Oposição repentina em Japeri: presidente da Câmara agora faz críticas ao governo e até cobra transparência

Marcio apresentou requerimentos e criticou a falta de transparência no governo, o que também tem faltado no poder presidido por ele Parece que o presidente da Câmara de Japeri, Marcio José Russo Guedes, o Marcio Manequinha, resolveu acordar para a realidade daquele que já é considerado o pior governo da história de Japeri, município mais pobre da Baixada Fluminense, porém grande em desmandos, e cumprir com o seu papel de vereador.

De uma hora para outra ele passou a criticar a gestão do prefeito Cesar Melo, e esta semana apresentou dois requerimentos de informação, um deles referente às obras de reforma da Policlínica Itália Franco que, como o elizeupires.com já revelou, estão sendo feitas por uma empresa registrada em nome de Renato Rabelo Ribeiro, que foi secretário de Meio Ambiente de Nilópolis na gestão do prefeito Sergio Sessim, filho do deputado Simão Sessim, autor da emenda parlamentar que garantiu os recursos para a Prefeitura poder pagar pela reforma.

Licitações escondidas de Japeri estão na mira do Tribunal de Contas

TCE quer explicações sobre restrição a acesso aos editais e questiona publicações dos atos oficiais

A gestão de Cesar Melo vem chamando a atenção do Tribunal de Contas do Estado pela falta de transparência com os gastos públicos No âmbito de uma representação feita a Corte sobre um pregão no valor de R$ 1,7 milhão para alugar estrutura para eventos – palco, som e iluminação, fora cachês de artistas –, feita a pedido do secretário de governo Rodrigo de Mello Marques, o Tribunal de Contas do Estado está cobrando uma série de explicações ao prefeito Cesar Melo (PP). Ele terá de esclarecer, por exemplo, porque o acesso aos editais de licitação vinha sendo dificultado com exigência de cadastro prévio, a razão de a Prefeitura não publicar os avisos de licitação em jornais de grande circulação como determina a lei, e a não disponibilização dos contratos, termos aditivos e dispensas de licitação no site oficial do município.

Japeri já gastou mais de R$ 1 milhão na manutenção de ar-condicionado e agora vai pagar cerca de R$ 360 mil em peças para os aparelhos

A Prefeitura de Japeri é uma das mais pobres do estado do Rio de Janeiro Sem revelar quantas unidades deveriam receber o serviço, a Prefeitura de Japeri contratou, em novembro de 2017, a empresa Ar Fredo Refrigeração para fazer a manutenção dos aparelhos de ar-condicionado existentes em suas secretarias e no gabinete do prefeito, pelo valor global de R$ 1.077 milhão por um ano de prestação de serviços, mas este mês o prefeito Cesar Melo resolveu ampliar os gastos com os aparelhos em mais cerca de R$ 360 mil.

O novo contrato, que ainda não está disponibilizado no site oficial do município como determina a lei, é para a compra de peças para o concerto dos aparelhos, com fornecimento a ser feito pela empresa Imagem Forte Refrigeração.

Obra em Japeri é feita por firma controlada por empresário ligado a filho do autor da emenda parlamentar que assegurou os recursos

Durante a campanha eleitoral de 2018 circulou pelas redes sociais uma mensagem atribuída ao prefeito afastado Carlos Moraes Costa, com pedido de votos para o então deputado federal Simão Sessim. O texto destacava que o político havia conseguido mais de R$ 5 milhões em emendas para Japeri e que a reforma da policlínica local estava sendo feita com parte desses recursos. Segundo consta do contrato 042, assinado em setembro do ano passado, a Construtora Fluminense é a responsável pela obra. A firma pertence a Renato Rabelo Ribeiro, que ocupou cargo de secretário do Meio Ambiente em Nilópolis, na gestão do prefeito Sergio Sessim (foto), filho do autor das emendas que garantiram o dinheiro.

Com vários processos licitatórios e contratos questionados pelo Tribunal de Contas do Estado – que apontou sobrepreço, indícios de favorecimento e direcionamento por conta da não disponibilização dos editais de licitação do site oficial do município –, a Prefeitura de Japeri tem sido alvo de auditorias do TCE em alguns procedimentos. O contrato da Construtora Fluminense tem o valor global de R$ 2.902.642,03 e foi assinado pelo prefeito Cesar Melo no dia 23 de setembro do ano passado, tendo como objeto a reforma da Policlínica Itália Franco.

Japeri: TCE dá 30 dias de prazo para prefeito dar explicações sobre licitação de merenda feita com restrição de acesso ao edital

O Tribunal de Contas do Estado acatou representação feita pelo vereador Helder Pedro Barros para que seja feita uma auditoria no processo licitatório para aquisição de merenda escolar, vencido pela empresa Leman Negócios Comércio e Serviços, que tem como atividade econômica principal o "comércio atacadista de medicamentos e drogas de uso humano", que não se relaciona com os 92 itens de uma ata de registro de preços do valor pelo total de R$ 6.743.352,37 homologada em favor da empresa. O TCE deu um prazo de 30 dias para o prefeito Cesar Melo (foto) se explicar.

Na representação consta que além de a principal atividade da empresa não ter nada a ver com gêneros alimentícios, o capital social da Leman seria inferior a 10% do valor do contrato. O documento também denunciou ao TCE que o acesso ao edital foi dificultado pela exigência de cadastro, quando a determinação é disponibilização irrestrita no Portal da Transparência.

Fora do poder desde que teve prisão decretada, ex-presidente da Câmara de Japeri mira as eleições de 2020

Afastado da Câmara de Vereadores de Japeri há mais de um ano, sem sequer poder entrar na Casa que presidiu por 18 meses, Wesley George de Oliveira, o Miga está de olho nas eleições do próximo ano. Pelo menos é o que ele sugere nas redes sociais em imagem da campanha de 2016, com a hashtag  "2020 é logo ali". Ele foi preso sob acusação de associação para o tráfico de drogas junto com o prefeito Carlos Moraes Costa e o também vereador  e Claudio José da Silva, o Cacau, que permanecem encarcerados. Embora esteja afastado da Câmara desde o dia 30 de julho do ano passado, Miga continua ganhando como vereador, assim como Cacau.

Embora tenha sido afastado do cargo de presidente da Câmara e do mandato de vereador, Wesley George de Oliveira não tem ainda nenhum impedimento legal em relação a uma candidatura a cargo eletivo, e se tiver o afastamento suspenso pela Justiça poderá retornar ao Legislativo.