a R$ 50 milhões

Denúncias apontam fraudes em 21 processos licitatórios e prefeito foi afastado pela Justiça

Afastado do cargo duas vezes em pouco mais de um mês, o prefeito de Búzios, André Granado (foto), será investigado em duas comissões processantes na Câmara de Vereadores. Dr. André, como o prefeito gosta de ser chamado, vem sendo denunciado desde 2014, sem que nada tivesse acontecido até então. Este ano o Poder Legislativo decidiu agir e no dia 1º de junho chegou a afastar Granado, mas uma liminar concedida pelo juiz Marcelo Alberto Chaves Villas, da 2ª Vara da Comarca local o recolocou no cargo 24 horas depois. Ontem (4) os vereadores Paulo César Rito, Vantoil Martins, Alexandre Carvalho, Alan Rodrigues e Marciley Lessa apresentaram requerimentos no sentido de apurar possíveis irregularidades na aquisição de materiais de construção por parte da Prefeitura, além da compra de refeições durante o exercício de 2016. As suspeitas, entretanto, vão muito além: envolvem 21 processos licitatórios e as estimativas são de que fraudes podem ter gerado prejuízos de pelo menos R$ 50 milhões.

Deputado pede busca e apreensão para se defender

Mandado foi cumprido na Câmara de Vereadores de Paracambi

Presidente em exercício da Assembleia Legislativa, o deputado André Ceciliano (foto), em nota encaminhada agora há pouco ao elizeupires.com, que a busca e apreensão feita ontem (3) na Câmara de Vereadores de Paracambi pelo Ministério Público, foi pedida por ele mesmo através de sua defesa, para, segundo afirmou, esclarecer duvidas em um processo judicial aberto contra ele em 2011. O cumprimento do mandado se deu para que fosse encontrado um processo administrativo, solicitando antes pelo MP, mas não entregue pela presidência da Casa, apesar de reiteradas requisições. “O caso agora será esclarecido”, afirmou o parlamentar.

Cabo Frio também tem sua “fábrica de emergências”

Empresa sem frota e com apenas R$ 300 mil de capital social é a grande beneficiada: quase R$ 18 milhões por seis meses de serviços na coleta de lixo

Segundo Claudio Moreira, presidente da Companhia de Serviços Públicos de Cabo Frio (Comsercaf), uma autarquia municipal, a limpeza urbana vai muito bem obrigado. Diz que o serviço é feito por um efetivo operacional formado por cerca de 500 funcionários, 46 caminhões e 13 máquinas, mas não explica, por exemplo, a fabricação de uma situação de emergência para que uma empresa sediada em Alfenas, no estado de Minas Gerais - sem frota própria e com capital social de apenas R$ 300 mil - pudesse ser contratada sem licitação, ao custo de R$ 2,9 milhões por mês. De acordo com denúncias ignoradas pela Câmara de Vereadores, mas já encaminhadas ao Ministério Público, a gestão do prefeito Marcos da Rocha Mendes, o Marquinho Mendes (foto), estaria abusando dos contratos sem licitação, a maior parte deles através da Comsercaf, alegando sempre "situação de emergência".

Câmara de Mesquita já custou mais de R$ 120 milhões

Embora seja a caçula da Baixada Fluminense, a Câmara de Vereadores de Mesquita desponta como veterana em termos de farra com o dinheiro público. São muitas as denúncias de irregularidades Denúncias citam pagamentos a assessores fantasmas, contratos de fachada e passeios

Entre 2001 e 2016 a Câmara de Mesquita recebeu e gastou pelo menos R$ 120 milhões e boa parte disso, apontam denúncias, teria sido desperdiçada em viagens desnecessárias, despesas não comprovadas, pagamento a servidores fantasmas e até em um curso para os membros da Casa, o que ninguém sabe se aconteceu de fato. No entender do Tribunal de Contas do Estado o tal curso foi contratado de forma irregular e isso levou o órgão a condenar, em 2009, o ex-presidente André Tafarel a devolver a R$ 1,5 milhão aos cofres públicos. Não se sabe quanto desse dinheiro foi já devolvido, bem como é praticamente impossível dizer onde e em que os valores repassados todos os meses pela Prefeitura estão sendo gastos, já que as contas vêm sendo mantidas numa espécie de caixa-preta pelos seus presidentes desde que a Casa foi instalada, em janeiro de 2001. Este ano, por exemplo, já foram feitos seis repasses no total R$ 4.614.310,59 e a mesma falta de transparência observada no passado é constatada agora na gestão do vereador Marcelo Santos Rosa, o Marcelo Biriba.

PHS muda quadro em Magé de olho em 2018

O comando estadual da legenda pretende lançar dois candidatos locais a deputado

Presidente estadual do Partido Humanista da Solidariedade (PHS), o ex-prefeito de São João de Meriti Sandro Matos (foto), anunciou ontem (29) a reformulação da legenda em Magé, reforçando o partido no município com vistas as eleições do próximo ano. Para isso ele entregou o controle do diretório local aos ex-vereadores Amisterdam Santos Viana e Miguelangelo Pereira Peligrino, o Miguelzinho da Climamp, convidados por ele a disputarem o pleito de 2018. Amisterdam deverá ser candidato a deputado federal e Miguelzinho concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa. Quem também integra os quadros do PHS agora é o ex-vice-prefeito Claudio Ferreira Rodrigues, o Claudio da Pakera, que passa a ser presidente de honra da lenda.

Ainda faltam R$ 1,3 milhão, vereadores

Presidente da Câmara de Nova Iguaçu fala em “grande esforço para cortar custos e economizar os recursos públicos”, mas devolve menos do que poderia

Esta semana a Câmara de Nova Iguaçu repassou à Prefeitura um cheque no valor R$ 2,1 milhão, segundo o presidente da Casa, resultado de um “grande esforço para cortar custos e economizar os recursos públicos”. Só que o chefe do Legislativo, Rogério Teixeira Junior, o Juninho do Pneu (PMDB), esqueceu que atualmente são 12 vereadores a menos e o valor repassado é maior que o duodécimo da legislatura passada.  A conta é simples: o repasse mensal é de R$ 2.202.473,48, valor que dividido pelo número de integrantes da Casa (17) dá o total de R$ 129.557,26 ao mês por cabeça. Se o número de vereadores fosse o mesmo da composição anterior (29) a média por parlamentar, seria hoje de R$ 75.947,36 mensais, por cada um deles, uma diferença de R$ 53.609,90, que multiplicada por 17 dá R$ 911.368,30, nada mesmo que R$ 5.468.209,80 acumulados no período. Como foi devolvida a soma de R$ 4,1 milhão, há uma sobra de R$ 1.368.207,80. Que economia é essa, senhores?

‘Arrocho’ do TCE reduz custo do ‘Câmara Itinerante’ de Macaé

O "Câmara Itinerante" teria custado mais de R$ 6 milhões entre 2010 e o ano passado (Foto: Divulgação/CMM) Sessão que custava R$ 120 mil vai sair a R$ 25.970,09 graças ao Tribunal de Contas

O presidente da Câmara de Vereadores de Macaé, Eduardo Cardoso, estava pretendendo gastar mais de R$ 1,6 milhão realizando sessões nos bairros da cidade pelos próximos 12 meses e não fosse uma restrição feita no edital de licitação pelo Tribunal de Contas do Estado, o contribuinte iria pagar mais uma fatura cara. O TCE impôs cortes nos custos e a montagem da estrutura necessária para as reuniões do programa Câmara Itinerante vai custar agora R$ 623.282,16, R$ 25.970,09 por cada uma das 24 sessões anuais. O questionamento do TCE chegou com um atraso de mais de três anos, pois em maio de R$ 2014 a empresa Pan Produções Artísticas e Culturais foi contratada por R$ 1,444 milhão para esse mesmo serviço, o que dava a média de R$ 120 mil por sessão, considerando os doze meses do ano e o fato de elas só acontecerem, na época, uma vez por mês, segundo informava naquele ano a própria Casa Legislativa.

Divida da Câmara coloca Mesquita no ‘SPC’

Legislativo dá calote do INSS e o povo sofre as consequências da irresponsabilidade

Todos os meses, com crise ou sem crise, as prefeituras tem que repassar às câmaras de vereadores uma parte da receita, o chamado duodécimo, dinheiro para cobrir as despesas de pessoal, encargos e manutenção, mas em Mesquita, cidade pobre da Baixada Fluminense, a palavra encargo – pelo menos no que tem a ver com os repasses para o INSS –, é um termo desconhecido pela administração da Casa Legislativa: a dívida acumulada chega a R$ 3 milhões e o não pagamento acabou negativando o município no cadastro dos órgãos de controle do Ministério da Fazenda, o que impede a liberação de recursos através de convênios e outras parcerias com o governo federal.