Guapimirim virou “eldorado” para empresas recém-criadas

Segundo os registros na Receita Federal a World Papers está sediada no número 800 da Rua Martha Alcântara Fares, mas no trecho da via apontado no mapeamento do Google como localização da sede o que existe são duas pequenas residências e uma placa instalada em um terreno há uns 300 metros pode confundir eventuais clientes Firmas novas estréiam com contratos de quase R$ 2 milhões com a Prefeitura

A empresa World Paper Comércio e Serviços estreou bem em sua atividade comercial. Foi aberta no dia 12 de janeiro deste ano, exatos onze dias após a posse do prefeito Jocelito Pereira de Oliveira, o Zelito Tringuelê (PDT) e pouco mais de dois meses depois venceu a sua primeira licitação, o pregão gerado a partir do processo  974/2017, homologado no último dia 3, no valor global de R$ 974.400,00, tendo como objeto a locação de impressoras multifuncionais e mais o fornecimento de toner, cartuchos e cilindros. Outra empresa que começou bem na realização de eventos – atividade para qual foi registrada no dia 3 de agosto de 2016 – é a Bizu Comunicação, que em fevereiro firmou um contrato de R$ 939.898,00 para fazer o carnaval de Guapimirim e já recebeu R$ 789.659,10 dos cofres da municipalidade, o que significa ser o seu dono um homem de muita sorte, pois fornecedores com faturas vencidas há mais de um ano sequer são atendidos na Prefeitura quando vão cobrar o que lhes é devido. 

Caixa-preta da Codeni esconde gastos em Nova Iguaçu

Não há dados sobre que é feito com os recursos e os repasses dos primeiros três meses deste ano quase dobram em comparação ao último trimestre de 2016

Ninguém no município sabe dizer para que serve exatamente a Companhia de Desenvolvimento de Nova Iguaçu (Codeni) e tão difícil como ver alguma utilidade no órgão é saber onde e em que a autarquia municipal gasta os recursos repassados todos os meses pela Prefeitura. Em março, por exemplo, foram creditados na conta da Codeni R$ 2.650.632,24, quase que o total recebido por ela durante todo o último trimestre de 2016, quando a soma de repasses chegou a R$ 2.863.956,65. O total transferido à companhia nos três primeiros meses da gestão do prefeito Rogério Lisboa (foto) passa de R$ 6,6 milhões e o aumento elevado no volume de recursos para a autarquia coincide com a devolução de R$ 2 milhões feita pela Câmara de Vereadores naquele mês, dinheiro que teria sido ser usado em parte para pagar algumas empresas. O problema é saber quem recebeu o que e como se deu a escolha dos que receberiam as faturas atrasadas...

Ação questiona nepotismo em Saquarema

Além do marido enquadrado na Lei da Ficha Limpa, Manoela Peres nomeou dois cunhados para compor o governo Afastamento do marido da prefeita vai ser analisado pela Justiça, mas a prática do nepotismo no município vai além da nomeação dele para comandar a Secretaria de Governo

Está tramitando na 1ª Vara da Comarca de Saquarema o processo 0000723-44.2017.8.19.0058, no qual está sendo pedido o afastamento do ex-prefeito Antonio Peres do cargo de secretário de Governo. Peres, que é marido da prefeita Manoela Ramos de Souza Gomes Alves, a Manoela Peres (PTN), teve a candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa, e 30 dias antes do pleito foi substituído pela esposa. Para que Peres pudesse a Câmara de Vereadores, a pedido do governo, revogou uma lei municipal que vedava a nomeação em cargos de confiança de pessoas inelegíveis.  No processo só está sendo questionada a presença de Antonio Peres no governo, mas há pelo menos mais dois membros da família no primeiro escalão: Ana Amélia Alves Quintanilha (chefe de Gabinete) e Antonio Francisco Alves Neto, o ex-vereador Chico Peres (Procurador Geral), são irmãos do ex-prefeito e, consequentemente, cunhados da prefeita.

Prefeito de Mangaratiba segue na contramão da lei

Nomeando em cargos de confiança profissionais para atuarem em funções efetivas

As funções de exercício permanente, as chamadas de provimento efetivo só podem ser ocupadas por servidores aprovados em concurso público ou – em casos específicos de uma situação de emergência – através de processos seletivos simplificados necessários para sustentar as contratações temporárias. Entretanto isso não estaria valendo para o município de Mangaratiba, onde o prefeito Aarão de Moura Brito Neto (foto), é acusado de nomear em cargos comissionados profissionais para na verdade exercerem funções administrativas de caráter permanente. Denúncia nesse sentido já foi encaminhada ao Ministério Público para que seja investigada a possibilidade de os 1322 candidatos aprovados em concurso público ainda em vigor estarem sendo descartados para que os nomeados possam ser encaixados nas vagas.

Empresa que derrubou secretário será investigada em Rio das Ostras

Marcelino Borba disse ter comido uma nota fiscal relativa aos serviços da terceirizada da Saúde no mês de janeiro Nota atestada em favor da terceirizada na Saúde tinha “gordura” de R$ 255 mil

Com um contrato de cerca de R$ 14 milhões renovado sucessivamente na gestão do prefeito Alcebíades Sabino através de termos aditivos, a empresa Mississipi Empreendimentos – responsável pelo fornecimento de mão de obra terceirizada para a limpeza do hospital municipal e do pronto socorro de Rio das Ostras – terá de explicar porque não têm pago com regularidade os salários dos trabalhadores. Providências nesse sentido estão sendo tomadas pela Câmara de Vereadores, que quer saber quanto a empresa recebeu do município nos últimos quatro anos e se a Mississipi tem recolhido as contribuições previdenciárias e o Fundo de Garantia dos funcionários. A relação entre a terceirizada e governo ficou balançada a partir de fevereiro, quando uma nota fiscal de R$ 650 mil atestada no curto período do vereador Marcelino Borba como secretário de Saúde, teve o valor questionado pelo prefeito Carlos Augusto Balthazar, que depois de analisar a medição relativa aos serviços prestados no mês de janeiro mandou pagar o total de R$ 395 mil. O mais estranho é que ao ser questionado sobre o destino da fatura atestada em sua gestão, o ex-secretário respondeu de forma inesperada: “Comi!”

Vereador de Mangaratiba denunciado por formação de quadrilha

E também um ex-membro da Casa

O presidente da Câmara de Vereadores de Mangaratiba, Vitor Tenório dos Santos, o Vitinho (foto), foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público, acusado dos crimes de formação de quadrilha e falsidade ideológica,  que, segundo cita o MP, teriam sido praticados em 16 processos licitatórios realizados pela Prefeitura da Cidade na gestão do ex-prefeito Evandro Bertino Jorge, o  Evandro Capixaba, que cumpre pena de 52 anos de prisão em regime fechado. A denúncia foi feita pela subprocuradoria-Geral de Justiça de Assuntos Criminais e de Direitos, envolvendo ainda um ex-vereador do município, Humberto Vaz.  A denúncia apresentada é resultado de investigações realizadas pelo Grupo de Atribuição Originária em Matéria Criminal (GAOCRIM), que levou à condenação 44 réus por quadrilha, fraude a licitação, falsidade ideológica, uso de documento falso e coação no curso do processo.

Prefeito de Macaé responde também por nepotismo

Aluizio, Eduardo Cardoso, Paulo Antunes e George Jardim são réus em ações movidas pelo Ministério Público Além dos fantasmas já denuniciados nomeações de parentes de vereadores enrolam Aluizio

Nos próximos dias deverá sair mais uma decisão de bloqueio de bens envolvendo o prefeito e um vereador de Macaé, em processo no qual o Ministério Público aponta pagamento de salários a servidores que não fariam jus aos vencimentos recebidos. Na semana passada o juízo da 2ª Vara Cível da comarca local decidiu bloquear bens de Aluízio dos Santos Junior, o Dr. Aluizio e do presidente da Câmara de Vereadores, Eduardo Cardoso, porque uma filha deste teria recebido cerca de R$ 300 mil entre 2007 e 2015, sem prestar serviços. Quanto ao novo caso a Procuradoria do município resolveu se antecipar e está convocando uma filha do vereador Paulo Antunes, para que ela tome conhecimento de valor a ser devolvido aos cofres da municipalidade. Ocorre que não são apenas os “fantasmas” que tiram a tranquilidade do homem que venceu as eleições de 2012 pregando mudanças, austeridade e com o mesmo discurso foi reeleito no ano passado: Aluizio é réu em pelo menos quatro processos de nepotismo e em três deles figuram também os vereadores Eduardo Cardoso, Paulo Antunes e o George Jardim.

Viagens dos vereadores de Mangaratiba custaram R$ 4,2 milhões

Um dos eventos realizados pela Falcão este ano aconteceu em Maceió, em janeiro. A julgar pelo espaço disponibilizado fica a impressão de que as palestras em si não são as atrações, pois normalmente os pacotes são vendidos a Câmaras de Vereadores de vários municipios Inseridos no sistema como despesas com o plenário, gastos são com passagens aéreas, locomoção terrestre e hospedagem em hotéis de cidades turísticas do Nordeste a pretexto de cursos e seminários

A julgar pelo grande volume de recursos públicos gastos a pretexto de participação em cursos e seminários, os vereadores de Mangaratiba e seus assessores devem ser os mais bem preparados do estado. De janeiro de 2013 a dezembro do ano passado os “nobres representantes do povo” torraram exatos R$ 4.291.100,00 com viagens para destinos turísticos do Nordeste e mais R$ 272.020,00 foram desembolsados este ano com a mesma finalidade, embora 2017 mal tenha começado. Os gastos com o que a população classifica como “passeios às custas dos contribuintes”, sempre foram elevados, mas aumentaram muito nas gestões dos vereadores Pedro Bertino Jorge Vaz e Vitor Tenório Santos, o Vitinho (foto) como presidentes. Vitor, que continua no comando da Casa, autorizou em 2016 pagamentos no total de R$ 1.139.670,00 em favor da empresa Falcão Centro de Capacitação e Treinamento, que tem organizado eventos em capitais nordestinas. Só essa empresa já faturou R$ 2,211 milhões junto à Câmara, que até dezembro de 2014 usava outra promotora de eventos semelhantes, a firma Centro de Treinamento e Apoio Municipal (Centram), que recebeu da Câmara mais de R$ 2 milhões por isso.

Saquarema esconde suas contas

A gestão da prefeita Manoela Peres não está disponibilizando as contas públicas no site oficial Prefeitura não informa receita, despesas e licitações já começam ser questionadas

Com orçamento de R$ 282 milhões aprovado para o exercício deste ano, o município de Saquarema é um dos poucos que vem conseguindo manter as contas em dia, só que ninguém sabe quem está recebendo o que e por que. É que a administração municipal não informa nada sobre a receita, as despesas, fornecedores e folha de pessoal, dados que deveriam estar bem claros no site oficial do município, mas que não estão sendo revelados pela gestão da prefeita Manoela Ramos de Souza Gomes Alves, a Manoela Peres. Quem procurou até ontem, por exemplo, pelos contratos de prestação de serviços como coleta de lixo e locação de máquinas e caminhões, fornecimento de remédios e merenda escolar perdeu seu tempo. Se buscou por licitações a coisa foi ainda mais difícil, pois nem os avisos de abertura do certame estão disponíveis no Portal da Transparência, quanto mais os resultados dos pregões e os valores contratados.

Ficha suja não tira ex-prefeito do poder em Araruama

Com direitos políticos suspensos e proibido de contratar com o poder público, Chiquinho da Educação estaria dando as cartas no governo, embora devesse estar bem longe dele

Citado em pelo menos 66 processos judiciais, condenações impostas pelo Tribunal de Contas do Estado e com uma sentença que o tornou inelegível por cinco anos e o proíbe de contratar com o poder público pelo mesmo período, o ex-prefeito de Araruama, Francisco Carlos Fernandes Ribeiro, o Chiquinho da Educação (foto), é quem estaria dando as cartas no governo de sua mulher, a prefeita Lívia Belo (PDT), que disputou a eleição com o nome de Lívia de Chiquinho. Ele aparece no site do Tribunal de Justiça com 28 processos cíveis, quatro criminais e 34 na Vara de Fazenda Pública, onde são ajuizadas ações de execução fiscal. A decisão que o tornou inelegível se deu em processo por improbidade administrativa pelo uso de servidores da Secretaria de Obras na construção de uma casa em Búzios. Chiquinho pegou dez anos de inelegibilidade, mas recorreu ao TJ e a pena foi reduzida à metade, devendo prescrever em setembro deste ano se a decisão do Tribunal de Justiça não cair em Brasília, onde a ação será analisada em última instância. Porém, como há mais processos tramitando, a estimativa de alguns advogados é de que ele possa ficar inelegível até 2024.